Quarta-feira, Março 3, 2021
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VN Barquinha | Victor de Jesus, palavras soltas com arte e poeira do deserto

O Centro de Estudos de Arte Contemporânea (CEAC) recebeu Victor de Jesus esta quinta-feira, dia 6, num final de tarde em que as “palavras soltas” tiveram os tons da arte e a poeira do deserto. O diretor do departamento de Artes Plásticas do Instituto Politécnico de Tomar (IPT) e navegador de ralis falou sobre a vida profissional e o hobbie que leva “muito a sério”. Tudo sem esquecer a ligação a Tomar, que não é a terra natal, mas que chama de sua cidade.

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A filha mais velha estava na plateia a ouvir atentamente o pai enquanto este contava os tempos passados em Angola, onde nasceu. Não lhe seguirá as pisadas no deserto, ou antes, os trilhos deixados pelos pneus dos carros que o atravessam durante o Paris Dakar, em que participou nos anos de 2002, 2007, 2014 e 2015. A estreia como navegador foi a convite de Carlos Sousa e desde então a equipa portuguesa tem contado com o seu apoio.

Uma experiência caraterizada com uma citação daquele piloto de ralis em que “numa prova como esta passado do Paraíso ao Inferno em segundos”. Os acidentes sucedem-se e chegou a contabilizar as vezes em que o carro andou “às camabalhotas”. Deixou de o fazer quando ultrapassou as duas dezenas e os imprevistos na carreira que foi estimulada pelo gosto do pai pelos automóveis não deixam de ser encarados numa perspetiva positiva.

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A noite dormida ao relento no meio do deserto revelou-se, não como um hotel de cinco estrelas, mas de “mil estrelas”. O cenário fica composto quando diz que “as estrelas estão connosco, parece que as conseguimos agarrar”. Uma forma criativa de interpretar a situação, influenciada pela carreira profissional ligada às artes, cuja formação iniciou com o curso de Design de Comunicação e Artes Gráficas na Universidade de Belas Artes do Porto.

O gosto pela área não estava presente na altura da escola primária em Angola, nem da Escola Secundária Santa Maria dos Olivais, em Tomar. Optou pelo design gráfico no 12º ano e seguiu para Coimbra para fazer as disciplinas de História de Arte e Desenho. Enquanto docente, ainda passou pela Benedita, antes de conseguir a vaga de assistente técnico no IPT quando este ainda era um polo do Instituto Politécnico de Santarém.

Não foram as artes, mas os carros que o juntaram à esposa. Os carros e a cidade de Tomar, que ambos partilham como terra da família. O encontro foi em Lisboa, mas o tema de conversa foi este concelho do Médio Tejo. Alguns anos e dois filhos depois, o tema deve continuar a ser o mesmo, misturado com os que vão surgindo no dia-a-dia de docente e durante os períodos em que Victor de Jesus se encontra nas partes do mundo onde “não há uma duna que tenha um tom igual”.

Na conversa com Carlos Vicente, com quem Victor de Jesus se cruza regularmente nos ateliers realizados no âmbito da parceria entre o IPT e o CEAC, ficou provado que quer nas artes, quer nos ralis, o processo de descoberta nas duas das paixões da sua vida é o mesmo pois “sempre que começamos, partimos para o desconhecido”.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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