ZêzereArts, o sonho que o irlandês Brian MacKay tornou realidade

O Zêzere Arts é um festival diferente, que leva música erudita aos monumentos, com uma centena de músicos de diferentes gerações e nacionalidades. É o sonho concretizado do irlandês Brian MacKay, que fixou residência na região e com quem o mediotejo.net foi conversar.

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Brian MacKay não se arrepende de um dia, quando sobrevoava a região, ter escolhido viver junto do verde da floresta e do azul das lagoas da albufeira do Castelo de Bode que viu da janela do avião.

“A vida sempre põe desafios à nossa frente. Esta região tem mais do que de vez em quando parece.”

Começou como um festival de ópera com residência artística em Ferreira do Zêzere para, ao fim de seis anos, se transformar num evento de música erudita que junta, em monumentos da região, várias gerações de músicos vindos de diversos países.

Brian MacKay, músico irlandês que fixou residência na região, foi o mentor de um projeto, o Zêzere Arts, que surpreendeu ao trazer para um concelho do interior do país um género musical geralmente reservado às salas dos grandes centros urbanos e que não tem parado de crescer.

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Foto: ZêzereArts
Foto: ZêzereArts

Na quarta-feira, 13 de julho, entre 70 a 80 músicos provenientes de vários países chegaram à região para começar a ensaiar três programas corais diferentes, antecedendo a chegada de cerca de 30 jovens músicos que irão participar nas ‘masterclasses’ para formarem a orquestra que irá tocar com os coros, mas também para concertos de música de câmara e para uma ópera, género que regressa ao programa do festival.

“Este ano vamos fazer concertos em Ferreira do Zêzere, como sempre em Dornes, no Convento de Cristo, em Tomar, no Mosteiro da Batalha e, desde o ano passado, quando começámos a relação com a Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, vamos fazer um concerto em frente ao Castelo de Almourol. Vai ser um espetáculo de dança com música tocada por jovens músicos dos ‘masterclasses’”, disse Brian MacKay ao mediotejo.net.

Serão mais de 15 espetáculos que começam a 19 de julho, à hora do almoço, com um concerto coral, com coro e música orquestral no órgão histórico napolitano, na capela da Santa Casa da Misericórdia de Tomar, e terminam a 10 de agosto com um Jantar de Gala, “Tournedos Rossini”, no hotel Casa do Adro, em Ferreira do Zêzere.

Foto: ZêzereArts
Foto: ZêzereArts

Dia 20, à tarde, é inaugurada a exposição “Musicando”, no posto de turismo de Dornes, seguindo-se um concerto com coro e música orquestral no órgão histórico ibérico da igreja desta aldeia.

A 22 de julho ao final da tarde, na Charola do Convento de Cristo, em Tomar, atua o Coro de Câmara Zêzere Arts.

No dia 23, ao princípio da tarde, realiza-se um recital em Vila Nova da Barquinha com a Orquestra Zêzere Arts e a pianista Taíssa Poliakova Cunha, e, à noite, um Concerto Coral Sinfónico no Claustro D. João III, no Convento de Cristo.

Para dia 26 à tarde, na Biblioteca António Cartaxo Fonseca, em Tomar, está agendado um recital, “Por amor de Clara Wieck”, com Matilde Loureira (violino), Gonçalo Lélis (violoncelo) e Taíssa Poliakova Cunha (piano).

Dia 27, realiza-se uma visita noturna ao Mosteiro da Batalha com atuações da Orquestra de Cordas do Zêzere Arts, sendo para este espetáculo necessária marcação prévia.

No dia seguinte à noite há um novo concerto orquestral no Claustro D. João III, no Convento de Cristo, pela Orquestra Zêzere Arts com solistas da ‘masterclass’ de cordas, estando para dia 29 marcado um recital no Cineteatro Paraíso, em Tomar, ao princípio da tarde, e, à noite, num espetáculo de dança com música ao vivo no Castelo de Almourol, a Orquestra Zêzere Arts interpretará as “Quatro Estações”, de Vivaldi, e “As Quatro Estações Porteñas”, de Astor Piazzola, com solistas da ‘masterclasse’ de cordas.

