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Segunda-feira, Outubro 25, 2021

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VN Barquinha | Quando Salazar ofereceu uma festa ao corpo diplomático no castelo de Almourol

Há 80 anos, numa lógica puramente propagandística, António Salazar ofereceu uma festa com banquete no castelo de Almourol, tendo como convidados o corpo diplomático e outras individualidades.

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Antónia Coelho, professora de história no Agrupamento de Escolas de Vila Nova da Barquinha, não tem dúvida de que a iniciativa de Salazar se enquadra “na política propagandística e de encenação do Estado Novo, própria dos regimes ditatoriais que se afirmam em glórias do passado, imbuídos de profundo  nacionalismo”.

“A localização da fortaleza numa ilhota do rio Tejo, de grande beleza paisagística, e a sua envolvência mística ligada aos Templários, tornou-a essencial para mais esta encenação”, acrescenta a investigadora.

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Aliás, a partir de 1937 muitos dos castelos existentes em Portugal, alguns arruinados, foram alvo de intervenção, para dar corpo àquela visão.

Explica Antónia Coelho que Salazar “considerava que o património construído representava um valioso capital simbólico da grandeza da Nação, e assim, qual milagre foram surgindo obras de intervenção que dotaram muitas fortificações militares ligadas ao período de consolidação de Portugal de ameias e torres muito alinhadas e certinhas, mesmo que as mesmas não constassem do seu traçado original”. Foi o caso do Castelo de Almourol, entre outros.

Participaram cerca de 70 pessoas. Foto: CPF

Para o banquete, que se realizou a 27 de junho de 1938, o Castelo de Almourol, além das obras de restauro, foi alvo de adaptação de forma a receber embaixadores, cônsules e familiares. Num despacho de 4 junho de 1938, o Ministro das Obras Públicas, Duarte Pacheco, solicita “as medidas indispensáveis e urgentes para a realização do jantar oferecido pelo Presidente do Conselho ao Corpo Diplomático”.

Os cerca de 70 participantes vieram num comboio especial de Lisboa até à estação de Almourol. A ligar a margem à ilhota, foi construída propositadamente uma ponte em madeira também ornamentada. Os corneteiros com trajes antigos a receber os convidados na margem davam um ar imperial à recepção.

À porta do castelo estava o anfitrião, Oliveira Salazar, acompanhado de alguns ministros, cumprimentando, um a um, os convidados. O cenário remetia para a Idade Média, onde não faltavam figurantes no papel de guerreiros Templários.

Pelas imagens disponíveis no Centro Português de Fotografia, percebe-se que os convidados deram um passeio no rio Tejo em barcos engalanados com murta, flores e outros ornamentos.

Ponto alto do encontro foi o jantar no terreiro do castelo, durante o qual os convivas foram surpreendidos com um vitelo assado transportado por criados numa padiola. A refeição foi animada com apontamentos de teatro e música onde pontuou a cantora e professora de canto Elsa Penchi Levy no papel de rainha D. Leonor.

Ana Rita Inácio, arquiteta, secretária da Junta de Freguesia da Praia do Ribatejo e uma investigadora sobre a história local, realça o facto de o castelo de Almourol ter sofrido obras de adaptação para receber o corpo diplomático. Por exemplo, entre o primeiro pano da muralha e a porta da segunda foi construída uma estrutura em madeira onde decorreu o banquete, conforme se pode ver nas imagens.

A revista ‘Ilustração’ de 13 de julho de 1938, publica algumas fotos da festa e aspetos históricos e lendários do castelo. “O altivo castelo de Almourol, onde o sr. Dr. Oliveira Salazar, como ministro dos Negócios Estrangeiros, deu recepção aos representantes das nações amigas, tem, além da sua história gloriosa, as mais formosas lendas”, lê-se na publicação.

Eram tempos em que Salazar tentava afirmar Portugal na Europa e no Mundo, a par de Hitler na Alemanha, Mussolini em Itália e Franco em Espanha.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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