VN Barquinha | Especialistas concordam que Tancos tem elevado potencial para funcionar como “terminal 3 de Lisboa” (C/VIDEO)

Os três oradores convidados com o autarca Fernando Freire. Foto: mediotejo.net

Os três oradores convidados para o debate sobre as potencialidades da Base de Tancos, realizado no dia 5 no Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha, concordaram que Tancos tem um elevado potencial para receber um aeroporto alternativo ao de Lisboa. Ao mesmo tempo, foi unânime a crítica à solução do Montijo como local de construção do futuro aeroporto.

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A falta de uma visão a longo prazo, de uma estratégia nacional e de uma política integrada para a aviação em Portugal constituíram igualmente uma crítica transversal a todas as intervenções neste debate moderado pelo anfitrião, o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, Fernando Freire.

Perante mais de 150 pessoas que esgotaram a capacidade do Centro Cultural, os três oradores apresentaram a suas ideias sobre o tema em debate explanando as mais-valias que a ex-Base Aérea de Tancos, com uma pista de 2440 metros, apresenta, numa lógica de servir os interesses regionais e nacionais.

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João Roque, atual piloto de linha aérea e antigo controlador de tráfego aéreo em Tancos, não tem dúvidas que a antiga Base tem um elevado potencial para funcionar como “terminal 3 de Lisboa”.

O debate esgotou a capacidade do Centro Cultural de VN Barquinha. Foto: mediotejo.net

A sua proposta é que as companhias Low Cost sejam retiradas do aeroporto de Lisboa e colocadas a operar em Tancos, à semelhança do que acontece na maior parte dos países da Europa, em que as pistas utilizadas por estas companhias se localizam fora das grandes cidades, a uma ou duas horas de distância.

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Com mais 40 metros de comprimento do que a pista projetada para o Montijo, Tancos afigura-se, para João Roque, como solução imediata complementar a Lisboa, com a vantagem de que as obras necessárias custariam 1/10 do que se prevê gastar no aeroporto do Montijo.

Depois de fazer uma síntese do historial do transporte aéreo, o piloto defendeu uma solução a 50, 60 anos e não de curto prazo como é a do Montijo, que classificou como “um erro brutal”. Um dos argumentos baseia-se na estatística que aponta para um aumento da aviação de 6,2% por ano. A isto acresce a tendência do crescimento dos fluxos turísticos e do e-commerce que constituem um desafio para as companhias aéreas.

Aprender com os erros do passado, como aconteceu com o estrangulamento do aeroporto de Lisboa, leva João Roque a defender uma estratégia nacional, uma política integrada para a aviação. Para isso “tem de haver coragem política”.

Na mesma linha de raciocínio, o orador seguinte, Paulo Soares também piloto de linha aérea mas já reformado, começou por manifestar a sua convicção de que “não vai haver Montijo”.

Atualmente professor de direito na Faculdade do Porto, Paulo Soares considera que “Tancos devia ser equacionado como de elevado potencial” porque “mais do que mais um aeroporto para Lisboa é necessário um aeroporto para Portugal”. Argumentos não faltam para que se aproveite a base de Tancos, sendo os principais a sua centralidade geográfica, o facto de estar bem servido de ligações rodoviárias (A23 e A13) e ferroviárias (Entroncamento) e a proximidade com Fátima, santuário visitado anualmente por milhões de turistas.

Para o especialista “é fundamental a articulação do novo aeroporto com as redes rodoviária e ferroviária”, condição que Tancos cumpre.

Depois de desmontar os argumentos a favor do Montijo e de Monte Real, Paulo Soares concluiu que “Tancos tem tudo para dar certo”.

Debate sobre as potencialidades da Base Aérea de Tancos para a aviação civil em Vila Nova da Barquinha. Balanço final pelo Presidente da Câmara Municipal, Fernando Freire

Publicado por mediotejo.net em Quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

“Precisamos de uma política estratégica de transportes para Portugal, defendeu António Nabo Martins, Presidente Executivo da Associação dos Transitários de Portugal, o último orador convidado.

A sua intervenção focou sobretudo o transporte de mercadorias, tendo subjacente as profundas mudanças que se estão a operar no setor e os desafios do e-commerce.

Nesta área, a centralidade do Entroncamento e a possibilidade de criação na região de um hub (designação em inglês para um aeroporto utilizado como centro de operações de voos comerciais), bem como a necessidade de uma estratégia integrada de transportes foram aspetos que realçou.

Um dos argumentos negativos em relação à solução de Tancos é o facto de ser uma zona com poucos habitantes e praticamente sem indústria como foi focado por alguns intervenientes. Mas, como destacou João Roque, estes pontos fracos podem constituir uma vantagem e deu o exemplo do aeroporto de Frankfurt que foi construído nos anos 40 “no meio do nada” e hoje é um dos principais aeroportos da Europa.

Estar a 20 minutos de Fátima, a uma hora de Lisboa ou Coimbra e a 2 horas do Porto são fatores vistos como pontos fortes para a solução Tancos. Uma centralidade que, para a Presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, Anabela Freitas, presente na plateia, vai para além de Portugal porque é Ibérica. A autarca reconhece que “o caminho não vai ser fácil”, mas acredita que “com uma argumentação forte” em relação a Tancos, “não é só a região que ganha, é o país”.

Da plateia intervieram vários participantes como autarcas (estavam representados quase todos os Municípios do Médio Tejo), técnicos e cidadãos anónimos, num debate que terminou já depois da meia noite.

Este foi o primeiro de uma série de debates que vai percorrer alguns Municípios do Médio Tejo, resultado de tomadas de posição unânimes na Comunidade Intermunicipal em defesa do aproveitamento da antiga Base Aérea de Tancos.

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