No dia 30 de julho à tarde, os artistas participantes no festival conduzem uma visita guiada à exposição “Musicando”, na Biblioteca Municipal Dr. António Baião, em Ferreira do Zêzere, seguida de um recital no mesmo local.

O “Concerto de Gala” está marcado para 31 de julho à tarde no Centro Cultural de Ferreira do Zêzere, com a Orquestra do Zêzere Arts e as solistas convidadas Natasa Sibalic e Juliana Mauger.

A ópera volta ao festival no dia 04 de agosto, no Cineteatro Ivone Silva, em Ferreira do Zêzere, com “La Serva Padrona”, numa coprodução com o Convento dos Capuchos (Almada), no âmbito do Festival dos Capuchos.

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“Começámos com esta ideia de produzir ópera. Então, estamos muito contentes de ter a possibilidade de voltar a fazer ópera”, disse Brian Mackay, adiantando que o espetáculo acontece numa coprodução com o Festival do Convento dos Capuchos, em Almada.

“Temos esta sorte de criar relações com outras organizações para facilitar o crescimento do festival”, disse.

Para o músico, este é um tipo de projeto “muito bom para ancorar na região”.

Foto: ZêzereArts
Foto: ZêzereArts

Por um lado, permite cooperar com músicos e com escolas de música, disse, apontando os exemplos da Sociedade Filarmónica Gualdim Pais e da Canto Firme, ambas de Tomar, que terão professores e alunos a participar no evento.

Por outro lado, a experiência de atuar em espaços que podem ser “muito pequenos”, como aqueles onde vão acontecer concertos com órgãos históricos, ou grandes, como o Castelo de Almourol, os claustros do Convento de Cristo ou o Mosteiro da Batalha, é “única para pessoas que chegam pela primeira vez” à região.

“É uma coisa completamente diferente de só visitar, porque elas têm oportunidade de usar o espaço e viver dentro do espaço (há residências artísticas no Convento de Cristo) e o ‘feedback’ que recebemos depois da experiência é muito positivo”, realçou, acrescentando com um sorriso que “o sol também faz parte da experiência”, mesmo quando está “um pouquinho forte demais”.

Criado numa zona, o Médio Tejo, onde se têm multiplicado eventos culturais que vêm assumindo uma dimensão nacional e mesmo internacional, Brian MacKay sublinha a importância da diversidade da oferta.

“Cultura é todas as maneiras que usamos para contar a nossa história. Uma coisa que eu gosto aqui é que é perfeitamente possível assistir a um concerto de música clássica no Convento de Cristo e depois assistir a uma festa de verão”, afirmou.

Para o músico, apesar das dificuldades que a crise acentuou para quem faz cultura, esta “nunca morre”.

“Tento nunca esquecer que quase todas as crianças cantam, dançam, fazem teatro, contam histórias e, quando os adultos não esquecem, é também assim para os adultos. É muito importante para nós ter esta oportunidade de contar as nossas histórias e exprimir as nossas emoções de uma maneira cultural. Por isso vamos sempre continuar”, acrescentou.

O Zêzere Arts vai continuar nos mesmos moldes porque “esta mistura de músicos, de músicos com mais experiência com jovens, de professores, profissionais, maestros, orquestras, esta mistura e a ligação com a região, a experiência de visitar esta região é importante”.

“Não dá para tirar esta parte e deixar a outra. O que os nossos participantes gostam é desta experiência, porque de vez em quando estão a cantar música que já cantaram muitas vezes em casa, mas aqui, num espaço diferente, com sol, com comida diferente, a tentar falar uma língua nova pela primeira vez, faz uma experiência completamente diferente.”

Brian MacKay não se arrepende de um dia, quando sobrevoava a região, ter escolhido viver junto do verde da floresta e do azul das lagoas da albufeira do Castelo de Bode que viu da janela do avião.

“A vida sempre põe desafios à nossa frente. Absolutamente, não estou arrependido. Esta região tem mais do que de vez em quando parece. Tem escolas ótimas, tem escolas de música. Se a pessoa tem a vontade de aproveitar o que temos aqui, acho que é um ótimo sítio para viver.”

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