VN Barquinha | Ensino à distância no Agrupamento de Escolas é um desafio para os pais

Paulo Tavares, Diretor do Agrupamento de Escola de VN Barquinha. Foto: mediotejo.net

A pandemia do Coronavírus que está a afetar o nosso país está a ter e vai continuar a ter reflexos no sistema de ensino e na forma como as escolas funcionam. A opinião é de Paulo Tavares, diretor do Agrupamento de Escolas de Vila Nova da Barquinha, que tem encarado a atual situação como mais um desafio não só para os professores e alunos, mas também para os encarregados de educação que nesta fase estão mais envolvidos no processo de aprendizagem.

“Neste momento temos todos os alunos a trabalhar em casa e quase 100% dos professores estão a trabalhar online”, revela o dirigente de um agrupamento que “abraçou o digital e sempre promoveu as novas tecnologias para preparar os alunos para o século XXI com esta vertente digital”, estando a situação a “decorrer com normalidade” naquele Agrupamento de Escolas “dentro daquilo que projetámos e preparámos”, disse Paulo Tavares ao mediotejo.net.

Com esta prática que já vem de anos anteriores, “tornou-se mais fácil” para todos transformar as aulas presenciais por ensino à distância através de plataformas como o Moodle.

Pelos cálculos de Paulo Tavares, “entre 95 a 98 por cento dos alunos estão a trabalhar em casa”. As exceções são um ou outro aluno que possa estar fora do seu local habitual de permanência, que está com os avós, por exemplo, e não tem acesso a um computador. Seja como for, se houver algum aluno que não tenha computador pessoal, o agrupamento encarrega-se de fornecê-lo.

Nesta fase em que os alunos estariam a meio do segundo semestre, o cumprimento do programa previamente definido para cada disciplina não é a preocupação, até porque a avaliação está em “stand-by”.

“O objetivo não é cumprir programas ou lecionar novos conteúdos, mas sim consolidar as aprendizagens que já foram lecionadas”, explica Paulo Tavares, que diz aguardar por novas indicações da tutela.

Teme que esta nova situação em termos de ensino afete o sucesso escolar dos alunos? À pergunta, o diretor do Agrupamento responde categoricamente que não. Pelo contrário, este “episódio novo vem alertar para algumas situações”. Paulo Tavares refere-se ao facto de os encarregados de educação terem de estar mais próximos dos filhos em contexto de aprendizagem e desta forma ficam a conhecer melhor os filhos como alunos e a saber como os professores trabalham.

Alguns encarregados de educação têm-se queixado do excesso de trabalhos que são solicitados aos alunos, queixa que vem também dos próprios alunos e dos professores que têm de corrigir esses trabalhos.

Paulo Tavares refere que foi estipulada uma a duas tarefas por semana por cada disciplina para não sobrecarregar os alunos e os encarregados de educação, até porque alguns destes estão em casa a trabalhar em regime de teletrabalho, sendo difícil conciliar as tarefas.

Para a fase de reinício das aulas presenciais, o Agrupamento já tem preparado um plano em que os alunos entram e saem por portas diferentes num sistema que procura evitar a interação uns com os outros.

“Vamos ter de fazer contenção e vamos ter de continuar a trabalhar, mas de acordo com planos de contingência próprios, com maiores restrições” no contacto entre todos, até porque “o vírus não vai desaparecer de um dia para o outro”.

“Vai ser um trabalho árduo, mas cá estamos para ele, com uma motivação e uma força muito grandes”, conclui Paulo Tavares.

Ao todo são 850 alunos que frequentam o Agrupamento de Escolas de Vila Nova da Barquinha desde o pré-escolar ao 12º ano.

Alunas na entrada da Escola D. Maria II. Foto: mediotejo.net

Uma “normalidade anormal”

“As coisas estão a correr dentro da normalidade, para aquilo que é a anormalidade da situação”. Quem o diz é Pedro Marques, Presidente da Associação de Pais da Escola D. Maria II.

“É tudo novo para todos. As coisas estão a ser feitas passo a passo, há coisas que estão mal feitas, outras estão a sair melhor, mas no cômputo geral acho que está a correr dentro daquilo que era expectável”, acrescenta.

Na opinião de Pedro Marques devia haver uma coordenação maior entre os professores e algum cuidado na introdução de novos conteúdos por exemplo no 5º ano. Não considera descabido mas defende que os alunos “não estão preparados e predispostos para este tipo de situação”.

É certo que “os miúdos não estão de férias, mas os professores não deviam sobrecarregar os miúdos em termos de tempo de trabalhos”.

Da sua experiência pessoal como pai de um filho que frequenta o 8º ano, relata que “na primeira semana foi complicado porque ele pensou que vinha de férias para casa”. Quando os trabalhos começaram a chegar “é que ele começou a ganhar consciência de que não era bem assim” e isso passou a exigir maior gestão do tempo. Quanto aos pais, refere que são eles que têm de fazer a gestão da aprendizagem, do ensino, o que constitui um novo desafio.

“Nada substitui o ensino presencial”

Em relação aos alunos do 1º ciclo, Sara Miranda, Presidente da Direção da Associação de Pais do Centro Ciência Viva (1º – 4º anos), manifesta-se satisfeita pela forma como as “aulas” à distância estão a decorrer.

Não considera que haja muita exigência neste ciclo, até porque os trabalhos baseiam-se em revisão de matérias já lecionadas.

O seu filho de 9 anos e a frequentar o 3º ano “está a adorar”. Primeiro porque gosta de estar em casa e depois porque tem a mãe, uma ex-professora a trabalhar em regime de teletrabalho, a acompanhá-lo nos trabalhos e atividades.

Sara Miranda concorda que nada substitui o ensino presencial, “é muito mais interessante e é o melhor para eles”. Mas a vantagem que aponta nesta fase é o facto de os pais estarem mais próximos dos filhos e acompanharem mais, obrigando até por vezes os próprios pais a estudar.

A mudança das aulas para dentro de casa obrigou a novas regras e novos horários. Sara explica que o seu filho, da parte da manhã tem hora e meia para fazer trabalhos, um tempo que considera ser muito bem aproveitado. Por exemplo acontece ela própria acrescentar mais trabalhos ao seu filho. Da parte da tarde, o menino tem de ler meia hora. De resto, mãe e filho entretêm-se a passear no campo, a fazer trabalhos manuais e a fazer ginástica.

O menino, como todos os outros da sua idade, gosta de jogar online e tem direito a hora e meia por dia para isso, tempo que usa também para falar com os colegas. Jogar à bola é outra atividade com que se entretém.

Apesar de ter muitas dúvidas quanto ao resto do ano letivo, Sara Miranda diz querer acreditar que até 12 de abril, altura em que terminam as férias da Páscoa, “as coisas estejam melhor” e que estejam definidas as diretrizes do Ministério da Educação.

“Temos de aguentar o barco até que as coisas melhorem”, conclui.

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