VN Barquinha | Ordens templárias numa exposição que aborda a morte sem tabus

Até 16 de maio de 2021 o Centro de Interpretação Templário de Almourol (CITA) tem patente a exposição “A Morte – Exéquias e Ritos de Tumulação dos Cavaleiros do Templo e de Cristo”. Uma mostra que pretende levar os visitantes a refletir sobre um “assunto tabu” – a morte – à qual era dada importância específica nas Ordens do Templo e de Cristo, com a preparação dos indivíduos para “uma boa morte”, através de rituais de exéquias.

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Por entre criptas seculares e resquícios de pedras tumulares é possível desenrolar a maneira como a morte era encarada no tempo das ordens do Templo e de Cristo, descobrir os rituais de exéquias e fazer a análise de como hoje se vê “a única coisa que temos por certo: a morte”.

Inserida no programa da II Conferência Internacional “Ordem do Templo – Cavalaria Espiritual – Templarismo”, a exposição “A Morte – Exéquias e Ritos de Tumulação dos Cavaleiros do Templo e de Cristo” foi inaugurada Na quarta-feira, 18 de novembro, no Centro de Interpretação Templário de Almourol (CITA), precisamente no dia em que este espaço assinalou dois anos de existência.

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Manuel Gandra e Fernando Freire, na cerimónia de inauguração da exposição “A Morte – Exéquias e Ritos de Tumulação dos Cavaleiros do Templo e de Cristo”, no CITA, em Vila Nova da Barquinha. Foto: mediotejo.net

A inauguração da mostra foi antecedida de um momento de apresentação, no auditório do Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha, onde foi dado a conhecer o catálogo que acompanha a exposição. Um livro do professor, investigador e curador do CITA, Manuel Gandra, onde “por entre criptas seculares ou resquícios de pedras tumulares” é contada “a arte e prática funerária das ordens do Templo e de Cristo”, afirmou na ocasião o presidente do Município de Vila Nova da Barquinha, Fernando Freire. É também uma síntese sobre o assunto onde são incluídas indicações “de uma série de sepultamentos famosos, em vários espaços da ordem de Cristo e dos Templários”.

Mas a reflexão sobre a morte é um tema que atravessa as épocas e as comunidades, e embora o foco desta exposição seja a maneira como as ordens templárias lidavam com tal acontecimento, o professor Manuel Gandra expõe que este é um tema “sempre atual”.

“A morte é a única coisa que nunca nos abandona, é a única coisa que temos por certo, todos nós”. Segundo o curador do CITA, existe hoje um receio em falar do tema, havendo uma diferença entre outros tempos e os dias de hoje: “Noutros tempos havia medo da morte mas havia uma certeza: era possível vencer a morte porque na realidade tudo era verdade e caminho e nunca ninguém se tinha perdido, havia essa ideia de que havia um outro lado. Nós hoje estamos abandonados, não temos o outro lado, perdemos essa noção, é uma atitude fruto de sucessivas mutações na mentalidade que começam sobretudo no século XVIII”.

 

Considerado pelo autor um “assunto que não acaba” e que é ainda visto como tabu em termos académicos, no caso das ordens do Templo e de Cristo existiam “rituais de exéquias específicos e tinham também uma prática de sepultamento específico: havia um acompanhamento dos cadáveres e havia um cuidado muito grande em saber exatamente onde é que o cadáver de A ou B estava sepultado”, conta-nos Manuel Gandra.

“Noutros tempos, e durante a vigência das Ordens do Templo e de Cristo, não era um assunto tabu, era um assunto normal que fazia parte do processo daquilo que se chamava a boa morte, ou seja, um indivíduo que não tivesse a consciência de que ia morrer e que não se preparasse para a morte, morria mal. Era preciso não morrer em pecado”, revela Manuel Gandra, em declarações ao mediotejo.net.

Quanto à exposição, o curador do CITA destaca a importância que reveste por abordar este que “um tema chave que nunca tinha sido abordado, sobretudo, relativamente à Ordem do Templo e à Ordem de Cristo”.

CITA comemora dois anos com perto de nove mil visitas

A inauguração da exposição “A Morte – Exéquias e Ritos de Tumulação dos Cavaleiros do Templo e de Cristo” aconteceu no dia em que o CITA – Centro de Interpretação Templário de Almourol – assinalou os dois anos de portas abertas ao público.

Em declarações ao mediotejo.net, o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, Fernando Freire, mostra-se satisfeito por “uma boa aposta” que tem “uma identidade com o território, as pessoas identificam-se com o tema, é uma alavancagem em termos internacionais”. “Estou convicto de que estamos no bom caminho”, afirmou.

Instalado no Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha, o CITA recebeu, em 2019, 5588 visitas e este ano, apesar da pandemia, os números chegam já aos 3285, num total de quase nove mil visitantes. Números que, para o autarca Fernando Freire, significam que “estamos no caminho certo e que este projeto é para ter robustez e para continuar a alavancar em termos de identidade do território e em termos turísticos”.

Centro de Interpretação Templário de Almourol, em Vila Nova da Barquinha. Foto: mediotejo.net

Quanto à Conferência Internacional, este ano em formato online em consequência dos constrangimentos causados pela pandemia de Covid-19, a autarquia tem já os olhos postos numa terceira edição, a realizar em 2021.

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Ana Rita Cristóvão
Quando era pequena, passava os dias no campo a fazer de conta que apresentava o telejornal. Rumou à capital para se formar em Jornalismo e foi aí que se apaixonou pela rádio. Gosta de abraços e passa horas a ouvir as histórias dos mais antigos. É fã de chocolate, caminhadas sem destino e praias fluviais.

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