VN Barquinha | As Palavras Soltas do Sr. Presidente (e do rapaz de Oleiros)

Fernando Freire, presidente CM Vila Nova da Barquinha. Foto: mediotejo.net

À chegada podia parecer o período reservado à intervenção do público numa das reuniões de câmara que o executivo municipal realiza mensalmente, mas não. A comunidade barquinhense marcou presença no Centro de Estudos de Arte Contemporânea (CEAC) esta quinta-feira, dia 4, para ouvir as palavras de Fernando Freire e acabou por ser, ela própria, a soltá-las.

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Ao contrário das reuniões camarárias, não foi o presidente do município quem orientou a Ordem de Trabalhos da sessão da tertúlia “Palavras Soltas”. A responsabilidade ficou entregue a Carlos Vicente, coordenador do CEAC, que dispensou o guião de entrevista e teve como base a pergunta “E agora, presidente?”, abordada de diversas formas pelas questões que recolheu junto da população.

O primeiro momento foi para descobrir a pessoa por detrás do cargo, rapaz nascido na “terra completamente isolada” de Oleiros a 1 de fevereiro de 1960 e cujas “boas notas” no ensino básico resultaram na entrada no seminário em Beja. A vocação era outra e seria a carreira profissional com especialização em Direito Militar a ditar a entrada na Câmara Municipal como vereador, em 2009, desafiado pelo ex-presidente Miguel Pombeiro, que o tinha contactado inicialmente para tratar de uma caso judicial.

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A altura em que juntou o pelouro da Cultura à carreira que já incluía o escritório de advogados em Lisboa e a Força Aérea coincidiu com o momento em alguns dos projetos mais emblemáticos, como o Mercado das Artes, começaram a sair do papel. A partir de então foi acompanhando de perto a afirmação do concelho onde quer que se veja, viva e sinta Arte e Ciência desde que assumiu a presidência da autarquia em 2013.

Fotos: mediotejo.net

O recente anúncio da recandidatura às eleições autárquicas marcadas para 1 de outubro marcou a segunda parte da tertúlia no CEAC durante a qual assumiu que não precisa da política e esta se afirmou na sua vida devido ao “bichinho”. Se dependesse da família não tentava novo mandato e a decisão de avançar fez com que perdesse “alguns jantares”.

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Entre o dia em que tornou presidente e aquele em que os votos entram nas urnas passaram cerca de quatro anos e as mais de 15 perguntas enviadas para Carlos Vicente focaram esse período e as possibilidades em aberto no que se avizinha. Caso seja reeleito, diz, estará “presente” com a consciência de que “as coisas são efémeras” e o melhor deve ser dado durante o desempenho da função sem esquecer que “depois virão outros”.

Alguns curiosos “espreitaram” para dentro de portas da Câmara Municipal e quiseram saber qual foi o maior desafio dos últimos tempos ou se os domínios do concelho estão entregues a “um presidente e quatro vereadores ou quatro presidentes e um vereador”. A lista das dificuldades tem no topo a gestão, sobretudo ao nível dos recursos humanos, pela dificuldade na contratação de pessoal e quanto ao executivo confirma o número cinco que compõe “a equipa”.

Fotos: mediotejo.net

Sobre o presente, a curiosidade abrangeu o alargamento das competências às autarquias locais em relação às escolas, o rio Tejo e o tempo que sobra entre “visitas de cortesia” e facebebook. Pelo facebook dá a conhecer um território no qual “todos devemos sentir-nos bem” e ter “gosto”. O mesmo território onde a questão ambiental do rio Tejo é encarada com pessimismo e a descentralização de competências governamentais obriga a que se faça “de um tijolo, três tijolos”.

Os projetos municipais não foram esquecidos e entre eles surgiram o posto de turismo, projetos para a antiga escola primária de Moita do Norte, o centro da vila ou as “caminheiras” até Constância. Ponto assente, apenas “faz obra” se estiver associada a apoios comunitários, seja nos projetos em maturação, como o da escola, seja na reabilitação urbana.

O posto de turismo vai conhecer uma nova fase para que passe a funcionar com os objetivos com que foi criado e por lá passarão os percursos ribeirinhos, cuja candidatura foi aprovada horas antes de soltar palavras no CEAC. A estes gostaria de juntar outros entre o Cafuz e a foz do rio Zêzere, que juntam azenhas e legado templário na paisagem.

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O futuro diz que “a Deus pertence” e não tem resposta para qual o “cargo político que irá ocupar” quando o gabinete nos Paços do Concelho deixar de integrar a rotina diária. Umas questões foram revelando o rapaz de Oleiros, outras o presidente. Ambos estavam por ali quando responderam que o “maior sonho” é “ser feliz”.

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