Domingo, Fevereiro 28, 2021
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Voz aos Autarcas: Pedro Ferreira – Torres Novas

UMA MAJESTOSA BALEIA AZUL!

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Uma poetisa local, um dia chamou-lhe assim.

Quando beijada pelo sol vai evidenciando o verde sombreado da sua vegetação aromática e quando este se esconde entre as nuvens, sobressai majestosa e indisfarçável a sua tonalidade azul.

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Para os torrejanos em especial, faz parte do seu cenário diário e tornou-se uma referência diária, uma enorme muralha, não do seu castelo citadino mas uma muralha que os protege e lhes proporciona um micro clima onde as temperaturas mais altas fazem a diferença na região.

Pelas suas características naturais e pela tenacidade dos que nela habitam, do trabalho nos campos foi sendo gerado o “melhor azeite do mundo”, slogan tantas vezes repetido em entrevistas pelo saudoso Chef Silva e a cabra serrana chegou a rainha ao promover um dos pratos mais famosos da gastronomia torrejana, como o cabrito assado no forno e que se tem imposto anualmente através do FESTIVAL DO CABRITO. Não um cabrito que vem de avião da Nova Zelândia ou de outro local do mundo, mas um cabrito criado nesta serra e que se alimenta das plantas medicinais e aromáticas que proliferam pela encosta.

Claro que esta “baleia azul” é a nossa Serra d’Aire.

Porém, os milhares de automobilistas que ruidosamente a vêem ao longe quando passam na A1, na sua maioria desconhecerão as características naturais da mesma porque nunca pisaram a sua terra vermelha, nunca inspiraram com prazer o inebriante cheiro das suas plantas e flores de multicores, nem foram despertados pelas aves coloridas que de repente saltarão de árvore em árvore ou de trás de um arbusto seu esconderijo.

Mas esta serra, a nossa serra, esconde outro tesouro.

Um tesouro único no mundo e que desde há mais de oitenta anos, discretamente é procurado e pacientemente estudado por espeleólogos e arqueólogos de gabarito.

Nas entranhas desta “baleia azul”, através das suas grutas e algares, percorrendo o percurso interior do rio Almonda que dela nasceu e que com força brota para o exterior até abraçar o Tejo, através de milhares de anos, fala-se em quinhentos mil, ficou um rasto da presença humana através dos tempos.

Um espólio enorme e rico já existe no Museu Municipal Carlos Reis em Torres Novas e que deve ser visitado e muito mais está a ser estudado e à guarda de especialistas que nunca pararam de explorar e estudar.

Numa revista de grande impacto nacional, o arqueólogo João Zilhão afirmou que a gruta do Almonda será um permanente desafio para descobertas científicas nos próximos duzentos anos.

O município de Torres Novas tem consciência desta riqueza e desta particularidade única ao nível mundial. Tem consciência da importância da Rede Cársica do Almonda e da sua influência na história do Homem em território português.

Turisticamente ainda há muito a valorizar, havendo a esperança de se obterem apoios financeiros quer de fundos comunitários quer de apoios vindos do próprio orçamento de estado através dos ministérios tutelares.

Aberto também a desafios de investimentos privados se enquadrados numa estratégia municipal e nacional.

O CIGA-Centro de Interpretação das Grutas do Almonda, no Cabeço das Pias entre o Pedrógão e o Vale da Serra, precisa de ser revitalizado e dinamizado para continuar a receber espeleólogos, arqueólogos, estudantes e turistas, que, em conjunto, também tratarão riqueza às aldeias guardiãs que tão bem sabem receber.

Bem perto, o Campo Escola dos Escuteiros Torrejanos, sempre disponível, deverá ser uma referência para grupos que pretendam acampar bem perto.

Recentemente, a equipa de João Zilhão, que não sendo filho da terra se apaixonou cientificamente pelo lugar, fez uma descoberta extraordinária numa das cavidades da zona do Almonda: um crânio bem preservado e identificado como de HOMEM DE NEANDERTAL. Pelo estado de conservação, pouco deteriorado, está a causar grande impacto mundial.

Na passada semana, em Madrid, no Museu Arqueológico Regional, através da EUROPEAN SOCIETY FOR THE STUDY OF HUMAN EVOLUTION, entre outros temas relacionados com a evolução do Homem, MARIANNE DESCHAMPS apresentou um trabalho sobre a jazida da Gruta da Oliveira em Torres Novas e JOÃO ZILHÃO apresentou outro trabalho sobre O SISTEMA CÁRSICO DO ALMONDA em Torres Novas, como que abrindo uma janela para 500.000 anos atrás e as influências e adaptações do ser humano naquele lugar como local de abrigo. Neste mesmo encontro de cientistas também JOAN DAURA apresentou um trabalho sobre a nossa Gruta da Aroeira, também vizinha das anteriores, todas em solo torrejano.

Perante tão grande riqueza, deveremos definir uma estratégia com entusiasmo, conscientes de que só terá sucesso se for reconhecida e apoiada pelas entidades estatais.

Oportunamente o enigmático crânio de um NEANDERTAL será certamente apresentado em Torres Novas e cada um de nós tentará imaginar como funcionaria a “sociedade” Neandertal na actual zona da Zibreira e de Pedrógão.

Porém, a tal “baleia azul”, essa convive connosco, sempre do nosso lado e à espera que a visitemos!

Presidente da Câmara Municipal de Torres Novas

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