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Quarta-feira, Outubro 20, 2021

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VN Barquinha | Tancos e Arripiado: duas aldeias separadas pelo rio mas unidas pela fé (c/fotos e video)

Uma vez por ano, as comunidades de Tancos e Arripiado, aldeias dos concelhos de Vila Nova da Barquinha e Chamusca, respetivamente, separadas pelo rio Tejo, juntam-se num ato de fé que se mantém apesar de já não ter a dimensão de outras épocas.

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A tradição cumpre-se no feriado de 15 de agosto e este ano foi “Arripiado que veio a Tancos”, ou seja, foi a imagem e a procissão de S. Marcos que atravessou o rio Tejo de barco da margem da Chamusca até Tancos. No próximo ano será a imagem e a procissão de Nª Srª da Piedade a atravessar o rio.

É assim desde meados do séc. XIX, conforme nos explica o Padre Paulo Marques, pároco no concelho de VN Barquinha. Até então a aldeia do Arripiado pertencia à Paróquia de Tancos, mas com a criação, por D. Maria II, do concelho de VN Barquinha em 1836 são extintos os concelhos de Tancos, de Paio de Pele (Praia do Ribatejo) e de Atalaia.

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A procissão fluvial assegura a ligação entre as duas comunidades, tradição que o padre também relaciona com a “visitação de Maria a sua prima Santa Isabel”, mensagem do Evangelho do dia 15 de agosto.

Procissão em honra de Nossa Senhora da Piedade em Tancos

Publicado por mediotejo.net em Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018

Num espírito de “visitação” e “acolhimento”, Tancos e Arripiado “estão unidos pelo rio que é vida, que é sentimento de partilha, de tranquilidade”, sublinhou o Padre Paulo Marques durante a Eucaristia.

O objetivo é corroborado pelo Padre José Luís Borga, Pároco de Chamusca, Carregueira e Pinheiro Grande: “a ideia é que as comunidades se encontrem e partilhem pelo menos a fé que os anima. Pela fé estamos todos no mesmo barco”.

“É uma expressão de fé simples, em que o rio aqui não é um obstáculo. Aqui, o rio une, congrega e faz com que a gente ultrapasse as nossas barreiras”, realça o Padre Borga, em pleno rio Tejo, durante a travessia de barco da imagem de S. Marcos.

No entanto, o pároco reconhece que a festa tem atualmente uma fórmula redutora e “precisa de ser pensada uns com os outros, mas sobretudo uns para os outros”. Falando já no final da missa, o padre Borga lançou o desafio a todos, “de um lado e de outro”, para que se repense a festa e não se limite a uma missa por ano.

Este ano, na procissão em Tancos, saíram da capela de Nª Srª da Piedade, além da imagem desta santa, a imagem de Nª Srª de Fátima, no cumprimento de uma promessa. Dezenas de pessoas rezam durante o percurso entre a capela junto à EN, pelas ruas da aldeia até à margem do rio onde aguardam a chegada da procissão da outra margem. De lá vem a banda da Sociedade Filarmónica de Instrução e Recreio Carregueirense Vitória, da Carregueira, cujos músicos enchem o barco maior.

Noutra embarcação seguem a imagem de S. Marcos, os padres e elementos integrantes da procissão. Há ainda um terceiro barco que transporta outros participantes interessados em integrar ou acompanhar a procissão. Neste dia festivo, todos os operadores de barcos da zona oferecem travessias gratuitas.

Procissão em honra de Nossa Senhora da Piedade em Tancos. Momento em que a imagem de S. Marcos (vinda do Arripiado, Chamusca) se encontra com a de N. Sra. Piedade, depois de atravessar o rio Tejo de barco

Publicado por mediotejo.net em Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018

Já em Tancos dá-se o emotivo e simbólico encontro anual. As procissões ficam frente a frente e há cumprimentos efusivos entre o clero e populares de um lado e do outro. As duas procissões fundem-se e passa a ser apenas uma procissão até ao Anfiteatro dos Rios onde é celebrada a missa.

“Todos os anos no dia 15 de agosto ou é a Nª Srª da Piedade que vai ao Arripiado ou é o S. Marcos que vem a Tancos”, explica de forma simples, o presidente da Junta de Freguesia de Tancos. José Miguel Homem cita um dizer do povo, segundo o qual “de ano a ano é que eles (Nª Srª da Piedade e S. Marcos) se namoram um bocadinho”.

No próximo ano, será a vez de Nª Srª da Piedade visitar S. Marcos no Arripiado e a banda será a Banda de Música dos Bombeiros de Vila Nova da Barquinha. Assim manda a tradição.

De todas as conversas fica a ideia de que a festa já conheceu melhores dias. Há décadas, quando a presença militar era mais significativa, as tropas da Escola Prática de Engenharia montavam uma ponte para fazer a ligação entre as duas margens. A “Festa do Rio e das Aldeias” era uma só, para as duas aldeias, Tancos e Arripiado. Hoje em dia cada uma faz o seu programa e tem a sua organização, tendo como único ponto comum a procissão fluvial no feriado de 15 de agosto.

Outra tradição que se perdeu por força da legislação e das circunstâncias, foi a “guerrilha com foguetes entre as duas margens”, como nos conta o presidente da Junta de Tancos. “Antigamente, depois do regresso das imagens sagradas às suas igrejas, chegavam a estar mais de meia hora a lançar foguetes de uma margem para a outra, numa espécie de competição. Gastavam-se uns bons quilos de fogo”, recorda o autarca.

Os tempos são outros, mas a tradição da “visitação entre Nª Srª da Piedade e S. Marcos” mantém-se e não está em risco de se perder, garantem os nossos interlocutores.

Se o momento da chegada de S. Marcos ao cais de Tancos foi marcado pela alegria e pela emoção do reencontro, mais comovente foi o momento da despedida, um adeus de braços no ar e alguns lenços brancos. “Adeus, até para o ano”, despedem-se.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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