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Terça-feira, Outubro 26, 2021

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VN Barquinha | Santa Casa da Misericórdia assinala 100 anos a dar a mão a quem mais precisa

Uma mão estendida pronta a ajudar quem mais precisa. É deste modo que a Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova da Barquinha se apresenta à sociedade há precisamente um século. Voz ativa nos momentos mais difíceis, num trabalho diário com as emoções, por esta casa passam idosos, jovens, crianças e até recém-nascidos. No ano em que assinala o seu 100.º aniversário, o maior presente é o bem-estar dos utentes e é para eles que o futuro se continua a construir, com novos projetos e respostas sociais a um palmo de se tornarem realidade.

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“Porque outros precisam de nós”. É este o lema que sobressai ao entrarmos hoje pelos portões da sede da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova da Barquinha, mas foi já há muito tempo que a sua missão de solidariedade ganhou voz junto da comunidade. Mais precisamente desde 22 de agosto 1921, quando a irmandade foi fundada, resultado da conversão da Associação Hospitalar da Barquinha, que criou na altura um hospital civil na sede do concelho (ativo até meados de 1977). Foi esta a base de um trabalho que se perpetua até aos dias de hoje, 100 anos depois.

“O papel da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova da Barquinha é de uma responsabilidade de estarmos presentes nos momentos mais difíceis da sociedade, para que possamos ajudar aqueles que mais necessitam – é a nossa missão – e, acima de tudo, sermos uma voz ativa na sociedade. É esse sentido de necessidade, de responsabilidade, que nos faz estar aqui ao fim de 100 anos”, admite ao mediotejo.net Hélder Brito da Silva, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova da Barquinha (SCMVNB).

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Hélder Brito da Silva, 66 anos, é provedor da Misericórdia da Barquinha desde 2007, mas há já quatro décadas que está envolvido na missão da Santa Casa. Imagem: mediotejo.net

Membro da mesa da assembleia geral desde 1981, secretário da mesa administrativa de 2004 a 2006, e provedor desde 2007, conhece bem os cantos à casa que gere e assume com orgulho a responsabilidade que lhe foi confiada. “É um cargo de muita responsabilidade que exige muito de nós mas é gratificante porque estamos num cargo para ajudar aqueles que mais necessitam”, diz.

ÁUDIO | Provedor da SCMVBN fala sobre o seu percurso na instituição

Admitindo que hoje a força da Santa Casa é a mesma das mulheres e homens que há um século assinaram primeiramente o compromisso, Hélder Brito da Silva considera que durante todos estes anos têm sido mantidos os níveis de responsabilidade e de assistência de uma forma “elevada, generalizada e com cuidados de proximidade”.

E desengane-se quem pensa que o papel da Misericórdia se resume aos utentes que estão nas suas instalações. “É também o papel que tem na comunidade. Estes 100 anos marcam de uma forma indelével o papel que Misericórdia tem no concelho, com a criação de emprego, com a criação de estabilidade nas famílias, com o apoio às famílias mais carenciadas, com a criação de serviços no concelho”, explana.

“É todo este papel de integração na sociedade – a par com outras instituições do concelho – que nos faz olhar para estes 100 anos com a satisfação do dever cumprido e do trabalho realizado”, admite também.

DOS 0 AOS 100, A MÃO ESTENDE-SE PARA TODAS AS IDADES

Atualmente, são cinco as respostas sociais providenciadas pela Misericórdia (muito em breve serão mais, mas já lá vamos), todas elas “importantíssimas”, diz Hélder Brito da Silva. “Empenhamo-nos da mesma forma sejam elas dedicadas aos idosos sejam elas dedicadas às crianças, porque a responsabilidade que temos perante a sociedade e os nossos utentes tem de ser igual. Tem de ser um tratamento de carinho, profissional. (…) Estamos a falar de crianças muitas vezes com dias de idade e estamos a falar de pessoas com cento e poucos anos”, elucida.

ÁUDIO| Provedor da SCMVNB sublinha a importância das diferentes respostas sociais

Num total de 134 utentes distribuídos pelas respostas sociais, o objetivo e “os proveitos” da Santa Casa são um só: “o bem-estar dos nossos utentes”, confessa o provedor. 36 estão atualmente na valência de Lar, a resposta social mais antiga em funcionamento, construído em 1931 e designado na altura como “Asilo da Misericórdia”, passou efetivamente a Lar de Idosos em 1977 com as primeiras obras de remodelação (posteriormente, foi ampliado e inaugurado em 2001).

O lar veio “colmatar uma falta que tínhamos de apoio social às pessoas carenciadas”, lembra Hélder Brito da Silva. Hoje, anuncia um projeto de ampliação que permitirá aumentar a capacidade dos atuais 36 para 51 utentes. O investimento, que aguarda por financiamento, vai utilizar parte do edifício do antigo hospital civil, ao lado do atual edifício do lar.

A este respeito, importa referir que a primeira resposta social da Misericórdia foi efetivamente o hospital civil. Construído pela então Associação Hospitalar da Barquinha (convertida posteriormente na SCMVNB), o hospital foi inaugurado em 27 de março de 1921 e funcionou até 1977. Teve bloco operatório, enfermarias, sala de fisioterapia e até maternidade. Antes de ficar devoluto, foi ainda aí que funcionou primeiramente o Centro de Saúde de Vila Nova da Barquinha, criado em 1973.

