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VN Barquinha | ‘Os Pescadores de Tancos’: mais do que um grupo de folclore “somos uma família” (c/fotos e video)

Com 37 anos de história e 54 festivais de Folclore organizados (dois por ano), o Grupo Folclórico “Os Pescadores de Tancos” mantém a sua atividade regular no ambiente de uma grande família. Suzana Gaspar, tesoureira da coletividade e ensaiadora do grupo, é a porta-voz numa entrevista concedida minutos antes do início do 54° Festival de Folclore de Tancos, realizado no dia 11, no cais da aldeia, à beira Tejo. Quando lhe perguntamos que ambiente se vive no rancho, a resposta sai rápida e natural: “somos uma família”.

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“Como em todas as famílias temos bons e maus momentos, mas tudo passa. No final, quando estamos em cima do tabuado, toda a gente se esquece dos problemas e todos dão o seu melhor”, salienta Suzana Gaspar.

A maior dificuldade que os atuais dirigentes sentem, é a de recrutar novos elementos, “sobretudo homens”. Havendo mais mulheres do que homens a dançar, elas têm de dançar à vez. Tancos é a freguesia mais pequena do Concelho, por isso não é de admirar que a maior parte dos elementos venham de fora: do Tramagal, Vila Nova da Barquinha, Entroncamento, Casais Revelhos, entre outras localidades da região.

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Os ensaios acontecem uma vez por semana, normalmente aos sábados à noite na sede, instalações próprias que foram construindo consoante as suas possibilidades e graças à doação do terreno por um benemérito.

Quanto a atuações, as que acontecem fora resultam de permutas com outros grupos. Ou seja, por exemplo, os grupos que participaram no festival de Tancos vão receber o grupo anfitrião no festival que organizarem.

Anualmente, o grupo organiza dois festivais de folclore, o primeiro sempre durante a feira do Tejo, na vila e o outro em Tancos. No mínimo são oito saídas por ano a juntar a outras atuações em festas para as quais o grupo é convidado. Por exemplo, na semana anterior participaram na animação da festa das Limeiras. Ao longo dos 37 anos de história, o grupo regista três internacionalizações: duas atuações em França e uma em Espanha.

54° Festival de Folclore de Tancos, organizado pelo Grupo Folclórico "Os Pescadores de Tancos"

Publicado por mediotejo.net em Sábado, 11 de Agosto de 2018

Para se pertencer a um rancho folclórico “é preciso muita carolice”, garante Suzana Gaspar. Além disso, exige um investimento inicial de centenas de euros no traje porque cada elemento do grupo adquire o seu traje. “Um fato domingueiro pode custar entre 400 a 500 euros, um fato de pescadora custa 300 euros”, revela.

O rancho “Os Pescadores de Tancos” é atualmente composto por 48 elementos. Da tocata fazem parte “dois acordeonistas, dois a tocar o reco, uns ferrinhos, o cântaro, o clarinete e a cana rachada”, explica Suzana Gaspar.

A atividade da coletividade não se limita ao folclore. A nossa interlocutora adianta que nos dias 8 e 9 de setembro vão ter a “Festa do Peixe” no cais de Tancos, e no mesmo mês, uma corrida de carrinhos de rolamentos noturna, depois de terem promovido uma diurna a 1 de maio.

Este ano realizaram uma descida do Tejo em canoas, promovem todos os meses um almoço na sede, em dezembro a tradicional Festa de Natal, convívios para sócios e um almoço para atuais e antigos dançarinos e dirigentes que este ano reuniu cerca de 90 pessoas.

Há 37 anos, o grupo começou apenas como rancho infantil, sendo posteriormente criado o rancho adulto. Até ao ano passado funcionou o rancho infantil, mas devido ao crescimento das crianças e à falta de novos elementos, o grupo acabou, transitando “os meninos” para o rancho adulto.

“Uma das referências do Concelho

Para o Presidente da Junta de Freguesia de Tancos, José Miguel Homem, o Grupo Folclórico “Os Pescadores de Tancos” “é uma das referências do concelho”. Ajudou-o a fundar e dele fez parte durante 34 anos. O autarca defende que o grupo “tem de ser mais apoiado a nível municipal visto que é o único grupo de folclore que existe no concelho”.

Refere o risco de fuga de elementos se não houver apoio, colocando-se em causa a própria continuidade do rancho. A juntar à dificuldade de se recrutar elementos, “nem todas as pessoas têm posses para comprar os seus trajes”, outros “não têm hipóteses de participar em atuações fora porque muita gente trabalha ao fim de semana”. Para quem está à frente da coletividade “é difícil mobilizar as pessoas”.

Rancho une três gerações

Cerca de meia hora antes do início do festival de folclore, numa travessa de Tancos perto do recinto da festa, três mulheres trajavam-se para a atuação. Eras três gerações da mesma família: avó, mãe e neta, todos elementos do Grupo Folclórico de Tancos.

Maria Clara Martins, 58 anos, Susana Gaspar, 37 anos, e Matilde Salvado Silva, 12 anos, partilham a mesma família e o mesmo gosto pelo folclore.

Já em palco, a avó canta na tocata, Suzana apresenta o espetáculo e Matilde dança.

Mãe, neta e avó, todas fazem parte do rancho Foto: mediotejo.net

Uma autarca dedicada ao folclore

Cláudia Ferreira, vereadora eleita pela coligação PSD/CDS na Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, além de autarca, é educadora de infância de profissão, atleta de trail e dançarina no rancho folclórico.

Apesar de praticar todas estas atividades, afirma que “não é muito difícil conciliar tudo uma vez que os ensaios do rancho são apenas uma vez por semana, aos sábados”. Além disso “quando há muito gosto por todas estas atividades não é muito difícil conciliar”.

Desde os oito anos que Cláudia Ferreira pertence ao rancho, o que significa cerca de 40 anos dedicados ao folclore. A sua participação não se limita à dança, passou também pelos órgãos sociais: foi vice-presidente durante oito anos e presidente três anos.

“Dá-me muito prazer dançar e pertencer ao rancho, vive-se aqui um bom ambiente”, reforça.

Cláudia Ferreira concilia a política, o desporto e o folclore com a sua atividade profissional e a família. Foto: mediotejo.net

 

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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