PUB

VN Barquinha | O renascer das festas das Madeiras passados sete anos

Praticamente todas as localidades têm a sua festa. A localidade de Madeiras também tinha, até que, há sete anos, estas deixaram de ser realizadas. Passado este tempo, a força de vontade acabou por prevalecer sobre a letargia e um grupo de residentes reuniu-se para trazer as festividades de novo à vida, as quais se celebram nos dias 20 e 21 de julho em Honra de Nossa Senhora de Fátima. O mediotejo.net esteve à conversa com os festeiros para tentar perceber o que os motivou para recuperar a tradição e o que pretendem fazer de diferente.

PUB

PUB

Numa pequena sala abafada, repleta de flores de papel, decorações e objetos destinados à quermesse, um grupo de cerca de seis pessoas mostra-se atarefada, mas alegre e convicta da importância do seu papel no colorir das festas da localidade. Entre conversas casuais, desabados e gargalhadas, o trabalho vai sendo feito e a festa vai sendo preparada.

Ao todo são cerca de 15 as pessoas da localidade que, fruto da sua fé, união e boa vontade, se reúnem constantemente desde fevereiro, altura das primeiras reuniões, para prepararem tudo o que é preciso.

PUB

A ideia sempre foi clara para todos: fazer de novo as festas. “Toda a gente falava disso, de voltar a fazer as festas. Era este o ponto em comum, as festas eram o ponto de encontro, todas as pessoas aqui à volta vinham até cá. Toda a gente o queria e nós achámos que era a altura de recomeçar – tomámos a iniciativa e avançámos”, esclarece Ana Martinho, mais conhecida como “Caty”, que entre a azáfama de fazer flores e preparar a quermesse vai arranjando fôlego para falar connosco.

festas madeiras
Foto: mediotejo.net

Na verdade, é o primeiro ano que esta festa vai ser feita, ou pelo menos, por esta “entidade” e nestes moldes. É que, antes, a festividade era levada a cabo pela Associação de Bem Estar Social das Madeiras enquanto que agora será realizada através da paróquia. O local também não é exatamente o mesmo, uma vez que parte do espaço onde eram realizados os festejos estar em obras.

Mas não é nada fácil recomeçar, principalmente a nível de logística, sendo esta a maior dificuldade apontada. Ao contrário do espaço anterior, que era enorme, a comissão tem de se cingir a praticamente a duas salas, uma das quais será adaptada a cozinha.

Não obstante, este facto não é, de todo, impeditivo de fazer a festa: “é o espaço que temos, é o espaço que vai ser utilizado, já está tudo preparado e pensado para tal”, concordam todos os presentes, tal como referindo que a ajuda da Câmara Municipal da Barquinha é fulcral, visto ser a autarquia a responsável pela montagem do palco e dos stands destinados à tradicional quermesse, aos doces e cafés e, claro, às bebidas.

Outra dificuldade muito premente, visto ser o primeiro ano e uma festa que recomeça do zero, foi o contacto com os artistas, o qual se revelou complicado. Entre risos, os festeiros esclarecem que à partida fizeram logo uma seleção do que não podiam ter, e que não arriscaram nos artistas da zona, pois estes de um ano para o outro já estão limitados em termos de disponibilidade, mas afiançaram que estes figurarão como apostas para os anos vindouros.

Mas além da realização das festas tradicionais, o objetivo é também mudar um pouco o conceito, inovando enquanto se mantém a essência inalterada. Como tal, uma das novidades é a realização de uma caminhada de cerca de 10km, na manhã de sábado, visto que além de ser “uma forma diferente de envolver a população, hoje em dia está em voga a vida saudável e as caminhadas, o que nos levou a apostar nisso”, explicita Caty.

Outra novidade é a presença de artesãos da terra, que vão ter a oportunidade de expor os seus produtos, até porque, como nos diz outro membro da comissão, Dora Esteves, “muitas são as pessoas que fazem algo em casa, desde bijutaria a artesanato, e como tal queríamos aproveitar para essas pessoas poderem divulgar os seus produtos”.

Os jogos tradicionais também prometem entreter os demais, havendo alguns especialmente direcionados para as crianças, tal como a presença das Marchas Populares de Constância, uma outra inovação.

Cartaz das festividades. Foto: DR

Por outro lado, há nuances que se mantêm, como o cunho religioso. Este é visto pelos festeiros como muito importante e como uma forma de aproximar as pessoas, tendo ficado estabelecido desde início que esta seria uma “festa da e para a igreja”, até porque a igreja vai sempre precisando de obras, retoques e afins.

“Não só a igreja das madeiras, como também a da Praia do Ribatejo, pois embora a festa seja na localidade, a paróquia é a da Praia do Ribatejo. As festas revertem igualmente a favor da paróquia”, elucida Caty.

Quando falamos de expetativas, estas são inexistentes, pois o objetivo do grupo “era recomeçar as festas das Madeiras, a partir daí tudo será positivo”, revela Caty, adiantando que, no entanto, o feedback tem sido extremamente positivo, tendo até apanhado a comissão de surpresa.

“Nota-se que as pessoas querem a festa de volta. Inclusivamente, quando fizemos o peditório, tivemos casos de pessoas tão emocionadas que até se agarravam a nós a chorar”, atesta.

Este, sendo o primeiro, é visto como um ano de experiência, com o qual a comissão espera aprender tanto das experiências positivas como das negativas. Até porque o objetivo não passa por fazer uma festa e acabar, é antes o de dar continuidade à festividade, sendo esse o motivo para a comissão ter jovens integrados de modo a estes aprenderem e darem continuidade no futuro, para que não se voltem a repetir sete longos anos de espera.

PUB
PUB
Rafael Ascensão
Licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo. Ávido leitor, não dispensa no entanto um bom filme e um bom serão na companhia dos amigos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).