ZêzereArts | A fusão perfeita de música e património de Brian MacKay (c/vídeo)

Irlandês de 56 anos a viver nos limites do concelho de Tomar com o de Ferreira do Zêzere, o maestro Brian MacKay encontrou há sete anos um espaço na vida cultural do Médio Tejo. O ZêzereArts, festival de música erudita que este ano percorre as salas e as galerias patrimoniais de Ferreira do Zêzere, Tomar, Vila Nova da Barquinha e Batalha, tem vindo a crescer, com um programa de maior qualidade e cada vez mais envolvência na região que o acolhe.

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A música chegou à vida de Brian MacKay ainda criança, não se conseguindo lembrar com precisão. “Sempre toquei música”, recorda, com uma família interessada nas artes, ainda que de forma amadora. “No Secundário o meu professor ficou doente e era necessário alguém para dirigir o coro. Fui escolhido para o substituir e gostei muito. Foi o início”, narra. Brian MacKay estudou oboé e piano no Royal College of Music, em Londres, tornando-se maestro após frequentar o Kodály Institute, na Hungria.

Em 2011 um encontro com o executivo da Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere abriu as portas para o que viria a tornar-se o ZêzereArts. “Foi um encontro de sorte com o vereador de cultura”, admite. “Começámos a falar sobre várias ideias. Já tinha experiência em fazer cursos de verão e começámos a conversar sobre a ideia de criar um curso de verão de música, semanalmente, em Ferreira do Zêzere. Isto foi há sete anos, em 2011, e este ano vamos fazer a oitava edição. A ideia cresceu até ser um festival de 15 dias”.

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Há espetáculos que funcionam melhor num confortável auditório, outros que só têm a ganhar se foram construídos nos claustros e entre as muralhas dos monumentos nacionais. Brian MacKay tem procurado oferecer ao público o que de mais complexo se faz na arte musical Foto: mediotejo.net

Ao longo do tempo o festival tem granjeado apoios e atraído cada vez mais músicos e interessados, nomeadamente estrangeiros. “As pessoas estão a gostar de ter esta oportunidade aqui na região”, constata. Qualquer receio de ausência de massa crítica que apreciasse música erudita é infundado, conforme salienta Brian MacKay. “Para mim, para nós, a arte ou música é para todos. Particularmente quando estamos a falar sobre música ao vivo”, refere.

“Acho que existem pessoas que têm um pouco de medo de música erudita, mas dentro da experiência de ouvir música, com jovens a tocar ou com toda a gente que está a tocar com entusiasmo e a comunicar com o público, nós esquecemos esta ideia de que é música erudita e entramos na experiência”, constata.

Com espetáculos programados para o Convento de Cristo, em Tomar, Castelo de Almourol, Dornes ou Mosteiro da Batalha, o maestro sublinha o impacto cénico e musical destas experiências e a qualidade que traz ao festival. “A nossa ideia agora está muito ligada com o património”, explica. A fusão entre música e os espaços patrimoniais da região foi um conceito que surgiu ao longo dos anos, face a todo um conjunto de experiência bem sucedidas.

Esta região é tão rica em sítios incríveis”, de Tomar a Abrantes, passando por Alcobaça ou Batalha, e há “programas que ganham um nível extra quando são apresentados no sítio especial, com história, com uma paisagem bonita e uma estrutura incrível”, explica.

“Começámos em Ferreira do Zêzere, mas no segundo ano também atuámos no Convento de Cristo e os coralistas ficaram alojados dentro do Convento”, recorda. A “ideia de criar espetáculos que tenham ligação com o espaço começou a crescer. Esta região é tão rica em sítios incríveis”, de Tomar a Abrantes, passando por Alcobaça ou Batalha, e há “programas que ganham um nível extra quando são apresentados no sítio especial, com história, com uma paisagem bonita e uma estrutura incrível”, explica. Não é necessário criar um palco, um cenário, ele já existe com toda a carga artística e histórica que representa.

A par dos espetáculos, o ZêzereArts oferece também um conjunto de marterclasses, este ano com a presença de grandes violoncelistas internacionais que vão dar um conjunto de aulas intensivas a alunos de música. A equipa de professores tem grande experiência musical, frisa o maestro, procurando-se não só a transmissão de conhecimentos mas também o convívio com os cerca de 40 alunos nacionais e internacionais. Os alunos estrangeiros são convidados, explica, mas também há quem tenha encontrado o programa e inscrito nas formações, alguns repetindo a experiência de anos anteriores.

Não sendo ainda um festival de dimensão nacional, Brian MacKay destaca que “a nossa ambição com a equipa é sempre de oferecer uma boa experiência para os nossos alunos e participantes e principalmente criar espetáculos para o público. Fazer o melhor possível”. “O resto, vamos ver”, termina sorrido, frisando porém que os apoios vão crescendo, o que demonstra que o trabalho é apreciado.

Mozart, Tchaikovsky, Chausson, Dvorak, Villa-Lobos ou Joly Braga Santos são alguns dos compositores que marcam presença em cerca de duas dezenas de espetáculos ao ar livre, monumentos e salas de espetáculos nos quatro concelhos. Ao todo vão encontrar-se no Médio Tejo mais de uma centena de cantores e instrumentistas.

Entre as novidades dos participantes na oitava edição encontram-se a violoncelista Ophélie Gaillard e os violinistas Gian Paolo Peloso e Eliot Lawson, acompanhados por outros docentes e músicos que têm acompanhado as iniciativas anteriores, como Luís Pacheco Cunha, Catherine Strynckx, Adriano Aguiar, Jorge Alves, Aoife Hiney, Pedro Correia, Ana Queiroz, Taíssa Poliakova Cunha, Nélia Gonçalves, Juliana Mauger e Luís Pereira.

O ZêzereArts decorre de 15 de julho a 4 de agosto. Um dos pontos altos do festival é a ópera “As Bodas de Fígaro”, levada a palco dias 3 e 4 de agosto no Cine-teatro Ivone Silva, em Ferreira do Zêzere. O espetáculo é dirigido por ​Brian MacKay e encenado por ​Roberto Recchia​, ​contando com um elenco que reúne duas dezenas de atores e músicos.

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Cláudia Gameiro
Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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