ÁUDIO | Provedor da SCMVNB fala sobre o antigo hospital civil

Em 2007, o edifício do antigo hospital ganhou nova vida com o seu reaproveitamento para instalação da primeira resposta de apoio à infância: a Creche “Berço do Tejo”, com capacidade para 35 crianças.

Apenas um ano depois, em 2008, surge aquela que é considerada por Hélder Brito da Silva como “a resposta social da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova da Barquinha que requer mais cuidados”, o CAT – Centro de Acolhimento Pr’Amar, destinado ao acolhimento de crianças e jovens em perigo (17, atualmente). Aqui, objetivo é o de criar as condições básicas para o desenvolvimento integral, a nível de saúde, formação, educação, segurança e bem-estar.

CAT – Centro de Acolhimento Temporário Pr’Amar, na freguesia de Praia do Ribatejo. Imagem: SCMVNB

“Não sendo nós a família deles, temos de os acolher como sendo uma família, para que eles se sintam bem, para que vão à escola, para que tenham a formação necessária porque vão ser os homens e mulheres de amanhã. É responsabilidade da Misericórdia dar-lhes as mesmas oportunidades como se tivessem na própria família”, assume o provedor da SCMVNB, que lembra: “Nós trabalhamos com sentimentos”.

Ao CAT, situado na freguesia de Praia do Ribatejo, chegam crianças e jovens de todo o distrito de Santarém, desde jovens mais crescidos até crianças com dias de vida.

ÁUDIO | Provedor da SCMVNB refere importância do CAT no desenvolvimento das crianças e jovens

Às referidas valências juntam-se ainda o Centro de Dia (com 10 utentes) e o Serviço de Apoio Domiciliário (36), mas em breve haverá mais uma para se juntar às contas: uma resposta ao nível da deficiência.

“O edifício está construído, está tudo preparado, já temos toda a documentação a ser tratada na segurança social. Para outubro, novembro, abriremos a resposta social de deficiência”, avança ao mediotejo.net o responsável da SCMVNB.

Com capacidade para acolher 17 pessoas – 12 em regime de internamento e cinco em regime de autonomia – esta valência vai funcionar na Moita do Norte, freguesia de Vila Nova da Barquinha, e vai ser gerida pela Santa Casa, por solicitação da Associação de Paralisia Cerebral de Vila Nova da Barquinha, que construiu o edifício no âmbito de uma candidatura aprovada ao programa PARES (Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais).

ÁUDIO | Provedor da SCMVNB anuncia resposta social na área da deficiência

Mas para que todas estas respostas funcionem são precisas pessoas. São aos dias de hoje 67 os funcionários da SCMVNB. “São a alma desta casa”, assume Hélder Brito da Silva. E foi em tempo de pandemia que aqueles que compõem a Santa Casa mostraram a sua capacidade de trabalho e reinvenção.

Exemplo disso foi o projeto “Amor Sobre Rodas”, através do qual foi possível aos idosos atenuar as saudades e aconchegar os corações com visitas à distância – por meio de uma carrinha – aos seus familiares. Uma ideia do quadro técnico da Misericórdia que já está prestes a colocar em prática uma outra: visitas a esplanadas para usufruir de uma refeição.

“É dar oportunidade de saírem: ir almoçar a uma esplanada, conviver (dentro das limitações), usufruir dos seus momentos de lazer. É levá-los, deixá-los a usufruir, e depois voltarem”, explica o provedor da SCMVNB.

100 ANOS SEM FESTA MAS COM GRANDE PRESENTE: 0 CASOS DE COVID-19

Sem uma grande festa junto da comunidade para assinalar o marco centenário, a Misericórdia está a preparar o lançamento de um livro alusivo ao século de vida mas o destaque deste aniversário vai para “uma grande vitória”: “o facto de conseguirmos passar até à presente data sem nenhum caso Covid-19. Essa é que foi a nossa vitória dos 100 anos”, diz o provedor, com a emoção na voz e com a esperança de poder voltar a concretizar a tão esperada festa social.

A Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova da Barquinha assinala este ano o seu centenário. É de portas abertas que a instituição se apresenta à sociedade, num projeto cujos proveitos é o bem-estar dos utentes. Imagem: mediotejo.net

Com um caminho que se avizinha repleto de novos projetos e com a motivação de continuar a ser a voz de quem mais precisa, o desejo para o futuro fica escrito: “que a pessoa que estiver como provedor desta casa daqui a 100 anos tenha este mesmo sentido de responsabilidade, de dever, de integração na coletividade para o bem-estar das pessoas”.

NOTÍCIA RELACIONADA: “1921 – 2021. O centenário da Misericórdia da Barquinha”, por Fernando Freire

Abrantina mas orgulhosa da sua costela maçaense, rumou a Lisboa com o objetivo de se formar em Jornalismo. Foi aí que descobriu a rádio e a magia de contar histórias ao ouvido. Acredita que com mais compreensão, abraços e chocolate o mundo seria um lugar mais feliz.

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