VN Barquinha | Soldados da I Guerra Mundial homenageados (c/ fotogaleria)

O 99º aniversário do Dia do Armistício foi assinalado esta terça-feira, dia 14, junto ao Monumento aos Mortos da Grande Guerra com uma cerimónia organizada pelo núcleo do Entroncamento / Vila Nova da Barquinha da Liga dos Combatentes. A efeméride juntou autarcas, civis e militares de ambos os concelhos que homenagearam os soldados envolvidos no episódio bélico caracterizado por Fausto Diabinho, presidente daquele núcleo, como uma guerra “devastadora” e “inglória”.

PUB

PUB

O final da Primeira Guerra Mundial é comemorado a 11 de novembro, data que simboliza a assinatura do acordo de paz entre os Aliados e os Alemães em Compiègne (França). O conflito vitimou milhares de soldados entre 1914 e 1918 e estes foram recordados 99 anos depois junto do Monumento aos Mortos da Grande Guerra, onde jazem os restos mortais de António Gonçalves Curado, o primeiro soldado português morto pelas tropas inimigas na Flandres.

O momento simbólico teve início com o discurso de Fausto Diabinho, presidente do núcleo do Entroncamento / Vila Nova da Barquinha da Liga dos Combatentes no qual se referiu à efeméride como “o fim da guerra e das suas terríveis consequências sentidas ao nível de todos os países envolvidos”. A intervenção foi testemunhada por autarcas, civis e militares do Entroncamento e Vila Nova da Barquinha a quem Fausto Diabinho deu a conhecer alguns números associados ao episódio bélico.

PUB

Fausto Diabinho junto do Monumento aos Mortos da Grande Guerra. Foto: mediotejo.net

Dos “mais 150 mil portugueses destacados para os teatros de operações em França e África”, referiu, 7.707 terão sido mortos em combate, 6.000 feridos, 7.000 feitos prisioneiros, 234 continuam desaparecidos e 9.000 declarados “incapazes para o serviço”. O presidente daquele núcleo criticou que “nada fosse feito para o repatriamento dos militares” do CEP – Corpo Expedicionário Português e destacou que “também nesta data se evoca a paz entre as nações”, realçando a atual presença dos soldados portugueses em teatros de operações por todo o mundo.

O discurso foi seguido pela colocação de coroas de flores de diversas entidades públicas e militares de ambos os concelhos, nomeadamente a Liga dos Combatentes, Juntas de Freguesia, Câmaras e Assembleias Municipais, Brigada de Reação Rápida, Regimento de Engenharia n.º 1, Regimento de Paraquedistas, Regimento de Manutenção, Bombeiros de Vila Nova da Barquinha e Agrupamento de Escolas e Jardins de Infância de Vila Nova da Barquinha.

A cerimónia contou com apresença de autarcas, civis e militares dos concelhos de Entroncamento e Vila Nova da Barquinha. Foto: mediotejo.net

No final da cerimónia, Fausto Diabinho partilhou com o mediotejo.net que o momento terminado momentos antes era de “profunda tristeza”, não só pelas consequências socioeconómicas que a Primeira Guerra Mundial teve nos países envolvidos, mas “principalmente pelos milhões de combatentes que morreram numa guerra inglória” e “devastadora” em que “para se conquistar um metro morriam milhares de combatentes de ambos os lados”.

Questionado sobre a atualidade do “conceito inovador à época” trazido pelo Tratado de Versalhes, assinado a 28 de junho de 1919, no qual se defendia que a razão prevalecia sobre a força, Fausto Diabinho considera que a mensagem não conseguiu ser passada às gerações mais novas. Para o ex-combatente “é triste que a juventude de agora esteja alheada destes acontecimentos”, destacando que a memória dos que lutaram pela Pátria deve ser perpetuada.

Segundo Fausto Diabinho, faz parte a missão da Liga dos Combatentes assinalar “todas as datas importantes”, exemplificando com “os Finados, o 9 de abril [Batalha de La Lys, França, em 1918] e depois tivemos as guerras do Ultramar”. Nas suas palavras “todas as guerras são tristes, todas as guerras não se devem comemorar, mas sim evocar os seus mortos”.

 

PUB
PUB
Sónia Leitão
Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).