“XIV Jornadas de História Local da Zahara”, José Martinho Gaspar

José Martinho Gaspar no CEHLA - Centro de Estudos de História Local de Abrantes. Créditos: desportoemabrantes

«A herança nunca é um dado, é sempre uma tarefa».

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Jacques Derrida

O CEHLA – Centro de Estudos de História Local de Abrantes concretizou, no início deste mês, a 14.ª edição das Jornadas de História Local. Com um espaço de abrangência que inclui os concelhos de Abrantes, Constância, Gavião, Mação, Sardoal, Vila de Rei e, mais recentemente, Vila Nova da Barquinha, estas jornadas, excecionalmente, tal como já acontecera com a revista Zahara n.º 27, de julho de 2016, tiveram como tema global “Abrantes: Cidade Centenária”.

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Os trabalhos arrancaram com a comunicação do conceituado arquiteto Fernando Sanchez Salvador, que, numa abordagem simultaneamente de cariz histórico e urbanístico, efetuou uma caracterização muito pormenorizada da evolução da malha urbana abrantina e destacou edifícios de referência construídos nos últimos 100 anos, como a Assembleia de Abrantes, o Cine-teatro S. Pedro e o antigo Grémio da Lavoura (atual Repartição de Finanças). Não se ficou, contudo, por esta abordagem, efetuando incursões ao que são atualmente as contingências, mas também os desafios, de cidades médias como Abrantes, marcadas por alguma desertificação e pelo envelhecimento da sua população. Nesta fase da sua intervenção, fez questão de pegar em frases fortes, capazes de fazer soar campainhas na cabeça de quem o escutava, nomeadamente “A herança nunca é um dado, é sempre uma tarefa”  e “Uma cidade sem vida é um parque temático”.

Docente do Instituto Politécnico de Tomar, Fernando Sanchez Salvador concluiu a sua intervenção com uma comparação entre a forma como evoluiu o núcleo urbano abrantino e o de Tomar, que tem estudado de forma mais aprofundada nos últimos anos.

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Posto isto, as jornadas prosseguiram com painéis sobre diferentes áreas, a forma como as mesmas evoluíram nos últimos 100 anos e também os desafios que se lhes colocam. Ainda da parte da manhã, o Ensino foi a temática tratada por Mário Pissarra, Teresa Aparício e Branca Fernandes. A seguir ao almoço, face à ausência de Lurdes Jorge, Isilda Jana e Alves Jana fizeram as honras da casa e expuseram as múltiplas facetas da Ação Social no decurso do último século, bem como as valências que esta área encerra na atualidade. O último painel tratou a temática do Desporto e esteve a cargo de José Martinho Gaspar, Orlando Marchão, Luís Silvério, Helder Rodrigues e Luís Valente. Tocou-se na forma como evoluiu a realidade desportiva concelhia, bem como nos inúmeros desafios que se colocam ao panorama desportivo concelhio.

A seguir, procedeu-se ao lançamento da Zahara n.º 28. Este novo número da revista de História Local do CEHLA arranca com um dossiê sobre a preparação do CEP para a participação portuguesa na 1.ª Guerra Mundial, a “Parada de Montalvo”, acontecimentos de há 100 anos, e ainda sobre a presença das unidades militares da região no conflito, bem como as baixas de Abrantes e concelhos envolventes. José Martinho Gaspar e António Matias Coelho são autores dos textos introdutórios, enquanto António Alpalhão é o responsável pela investigação de maior monta. A Zahara integra ainda um artigo de Isilda Jana sobre a Sociedade Artística 1.º de Maio; Teresa Aparício escreve sobre uma profissão em vias de extinção, os barbeiros; Joaquim Candeias da Silva intitulou o seu artigo “Vila Nova da Barquinha: Um concelho onde entroncam muitas memórias”; o texto sobre a Universidade Ferroviária das Mouriscas foi escrito por João Maia Alves; Mário Jorge Sousa traz-nos as Festas de Setembro no Sardoal: Santa Maria da Caridade a favor do Hospital; as Igrejas Matrizes do Concelho de Gavião vêm à liça pela pena de Carlos Grácio; vários autores do Museu de Mação escrevem sobre o Sítio Paleolítico Médio do Monte Penedo 1, enquanto Graziela Jácome conta como as mulheres do Grupo Cantares da Serra foram ao encontro do mundo.

A fechar a Zahara, a anteceder algumas notícias, são ainda publicados dois textos respeitantes a duas personalidades abrantinas que nos deixaram recentemente: Eurico Heitor Consciência e Orlando Pereira.

A mesa de encerramento das XIV Jornadas de História Local integrou José Martinho Gaspar, coordenador do CEHLA, e Maria do Céu Albuquerque, que deixaram no ar um conjunto de reflexões respeitantes à importância deste tipo de eventos e de desafios que se colocam no sentido de os fazer chegar junto de públicos mais jovens.

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