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Sexta-feira, Setembro 24, 2021

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VN Barquinha | Ex-Base Aérea n.º 3 voltou a ter vida em dia de convívio (c/ fotogaleria)

O Quartel General da Brigada de Reação Rápida (BrigRR) regressou aos tempos da Base Aérea n.º 3 este sábado, dia 21, com o reencontro de mais de 350 militares e civis que ali estiveram colocados ou em diligência permanente. O momento contou com a presença do Chefe do Estado-Maior da Força Aérea (CEMFA), General Manuel Teixeira Rolo, num dia em que se partilharam memórias e reconheceu o mérito de quem fez parte da história do atual Aeródromo Militar de Tancos.

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Às 10h00 já eram muitos os que se encontravam junto da capela para recordar os anos que antecederam a cedência desta unidade ao Exército no seguimento da reorganização da Força Aérea Portuguesa no início da década de noventa. Entre os presentes encontrámos João Barata, de Castelo de Vide, Manuel Patrício, de Tomar, e João Caldeira, do Crato, todos com 64 anos e estreantes neste encontro anual que se realizou pela décima sexta-vez.

Os três passaram pela BA 3 na altura em que a mesma, destacam, “não era uma base, mas uma cidade” onde se realizavam cursos nas mais variadas áreas. Um deles era o de amanuenses (escriturários), que frequentaram juntos e que recordam cerca de quatro décadas depois, à semelhança do que aconteceu nos três almoços em que revivem as histórias “só nossas” do passado e não só.

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João Barata, Manuel Patrício e João Caldeira: Foto: mediotejo.net

Uma das recordações que guardam do Polígono de Tancos é a intentona militar de 11 de Março de 1975, com os “carros à civil carregados de armas”, o levantar voo dos helicópteros que partiram para o Regimento de Artilharia de Lisboa (RALIS), o que transportou o General António de Spínola para Talavera de La Reina (Espanha) depois de confirmado o falhanço da tentativa de golpe de Estado e os militares que mais tarde “chegaram a chorar”.

Voltar a entrar na infraestrutura militar numa altura em que existe a possibilidade desta ser reativada na sequência da construção do Aeroporto do Montijo na Base Aérea n.º 6 (BA 6) e a consequente transferência das suas esquadras de transporte aéreo para Tancos é encarado como positivo. Um dos ex-militares acrescenta que, a confirmar-se, “será sempre bom, tanto para a base, como para nós que somos filhos da base”.

Os abraços entre os “filhos da base” multiplicaram-se ao longo da manhã na BrigRR que começou com uma missa solene e continuaram durante a apresentação do livro “Base Aérea de Tancos 1921-1994”, do Tenente-Coronel Aires Marques, no Hangar dos Helicópteros. O discurso do autor foi antecedido pelo do CEMFA em que este confirmou a sua passagem pela Ex-BA 3 e referiu-se à obra literária como meio privilegiado para que “a história da BA 3 possa ser vista e partilhada por todos”.

O lançamento do livro “Base Aérea de Tancos 1921-1994”, do Tenente-Coronel Aires Marques, realizou-se no Hangar dos Helicópteros. Foto: mediotejo.net

O General Manuel Teixeira Rolo destacou ainda “a excelência das pessoas (…) que serviram as Forças Armadas na BA 3” e que “devem ser lembrados”. Anos agora perpetuados em palavras escritas e fotografias compiladas num trabalho que o Tenente-Coronel Aires Marques caraterizou como “um livro de sentimentos, desgostos e alegrias, muitos meus” ao longo de “uma viagem aérea” às mais de sete décadas do local que espera voltar a ter vida brevemente.

Os portões do hangar abriram-se de seguida e os participantes do convívio associado ao Dia da Unidade, comemorado a 25 de outubro, juntaram-se em frente à Torre de Controlo para a tradicional fotografia de grupo. O programa continuou momentos mais tarde, no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Vila Nova da Barquinha, com a atribuição da Medalha de Honra do Município ao Major General Carlos Perestrelo, que deixou o comando da BrigRR no passado mês de junho.

A distinção entregue na cerimónia pelo presidente da Assembleia Municipal (AM), António Ribeiro, foi aprovada por unanimidade na sessão da AM em abril. Fernando Freire, presidente da autarquia barquinhense, justificou o ato como “uma retribuição a quem também nos deu muito”, destacando a parceria “inexcedível” entre o município e as entidades militares ao longo dos anos.

O Major General Carlos Perestrelo recebeu a Medalha de Honra do Município. Foto: mediotejo.net

Uma “honra” que o Major General Carlos Perestrelo preferiu não personalizar “enquanto comandante da BrigRR”, mas sim como um reconhecimento “a todos os que me antecederam”. No seu discurso, o atual comandante operacional da Zona Militar da Madeira (ZMM) referiu que o “centro nevrálgico” da sua vida militar foi sempre “nesta região” e acrescentou que “independentemente do sítio onde eu esteja, sou sempre um barquinhense”.

O mediotejo.net falou com Fernando Freire depois do CEMFA assinar o Livro de Honra do Município e antes de seguir para o almoço que teve lugar na Quinta das 3 Ribeiras, não apenas na qualidade de presidente da Câmara Municipal, mas também enquanto um dos “filhos da base”. Para o autarca este convívio é “intenso” para quem “está ligado à Força Aérea como eu” uma vez que “falar da BA 3 é falar de emoções, sentimentos, histórias e memórias”.

A missa solene na qual são recordados “os militares falecidos” é indicada como um dos momentos mais fortes, ao qual se juntou este ano o lançamento do livro do Tenente-Coronel Aires Marques. Um autêntico “álbum de memórias” que relembra situações drásticas, como acidentes, na Ex-BA 3 ou ações de socorro às populações asseguradas pela “centralidade de excelência em termos de território nacional”.

Os “filhos da base” voltaram a reunir-se junto da Torre de Controlo para a fotografia de grupo. Foto: mediotejo.net

A localização estratégica da Ex-BA3 tem sido um dos pontos salientados pelo presidente da autarquia na defesa da reativação da BA 3, que poderá vir a receber as esquadras de transporte aéreo da BA 6. O Aeródromo Militar de Tancos “perde” o comando da BrigRR, mas recebe aviões C-295 e C-130 e aeronaves KC-390, podendo as últimas ser adaptadas no combate a incêndios florestais.

Questionado sobre este assunto no dia em que o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General Manuel Teixeira Rolo, esteve no concelho, Fernando Freire não deixou respostas concretas. O presidente e militar aposentado optou por uma expressão latina que diz utilizar recorrentemente “Tempus regit actum”, acrescentando “deixem surgir os atos” e expressando vontade de que o livro “Base Aérea de Tancos 1921-1994” tenha “outro capítulo” em breve.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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2 COMENTÁRIOS

  1. No texto do corpo da notícia, a determinado momento, escreve a jornalista: “… O momento contou com a presença do Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (CEMFA), General Manuel Teixeira Rolo…”, pois bem, o acrónimo militar CEMFA, não significa que é o Chefe das Forças Armadas. Até porque esse, sendo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, é General do Exército, e chama-se Pina Monteiro. O Exmo. Sr. General CEMFA é o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, a Portuguesa, claro!

    • Caro Sr. João Lucas, a referência “Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas” foi um lapso. Agradeço o seu comentário e o artigo será corrigido. Melhores cumprimentos.

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