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Quinta-feira, Agosto 5, 2021

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VOZ AOS AUTARCAS: José Farinha Nunes – Sertã

O Concelho da Sertã situa-se na região Centro de Portugal, distrito de Castelo Branco. Berço de homens tão notáveis como D. Nuno Alvares Pereira, Gonçalo Rodrigues Caldeira, Abílio Marçal, António Lopes dos Santos Valente ou Padre Manuel Antunes.

As suas origens históricas remontam ao terceiro milénio a.C.. Os primeiros sinais de povoamento são-nos dados pela existência de antas. No primeiro milénio a.C. existem vários testemunhos de castros – Santa Maria Madalena, em Cernache do Bonjardim e Nossa Senhora da Confiança, em Pedrógão Pequeno. Da mesma época, encontramos nos dias de hoje, manifestações artísticas gravadas na rocha – Fechadura e Lajeira, no território da União das Freguesias de Ermida e Figueiredo.

Conta-nos a lenda que nos tempos de Sertório a fortificação foi atacada pelos Romanos, tendo morrido na refrega um corajoso Lusitano, cuja mulher, de seu nome Celinda, ao ter conhecimento da sua morte e estando a fritar ovos numa sertã (frigideira), despejou o azeite a ferver sobre o inimigo que assim se viu impedido de tomar de assalto a fortaleza. E para memória de tal façanha se deu o nome de Sertã à Vila, sede de Concelho.

Alguns historiadores defendem que o foral foi concedido pelo Conde D. Henrique, então senhor de todas as terras no interior da Beira, em 9 de Maio de 1111, após ter procedido a reedificação da Vila e do seu castelo. Em 1165, D. Afonso Henriques doou esta região à Ordem dos Templários. Em 1174, foi entregue à Ordem dos Hospitalários, por D. Sancho I. Em 20 de Outubro de 1513, D. Manuel I concede novo foral declarando expressamente que é dado à Sertã “por inquirições e justificação, em razão de não aparecer o antigo”.

Desde o século XII surgiram vários lugares, aldeias, vilas e templos. Destacam-se as vilas de Cernache do Bonjardim e de Pedrógão Pequeno, e em termos arquitectónicos relevam-se os Paços Bonjardim, em Cernache do Bonjardim, onde nasceu D. Nuno Álvares Pereira e as Igrejas do Seminário das Missões e Matrizes da Sertã, Cernache do Bonjardim e Pedrógão Pequeno. No século passado, o Concelho foi contemplado com o privilégio de desfrutar das potencialidades de três grandes albufeiras de barragens que regularizaram o impetuoso rio Zêzere: Cabril, Bouçã e Castelo do Bode.

De uma raridade preciosa é a gastronomia deste Concelho. As iguarias mais conhecidas são o maranho, o bucho recheado e a sopa de peixe, mas os enchidos, o peixe do rio, a broa de milho, os cartuxos de amêndoa, os coscoreis, as merendas doces, os queijinhos de cabra, o queijo fresco e a aguardente de medronho são igualmente de relevar.

O Município da Sertã com 446,6 km2, é composto pelas freguesias do Cabeçudo, Carvalhal, Castelo, Pedrógão Pequeno, Sertã, Troviscal e Várzea dos Cavaleiros e pela União de freguesias de Cernache do Bonjardim Nesperal e Palhais, União de freguesias de Cumeada e Marmeleiro e União de freguesias de Ermida e Figueiredo.

Com agrupamentos populacionais de pequenas dimensões dispersos por toda a sua área, envoltos por uma extensa área florestal, tem como principais localidades as Vilas da Sertã, sede de Concelho, Cernache do Bonjardim e Pedrógão Pequeno. A fisiografia serrana do Concelho estabelece uma sucessão de cabeços arredondados de xisto cobertos de pinheiro bravo, eucaliptos e zonas agrícolas.

Dos rendimentos do pinhal depende largamente a economia local, sendo também importantes a indústria e o turismo, complementada pela pequena agricultura familiar e pelo incremento do comércio e dos serviços.

A Sertã tem outros verdes, outros ritmos e cores, outros cheiros, outras paisagens.
Assim, há lugar para a mimosa, giestas, rosmaninhos, estevas, para a presença abundante de água e vales profundos que estimularam o engenho das sociedades camponesas da área do pinhal a criarem pequenas hortas.

Os naturais e os residentes da Sertã guardam como memórias as recordações dos trabalhos de campo, dos pastores de rebanhos, dos resineiros, dos lenhadores e dos carvoeiros.

Memórias que são experiências de vida a que acrescem conhecimentos novos, afirmação de valores, adoção de outros usos e costumes, acesso a mais recursos e também criação de novas paisagens, materializadas nas novas construções a que correspondem novas práticas do espaço e novas identidades rurais.

A melhoria dos acessos, nomeadamente a construção de auto-estradas e vias rápidas que nos circundam, aproximou o Concelho da Sertã e as suas aldeias das regiões de Lisboa, Ribatejo, Beira Litoral e Beira Interior.

Por tudo isto, o Concelho da Sertã continua a ser um local mágico, de paixão, repleto de histórias, de lendas e de sonhos. Uma sala de estar que partilhamos com os nossos e com todos os que nos visitam.

Queremos continuar a preservar esta magia, no Centro do País, mais perto de si.

Presidente da Câmara Municipal da Sertã

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