Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Sexta-feira, Julho 30, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

VN Barquinha | ‘Instituições Militares e Democracia’ foram tema de conferência na Praia do Ribatejo (c/áudio)

“Instituições Militares e Democracia” foi o mote para a conferência que se realizou na sexta-feira, em Praia do Ribatejo, freguesia com um forte cunho e presença militar, no âmbito do projeto VOLver. O debate abordou a perspetiva histórica, social e cultural de Vila Nova da Barquinha e do país no contexto militar, a questão de género e a representação e integração das mulheres no mundo militar, a relação seminal entre as Forças Armadas e a Democracia e a dificuldade da manutenção do nível de efetivos que são necessários para desempenharem as funções que lhes estão atribuídas, entre outros.

- Publicidade -

- Publicidade -

O painel contou com a participação de Nuno Severiano Teixeira, ex-ministro da Administração Interna e ex-ministro da Defesa, Helena Carreiras, diretora do Instituto de Defesa Nacional, Fernando Freire, presidente do município de Vila Nova da Barquinha, e António Ribeiro, presidente da Assembleia Municipal, como oradores.

Fernando Freire enalteceu a importância deste tipo de iniciativa, “até pelo território que nos identifica, com o Polígono Militar de Tancos onde temos três unidades militares, por onde passaram milhares de cidadãos e que ainda alberga forças significativas (…). Afinal esta é a nossa cultura, são os povos que temos cá, povos identificados com a causa militar”, notou.

- Publicidade -

Na conferência, que contou com duas dúzias de convidados e participantes, foi Helena Carreiras, diretora do Instituto de Defesa Nacional e professora associada no ISCTE, a responsável pelo pontapé de saída, analisando de uma perspetiva histórica, social e cultural, a questão de género e a representação e integração das mulheres no mundo militar e, em particular, nas forças armadas portuguesas.

Helena Carreiras lembrou e considerou importante que “a lei portuguesa não exclui as mulheres de nenhuma especialidade em nenhuma posição, o que seria até eventualmente inconstitucional”, mas relembrou que tal só aconteceu em 2008 – a par da “inconstitucionalidade” de só os homens serem chamados ao Dia da Defesa Nacional, que só foi alterado em 2010 – e que “mesmo assim não quer dizer que a integração real corresponda, algo que se sabe que não acontece”.

A docente universitária continuou, dizendo que “do ponto de vista formal podemos dizer que hoje em dia as mulheres estão integradas, o que não quer dizer que exista igualdade”, apresentando dados atuais que dão conta da situação real da integração das mulheres nas Forças Armadas e na NATO, “onde existe um crescimento da representação, mas que continua a ser uma minoria”.

Nuno Severiano Teixeira, ex-ministro da Administração Interna e ex-ministro da Defesa e professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa, analisou a relação entre as Forças Armadas e a Democracia, começando por fazer uma análise histórica desde o 25 de abril.

“Ao contrário de muitos casos conhecidos em todo o mundo, em que as forças armadas usam a força para derrubar as democracias e instaurar regimes autoritários, em Portugal aconteceu justamente o contrário – as Forças Armadas derrubaram o regime autoritário para instaurar a democracia, o que ficou como uma marca indelével na democracia portuguesa, numa relação seminal entre as Forças Armadas e a Democracia”, salientou.

Para o ex-ministro das pastas da Administração Interna (2000-2002) e da Defesa (2005-2009), o problema hoje em dia nas Forças Armadas prende-se com a manutenção do nível de efetivos que são necessários para desempenharem as funções que lhes estão atribuídas.

Situação que, notou, “obviamente obriga a algumas técnicas de recrutamento, a incentivos que a sociedade deve dar para reter as pessoas nas fileiras, a dar qualificações às pessoas que passam pelas fileiras para que quando saiam tenham um valor no mercado de trabalho, e isto tudo é difícil mas é necessário, e é preciso ainda outra coisa, que é talvez o mais importante: é preciso pagar às pessoas”.

Nuno Severiano Teixeira terminou a sua intervenção relembrando a importância social das Forças Armadas, dando como exemplo o recente processo de vacinação, considerando que “estas eram e continuam a ser um pilar fundamental não só na segurança e defesa do país como também na democracia portuguesa”.

No último painel, onde se passou do nível macro para o micro, interveio o presidente da Assembleia Municipal de Vila Nova da Barquinha, António Ribeiro, e o presidente da Câmara Municipal, Fernando Freire, ambos ex-militares, figurando assim como uma representação óbvia da relação do poder local com as Forças Armadas e a Democracia.

A intervenção dos ex-militares, agora membros dos órgãos municipais de Vila Nova da Barquinha, foi ao encontro de um relato de uma experiência mais pessoal, onde se focaram no tema da relação dos militares com as organizações da sociedade civil e da sua relação com as autarquias locais. 

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome