Voz aos Autarcas | “Valorizar o Médio Tejo”, por Fernando Freire

Foto: Serrano Rosa

A qualidade das infraestruturas aeroportuárias em Portugal é, de uma forma geral, considerada muito boa mas devido ao aumento do tráfego aéreo é mais que provável a criação de um novo aeroporto no Montijo, a aguardar, tão só, parecer de impacto ambiental. Em breve haverá decisão política sobre este assunto.

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Com a criação de 60 novas rotas para o nosso país e o aumento exponencial do tráfego aéreo em Lisboa, porque o nosso país “está na moda”, os constrangimentos para a Força Aérea permanecer no Montijo aumentaram nos últimos meses.

Face à eminente saturação do espaço aéreo Lisboa-Montijo haverá necessidade de deslocalizar a unidade militar que detém a maior esquadra de transportes. Questiona-se: qual será a solução ideal para a instalar a nova unidade aérea? A resposta só pode ser uma: Médio Tejo. E com os seguintes fundamentos:

Por razões históricas: O Aeródromo Militar do Polígono militar de Tancos foi ativado em 1919, com a instalação da Esquadrilha Mista de Depósito, transferida para aqui vinda de Alverca. Em 1921, torna-se a sede da primeira unidade operacional portuguesa de aviação de caça, a Esquadrilha de Caça n.º 1.

Com a criação da Força Aérea Portuguesa, em 1952, o aeródromo passou para a tutela deste ramo, já como Base Aérea N.º 3 (BA.3). Em 1993, o aeródromo é transferido para o Exército, operando, essencialmente, como base de apoio às tropas paraquedistas. Atualmente, é uma infraestrutura aeronáutica do Exército que alberga o comando da Brigada de Reação Rápida.

Como aeródromo, a infraestrutura serve de apoio às aeronaves que se deslocam a Tancos para realizarem operações de treino e transporte das tropas paraquedistas que se encontram estacionadas na região e ultimamente tem sido utilizada por tropas internacionais de vários países do mundo, estando neste momento entre nós as tropas belgas em exercícios. Outrossim, por aqui passaram milhares de cidadãos no cumprimento do serviço militar.

Pela localização: A ex-BA3 Tancos está situada no centro de Portugal. Há uma densidade populacional significativa nas cidades de Tomar, Ourém, Torres Novas, Entroncamento e Abrantes. Existe um suporte significativo de rede de autoestradas e itinerários principais na nossa região (A13 e A23). Temos o nó ferroviário central do Entroncamento. Há uma plataforma logística na região (Riachos – Torres Novas). Possuímos um tecido empresarial com penetração no mercado internacional, de que são exemplo a indústria automóvel, os curtumes, os têxteis, a exploração florestal, a madeira, o mobiliário e o papel.

As aeronaves, e as tripulações, a transferir são: C-295, C-130 e as cinco aeronaves KC-390, a adquirir à Embraer. Estas últimas para além de ações militares poderão ser adaptadas no combate a incêndios florestais, solução que o Governo já assumiu ao pretender transferir, novamente, para este ramo das Forças Armadas, esta tarefa.

Importa lembrar que Sua Excelência o General Chefe de Estado-Maior do Exército sobre este assunto (deslocalização) afirmou ao signatário que “o Exército fará sempre parte da solução e não do problema”. Por outro lado, beneficiam as tropas páraquedistas com esta deslocalização pois as aeronaves ficam à porta da sua unidade o que favorece os treinos operacionais. As aquisições de novas aeronaves aconselham o seu estacionamento na região central. Ora, não existe nenhum lugar com maior centralidade. Estamos no “centro do país”!

Pelo espaço aéreo: O Polígono tem um espaço aéreo sem restrições, possui servidões aéreas constituídas, ou seja não há aeronaves a operar. Tal, até o treino de aproximações por instrumentos e das tripulações sairá altamente favorecido.

Por razões políticas: O “Programa do XXI Governo Constitucional” assume entre os seus objetivos prioritários a afirmação do interior, e das zonas de baixa densidade, como é o nosso caso, como um aspeto central do desenvolvimento económico e da coesão territorial, promovendo uma nova abordagem de aproveitamento e valorização dos recursos e das condições próprias do território e das regiões fronteiriças, enquanto fatores de desenvolvimento e competitividade.

Eis uma grande oportunidade para valorizar o interior.

A chegada de recursos humanos e materiais da Força Aérea permitirão a troca de saberes, de experiências, a constituição de novas famílias, a celebração de atos de comércio bem como, para além do aumento normal da natalidade, a transferência de mais riqueza para o nosso território.

O possível regresso da Força Aérea ao Polígono militar de Tancos deve envolver todos os partidos políticos porque vejo a questão como um benefício regional e nacional.

Afinal, parafraseando a máxima latina, lema da BA.3, “RES, NON VERBA”, com o significado “ACÇÃO E NÃO PALAVRAS“!

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