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Quinta-feira, Outubro 21, 2021

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VN Barquinha | Mérito de Rui Picciochi gerou consenso na noite em que ética do executivo foi questionada

A última Assembleia Municipal do mandato autárquico 2013/17 realizou-se esta sexta-feira, dia 22, e a sessão ficou marcada pela despedida de Rui Picciochi. As palavras de reconhecimento dos deputados e executivo municipais ao presidente deste órgão deliberativo que cessa funções geraram o maior consenso da noite em que apenas um ponto obteve unanimidade e a oposição questionou a ética do executivo.

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O reconhecimento a Rui Picciochi foi o “ponto” que maior consenso reuniu por parte dos deputados e executivo municipais durante a última sessão da Assembleia Municipal antes das eleições autárquicas do próximo dia 1 de outubro. O antigo presidente da câmara municipal, deputado da Assembleia da República e da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo cessa funções e entrega o cargo de presidente da Assembleia Municipal ao próximo eleito.

A noite ficou marcada pelas intervenções e ovações das bancadas partidárias e do público que enalteceram a carreira política e a personalidade do quase octogenário – Rui Picciochi completa 80 anos em fevereiro de 2018 – que entrou na Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha como vereador em 1976, liderou a autarquia nos mandatos 1979-1985 e 1989-1993 e se tornou presidente da Assembleia Municipal em 1997.

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As palavras de apreço foram respondidas com um discurso em que o socialista fez fortes críticas à sociedade atual e caraterizou o país como o “Portugal que é costa para viver e o interior para morrer”. No final da sua última sessão salientou ao mediotejo.net que “temos de saber sair” e quando questionado se o discurso de despedida significa uma retirada total da vida política respondeu “um político nunca deixa de ser político”.

A última sessão antes das eleições autárquicas realizou-se esta sexta-feira, dia 22. Foto: mediotejo.net

Para Rui Picciochi “um concelho é uma micro-sociedade inserida num mundo global” do qual sofre influências, revelando que a situação atual o assusta pela iminência de guerras que deitarão “por terra” tudo o que foi conquistado até à data. Acrescentou que a “ética e a boa vivência das pessoas” está a “desaparecer” e resumiu o balanço de 41 anos de vida política na expressão “não me servi, procurei servir”.

A “ética” também esteve presente durante a discussão dos pontos da Ordem de Trabalhos, à qual foi acrescentado um nono referente à apreciação e votação da alteração ao mapa de pessoal e ajustamento das vagas nas diferentes unidades orgânicas. O mesmo foi retirado no início da Assembleia Municipal depois da bancada do PSD ter indicado o não cumprimento dos prazos legais para a entrega da documentação. O pedido de Fernando Freire, no final da sessão, para que o mesmo fosse reposto com fundamentos legais “de urgência” acabou por ser aprovado por maioria.

A autarquia tem 169 postos de trabalho, dos quais 152 estão ocupados, e as carências apontadas pelo atual presidente terão sido geradas com um falecimento, três aposentações, uma licença de longa duração, uma cessação de vínculo público e dois casos de mobilidade interna. As categorias a ocupar serão as de um assistente técnico, sete assistentes operacionais e dois técnicos superiores.

A ética do executivo foi questionada pelas bancadas do PSD e da CDU relativamente à proposta de alteração no quadro de pessoal. Foto: mediotejo.net

Ao contrário do reconhecimento prestado a Rui Picciochi, a questão dividiu as bancadas, sobretudo pelas “dúvidas” geradas e apontadas pelo PSD e CDU relativamente à criação do novo cargo de técnico superior para o Gabinete de Apoio à Presidência (GAP), que o PSD considera desnecessário, alegando que o presidente da câmara pode ter uma equipa de apoio constituída por adjunto, chefe de gabinete e secretário.

A referência ao voto contra esta alteração pelo vereador social-democrata Luís Manuel Valente em reunião camarária também foi apontada pelo PSD, que criticou a não abertura de concurso público para a contratação de um técnico superior na área da Proteção Civil, uma vaga desocupada neste momento. Os argumentos levaram o PSD a questionar se seria “ético” apresentar a alteração a duas semanas das eleições. Uma questão partilhada pela bancada da CDU, assim como a crítica ao pouco tempo que os deputados municipais tiveram para analisar a documentação.

O presidente da câmara municipal, Fernando Freire, respondeu a todos, confirmando aos deputados da oposição as situações que geraram a necessidade “urgente” de ocupar as vagas em aberto. A criação do cargo de técnico superior no GAP foi defendida com a expressão “eu é que sou o presidente” e que é ele quem sabe quais os recursos humanos de que necessita. Finda a discussão, o ponto foi aprovado por maioria com três votos contra e três abstenções.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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