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Domingo, Setembro 26, 2021

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VN Barquinha | Valter Vinagre e a voz interior do concelho (C/VIDEO)

Torna-se ingrato resumir o que quer que seja a uma palavra, mas se tivéssemos que fazê-lo sobre a a exposição patente até 31 de maio na Galeria do Parque de Escultura Contemporânea Almourol (PECA) arriscávamos “interior”. Considerando que a mostra com os trabalhos do fotógrafo Valter Vinagre se intitula “Voz na Cabeça” temos a primeira justificação. As paisagens e os rostos retratados geram a segunda. Porquê? Porque o concelho de Vila Nova da Barquinha está agora no interior da galeria.

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As primeiras Residências Artísticas de Vila Nova da Barquinha realizaram-se em 2015 e Valter Vinagre aceitou o convite de João Pinharanda, aquele que viria ser o curador da exposição e do livro intitulados “A Voz na Cabeça”, que partilham o ensaio fotográfico com caras e paisagens barquinhenses patente Galeria do Parque de Escultura Contemporânea Almourol (PECA) até 31 de maio.

Foi entre alguns deste pormenores da terra e das gentes que falámos com o fotógrafo premiado no ano passado pela Sociedade Portuguesa de Autores e cujo percurso se iniciou em meados dos anos 80 com a formação no AR.CO – Centro de Arte e Comunicação Visual. Seria nos finais dessa década, em 1989, que se cruzou com o barqueiro do Castelo de Almourol durante uma viagem de bicicleta pelo país e lhe perguntou como aguentava a solidão.

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O fotógrafo Augusto Brázio esteve na montagem da exposição. Foto: mediotejo.net

A resposta do avô de Carlos Vicente, coordenador do atual CEAC – Centro de Estudos de Arte Contemporânea, viria a inspirar as fotografias captadas quase trinta anos depois que retratam a História e as histórias locais. O barqueiro navegava o Tejo acompanhado por uma “voz na cabeça”, que nunca o deixava sozinho e, segundo Valter Vinagre, a exposição que acompanhámos desde a montagem até à inauguração revela o “interior das coisas”.

A série “A Voz na Cabeça” não mostra o concelho que o turista conhece na sua visita ou o residente vê todos os dias. As imagens expõem o desconhecido em cenários muitas vezes marcados por “uma certa encenação”, como o retrato de Julieta Rodrigues em que se destaca o vestido que dá brilho à voz nas suas noites de fado. E o sofá, de onde desapareceram as bonecas.

Luís Roldão e Valter Vinagre na inauguração. Foto: mediotejo.net

Imagens que são, igualmente, construtoras “de memória” a partir da própria memória. Parte dela descoberta junto de Luís Roldão na “conversa longa” sobre a forma como este olhava para “o próprio passado e como via o presente”. Não foi a memória, em que não faltam as cheias, que “impôs” a opção pelo preto e branco e Valter Vinagre responde à pergunta com outra pergunta “porque não a cor?”.

Outra parte da memória ligada a Vila Nova da Barquinha é a sua, que foi ganhando forma nas visitas ao longo dos anos e continuará a construir-se com regressos para revisitar os amigos e os sítios que ficam. Não, obrigatoriamente, com o intuito de usar a máquina fotográfica de forma pensada, diz, mas se ela vier devido a um novo desafio assegura que fará “sempre outra coisa”.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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