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Domingo, Julho 25, 2021

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Voz aos Autarcas: Pedro Ferreira – Torres Novas

CONVENTO DO CARMO – EI-LO DE NOVO, MAJESTOSAMENTE A RENASCER!

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Um edifício imponente. Indisfarçável na paisagem urbana de Torres Novas. Oito mil metros quadrados de área coberta, sobre terreno com mais de 4.500 anos de história.

Durante as obras ainda em curso, os arqueólogos contratados para acompanhar as mesmas, encontraram nas escavações uma necrópole pré-histórica, datada de há 4.500 anos e nela descobriram um conjunto de objectos, entre os quais uma quinzena de peças em ouro, muito bem conservadas, adornos de conchas marinhas e duas adagas em cobre.

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Datados da Idade do Cobre, segundo o arqueólogo responsável, Prof. Dr. António Faustino, um local de exumação colectiva, possivelmente uma família e pela tipologia de objectos encontrados, tratar-se-ia de um grupo social de elite. Foram ainda encontradas ossadas humanas, supondo-se corresponderem a 11 ou 12 pessoas, sendo uma delas uma criança com três ou quatro anos, dois adolescentes com menos de 16 anos e os restantes adultos, dois dos quais com mais de 40 anos, idosos para a época.

Estas peças encontram-se à responsabilidade e estudo do arqueólogo responsável e oportunamente serão expostas publicamente.

Tão importante descoberta, atira a nossa imaginação para milhares de anos atrás e só nos resta, por falta de mais registos históricos, tentar imaginar a zona das Tufeiras, já então habitada e a usufruir de um rio com água cristalina a que os romanos chamaram “Alius-munda” ou o “outro Mondego” e mais tarde, por degeneração, finalmente, Almonda.

Mas os primeiros passos para a construção do Convento do Carmo, surgiram em 1558, com a doação da ermida de S. Gregório à ordem dos Carmelitas Calçados para ali construírem um convento.

Porém, em 1834, dá-se a extinção das ordens religiosas masculinas, a nacionalização dos seus bens e nesse mesmo ano, a 27 de Dezembro, a Mesa da Misericórdia de Torres Novas pede à Coroa a cedência do edifício do convento para aí instalar o novo hospital, surgindo por Carta de Lei, em 1866, a autorização para a Santa Casa da Misericórdia de Torres Novas o construir. Apenas um ónus nessa autorização: a reversão do edifício para o Estado caso ocorresse uma utilização para fins diversos dos que motivaram a doação. E em 1867 iniciaram-se finalmente as obras do hospital, tendo sido inaugurado a 9 de Agosto de 1900.

Até aos nossos tempos, o hospital passou a ser a principal referência em termos de saúde quer para Torres Novas quer para a região, destacando-se com um brilhante quadro clínico, técnico e assistencial.

Os anos noventa trariam um novo hospital para Torres Novas e uma grande preocupação para a Santa Casa da Misericórdia de Torres Novas, sobre o que fazer àquele imóvel rapidamente a degradar-se por falta de utilização e manutenção.

Conscientes de tão grave problema em termos sociais e urbanísticos, o município, após deliberação camarária e ratificação da Assembleia Municipal no ano 2000, assume a compra do imóvel, porém só consegue formalizá-la em 27 de Junho de 2009, pelo preço de 1.246.994,74€.

Definida uma estratégia para a sua ocupação, lançou-se um concurso para a empreitada de remodelação do Convento do Carmo, enquadrada numa candidatura a fundos comunitários.

Episódios diversos relacionados com as descobertas arqueológicas vieram comprometer o normal e desejável desenvolvimento da obra e os torrejanos viram com natural preocupação o futuro do velho Hospital, do velho Convento do Carmo.

Por não ser um edifício qualquer. Porque sempre fez parte das famílias torrejanas e da região.

Foi neste velho hospital que muitos nasceram ou viram nascer os seus filhos e netos, que ali muitos foram tratados e que muitos ali viram morrer os seus entes queridos.

As discussões académicas sobre o destino a dar ao espaço, as tricas políticas sobre o tema, os episódios e os números, sendo democraticamente aceitáveis, não conseguirão apagar o principal anseio dos torrejanos que diariamente acompanham a obra do seu Convento do Carmo. Porque o seu principal anseio é “vê-lo” de pé, majestoso como antigamente. Com a sua escadaria imponente e as suas múltiplas janelas que dão para o Almonda e para o jardim, para o Rossio do Carmo, para a Escola de Polícia (antiga Escola Prática de Cavalaria e Grupo de Artilharia Contra Aeronaves) e até para as Tufeiras.

Cada torrejano recorda todos os espaços, todos os cantos, recantos e encantos do velho edifício.

Mas ele aí está. Preparando-se para receber de novo uma população que nunca deixou de se preocupar com a sua sobrevivência.

Com o seu renascimento, renasce também o importante desafio da grande reabilitação do centro histórico da cidade. Enquadrada numa cidade moderna, com qualidade de vida, mas reabilitando marcos históricos que embora mudos e frios, nos tocam na alma, porque são nossos!

Presidente da Câmara Municipal de Torres Novas

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1 COMENTÁRIO

  1. Mas o que ainda está sem uma resposta clara, ou que ainda deixa muitos Torrejanos na dúvida e à mercê do “diz-que-disse”, é saber qual será, afinal, a finalidade deste edifício após a sua recuperação. Tal como o porquê e a futura utilidade da extensão do edificio que se fez para a avenida.

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