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Quinta-feira, Maio 13, 2021

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VN Barquinha | Quando a saudade, o amor e a emoção andam sobre rodas na atenção aos idosos

Chama-se “Amor sobre Rodas” e pretende atenuar a saudade, aconchegar os corações e espalhar sorrisos através de pequenas viagens de carrinha. Da autoria da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova da Barquinha, o projeto nasceu na necessidade de dar um pouco mais de ânimo e estabilidade emocional aos idosos que se viram privados de contactar com a família durante a pandemia.

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“Emocionalmente, mexeu muito com eles. Nós notámos um grande diferença nos utentes quando começaram a ir ver os seus familiares, (…) ficavam até mais tranquilos (…) eles vinham felizes!”, exclama Inês Coutinho, diretora técnica da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova da Barquinha (SCMVNB).

Tudo começou a 13 de outubro de 2020, com a primeira saída surpresa. “As primeiras visitas foi um impacto enorme, porque eles achavam que iam só passear, dar uma voltinha ao jardim. E quando viam a família, era assim uma surpresa…”, conta-nos. O projeto ‘Amor sobre Rodas’ nasceu devido ao sentimento de que as videochamadas e telefonemas entre idosos e familiares “não era suficiente” para aliviar o aperto no coração sentido pelo cancelamento da visitas presenciais, impostas pelo contexto pandémico da Covid-19.

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“Antes de tudo isto, nós tínhamos aqui um grande fluxo de visitas, as famílias são muito participativas – tínhamos famílias que visitavam os utentes todos os dias – e o corte aqui foi muito radical. Quando chegou, a pandemia teve um impacto muito grande sobre eles”, admite a responsável.

E nem a preocupação constante dos funcionários, que Inês Coutinho defende serem “excecionais e sempre presentes”, colmatou o vazio sentido pelos idosos. “Os funcionários deram tudo de si, estavam sempre presentes para as necessidades deles mas faltava cá qualquer coisa. Nós estamos sempre cá mas não conseguimos nunca substituir a família”, constata.

Assim, se a família não podia ir até aos idosos, foram os idosos até às suas famílias. “Nós quando suspendemos as visitas, em setembro [de 2020], passado um tempo começámos a fazer pequeninas saídas com pequenos grupos, para eles saírem um bocadinho do contexto de instituição e verem um bocadinho o jardim. E surgiu a ideia: porquê ser só saída e porque não fazer também visitas aos familiares? Foi mesmo no sentido de minimizar a lacuna e a saudade que as pessoas sentiam”, explica a diretora técnica da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova da Barquinha.

Sempre acompanhados pela animadora do lar e pela ajudante familiar, de máscara posta e cumprindo o distanciamento entre utentes dentro da carrinha, previamente desinfetada, lá ia o ‘Amor sobre Rodas’ a cumprir a sua missão de aproximar aquilo que a pandemia veio afastar.

“É muito bom, muito bom. A gente ir na carrinha é um pouco que a gente sai. Gosto bastante, é pena é ser pouco tempo”, diz-nos a dona Maria Fernanda Jesus, de 93 anos, uma das utentes do lar. “Nem podemos sair do carro, mas dá para dar dois dedos de conversa e acenar com os braços”, explica-nos, com a alegria na voz. “Até a gente a partir, a vê-los, é sempre bonito”.

Maria Fernanda lembra-se da primeira visita surpresa, admitindo que não estava à espera. Agora, “estamos sempre a contar para voltar a ir”, reconhece, desabafando que as saudades de estar junto aos seus são “muitas,… muitas”.

Maria Fernanda de Jesus, 93, conta ao mediotejo.net que as visitas do Amor Sobre Rodas permitem atenuar as saudades da família. Foto: SCMVNB

Em breves minutos de um reencontro em que as mãos se unem através do vidro da carrinha, em que as lágrimas escorrem máscara dentro e em que as conversas se centram em saber se estão todos bem, Inês Coutinho, diretora técnica da SCMVNB, admite sentir-se a falta do toque, a falta “daquele abraço”. “É necessário para nos sentirmos bem emocionalmente (…) mas o poder ver a família já lhes trouxe muita paz interior”, confessa, referindo que a principal preocupação é “tentar proteger ao máximo as pessoas, e temos conseguido, até à data”.

A rolar pelas ruas do território barquinhense de manhã à noite, graças à adesão das famílias que diariamente agendam a visita do ‘Amor sobre Rodas’, o projeto desenrola-se também junto dos utentes do Centro de Dia, que tiveram de vir para suas casas em consequência da pandemia. Apenas com uma interrupção do projeto entre 20 de janeiro e 12 de março, devido ao agravamento da situação pandémica no nosso país, o projeto tem corrido sobre rodas, com visitas a acontecer diariamente, de manhã à tarde.

Para Maria Fernanda, como para tantos outros utentes, o desejo é o de passar das breves trocas de olhares à distância pelas antigas visitas cara a cara, mais demoradas e intimistas. “Ai, isso é que era bom!”, exclama. Um desejo que está cada vez mais perto de se concretizar, pois a Santa Casa da Misericórdia anunciou recentemente o regresso das visitas presenciais a partir de 27 de abril.

Quanto ao ‘Amor sobre Rodas’, promete continuar a percorrer caminho para levar carinho, arrecadar sorrisos e aquecer corações a quem tanto precisa.

Abrantina mas orgulhosa da sua costela maçaense, rumou a Lisboa com o objetivo de se formar em Jornalismo. Foi aí que descobriu a rádio e a magia de contar histórias ao ouvido. Acredita que com mais compreensão, abraços e chocolate o mundo seria um lugar mais feliz.

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