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Sábado, Setembro 25, 2021

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“Votos e Morangos”, por Armando Fernandes

Bem podem os protestantes (do antigo protesto) tentarem apoucar o nosso modo de votar, bem podem os da ética protestante e o capitalismo, (confira-se) Max Weber, sibilarem contra as nossas aptidões democráticas (têm os armários cheios de esqueletos), bem podem os teutões augurarem toda a sorte de desgraças a caírem em cima das nossas cabeças, apesar de tudo, vamos indo, vamos rindo, vamos festejando a efeméride de ascensão à liberdade.

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Este ano entendi celebrar a data associando morangos a um bom espumante português (temos inúmeros, eles não), porque associo este fruto que não é fruto a prazeres de vária ordem acompanhados esfuziantemente por vinhos buliçosos, intranquilos.

Obviamente, não trago à colação o denso e celebrado filme Morangos Silvestres do grande realizador Ingmar Bergman, um formidável cineasta amigo e amante de actrizes bonitas, carnudas, desejáveis (espero bem não ser alvo de censuras, mas confesso a minha debilidade ante mulheres bonitas gordas ou magras, altas ou baixas). Ainda não é pecado! Ou é?

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Sopa fria de morangos é sugestiva e estimulante nos fins de tarde soalheiros, sim, as saladas a sós ou na companhia de outras frutas, concedem cromatismos e fazem bom casamento com peixes brancos, carnes frias de aves ou vermelhas (rosbife), ainda a coadjuvarem frutos secos de todos os géneros. Não esquecer os tais vinhos de bolhas, quanto mais finas, quanto melhor.

O leitor já percebeu quão apreciados os morangos são no estrídulo nicho da cozinha erótica ou de cariz sexual, se ainda não o entendeu é melhor não prosseguir a leitura da crónica.

Na verdade, não, não estou a enunciar as suas virtudes vitamínicas, a carga calórica e demais categorias, nada disso, lembro-os enquanto mamilos pequeninos ou túrgidos impregnados de minúsculos sinais pretos (sementes) têm dado azo a preparados culinários entendidos como estimulantes masculinos a partir de determinada idade. Os homens são muito crédulos!

Há largo tempo sugeri a um autarca realizar um Festival de Cozinha Erótica, eu encarregava-me de conceber o receituário recorrendo a clássicos, modernos e contemporâneos, da alta cozinha e da cozinha burguesa, ainda da excêntrica, a princípio manifestou entusiasmo, depois manifestou receio, o que compreendi, os puritanos e pseudos-moralistas (os tais das públicas virtudes e vícios privados) podiam levar a mal, ele perdia sacos de votos.

Gorada a iniciativa deixei-me de desejos a serem objecto de crítica maliciosa, não prescindo de retirar prazer do casamento entre os morangos e os ditos vinhos sejam brancos, rosês ou tintos, lembrando o papel dos ditos cujos na pastelaria e confecção de gelados. As receitas nestes dois campos enxameiam tratados culinários e gastronómicos de variados géneros e matizes.

Se o leitor tiver oportunidade veja o filme atrás referido, logo verificará o bom gosto do notável realizador, a seguir não se esqueça de fazer um brinde à democracia e a si, porque também merece. Deixemos os burocratas de Bruxelas (e terras afins muito interessadas nos dinheiros dos capitalistas do Sul) soltarem imprecações contra os «desvairados» portugueses. Já o perfumado Estrabão bramia contra nós!

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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