VN Barquinha | Evelina Gaspar vence Prémio Nacional de Literatura Lions de Portugal

Evelina Gaspar esteve presente na Fase Intermunicipal do Concurso Nacional de Leitura 2019, tendo o seu primeiro romance "na massa do sangue" feito parte das preferências dos alunos do Secundário. Foto: Paulo Jorge de Sousa

A escritora Evelina Gaspar, de Vila Nova da Barquinha, venceu o Prémio Nacional de Literatura Lions de Portugal com o romance “Os Dentes do Tejo”, anunciou hoje a Fundação Lions de Portugal e a Guerra e Paz, que editará a obra em agosto.

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Na avaliação do júri, “Os Dentes do Tejo” conta, “com criatividade, uma história de amor e desamor e utiliza como cenário um elemento geográfico, um rio, factor tão pouco aproveitado na literatura portuguesa, apesar do seu potencial como catalisador de histórias reais ao longo dos séculos”.

Evelina Gaspar, considerou o júri, “propõe um jogo de espelhos, num insistente paralelismo entre a vida humana e a sua interdependência do rio Tejo, em sequências narrativas bem articuladas e num encadeamento inesperado para o leitor, fazendo do Tejo uma personagem entre as outras muito humanas personagens do romance”.

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Presidido pelo jornalista e romancista João Céu e Silva, do júri faziam parte os escritores Maria João Carrilho, Marta Oliveira Santos, João Morgado e João Nuno Azambuja.

Em 2019, este mesmo prémio distinguiu um outro autor da nossa região: José Martinho Gaspar, de Abrantes, com a obra “Vida por Fios”.

“Os Dentes do Tejo” é o segundo romance premiado de Evelina Gaspar, que venceu, com “na massa do sangue”, o Prémio Literário do Médio Tejo em 2017, uma iniciativa da Médio Tejo Edições com o apoio do TorreShopping e da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo que tem vindo a revelar e a promover autores da nossa região, nos últimos três anos.

Romance de estreia de uma autora que de imediato se percebeu que iria deixar marcas na literatura contemporânea portuguesa, “na massa do sangue” foi lançado na Feira do Livro de Lisboa em 2018 e recebeu excelentes críticas no meio literário e na imprensa nacional, tendo sido selecionado para o Concurso Nacional de Leitura em 2019, para alunos do Secundário.

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“Assumindo a força de um relato na primeira pessoa, despojado, limpo, por vezes cru, ‘na massa do sangue’ fala-nos da condição feminina do Portugal pobre de meados do século XX. Uma narrativa que num instante nos faz soltar uma gargalhada genuína e no outro nos prende à leitura pela empatia, pelo arrebatamento, pela autenticidade. Um romance que não cai em tentação, longe dos lugares comuns da nossa era”, escreveu Margarida Teodora, diretora da Biblioteca Gustavo Pinto Lopes, de Torres Novas, na deliberação do júri do Prémio Literário do Médio Tejo, que incluiu ainda António Matias Coelho, presidente da Associação Casa-Memória de Camões, em Constância, a escritora Patrícia Reis e a jornalista e editora Patrícia Fonseca.

Nascida em Paris, em 1974, Evelina Gaspar cresceu em Tomar e vive em Vila Nova da Barquinha há cerca de 15 anos, local que escolheu para ver crescer os seus dois filhos, hoje adolescentes. Trabalha na biblioteca da vila e o “serpentear mágico do Tejo” continua a inspirá-la na escrita, todos os dias.

Evelina Gaspar, na Biblioteca de Vila Nova da Barquinha, onde trabalha. Foto: mediotejo.net

Como disse em entrevista ao mediotejo.net em 2017, escreve “como se estivesse à procura de uma coisa menos densa, menos óbvia, mas que faz tão parte da nossa natureza como fazem a pele e os ossos, ainda que não seja visível”.

Escreve porque não consegue “resistir a esse ímpeto” que a estimula “a seguir o fio misterioso das palavras em busca de um fim que se desconhece”. Recatada, vive de alguma maneira isolada do mundo, porque “escrever um romance é um processo profundamente solitário que exige entrega e disponibilidade, e mesmo a obediência a algo que se desconhece e que nos subtrai com frequência do convívio com os outros”, explicou num texto a alunos da região, no ano passado.

“Fazemo-lo sem saber se essas palavras atrás das quais nos deixamos conduzir, muitas vezes longe do sol, fechados em casa, chegarão a ver a luz do dia. Até que acaba por chegar o momento em que damos, com alívio, o romance enfim por terminado e com alegria vemos que é publicado e bem recebido e julgamos que fizemos o mais difícil. Conseguimos.”

Evelina Gaspar conseguiu, novamente. O talento, como se comprova com mais este prémio literário, está-lhe mesmo “na massa do sangue”.

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