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Terça-feira, Outubro 26, 2021

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VN Barquinha | Arte do concelho deu-se a conhecer por quem a criou

A arte do concelho de Vila Nova da Barquinha deu-se a conhecer por quem a criou este sábado, dia 6, durante uma nova edição das Conversas 4.0. Aos artistas que apresentaram os projetos criativos desenvolvidos nas Residências Artísticas do CEAC em 2018 no Centro Cultural, juntaram-se João Pinharanda e Margarida Pinto Correia, ligados à Fundação EDP, e o dia terminou com uma visita guiada por Manuel João Vieira à obra de arte pública, do projeto ARTEJO, que criou no Alto da Fonte.

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As “conversas” começaram pouco depois da abertura oficial, às 10h00, e prolongaram-se até às 17h30, hora marcada para seguir de autocarro até à urbanização do Alto da Fonte, cujo posto de transformação (PT) da EDP é, neste momento, sinónimo de arte pública de Manuel João Vieira. Até esse momento, treze artistas deram a conhecer dez projetos, sete em nome individual e três duplas, com exceção de Francisca Pinto que, apesar da ausência por se encontrar em Londres a fazer uma pós-graduação, deixou a sua mensagem.

Ao longo da manhã, Martinho Costa apresentou “Imagem Líquida”, Rita Torres “Luminescências”, Orlando Franco e André Banha “Intervenção na paisagem” (instalação), Luís Rocha “Objeto” e Marta Sicurella e Maurizio Borrielo “Cais e rampas do rio”. Depois de almoço, conheceu-se “Ain’t No Mountain High Enough” de Fernão Cruz, um pouco de “Jogos Temporais” (filme) de Francisca Pinto, “Lugares do Centro, ponto Barquinhense” de Paula Simão, “Finding Cinema” de João Marques e Hugo Araújo e “Estratigrafias” de António Castanheira.

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Fernão Cruz apresentou os guaches nas folhas de papel de algodão do projeto “Ain’t No Mountain High Enough”. Foto: mediotejo.net

Em 2018, Vila Nova da Barquinha foi ponto de paragem ou de passagem para estes criativos durante o tempo em que frequentaram as Residências Artísticas promovidas pelo CEAC – Centro de Estudos de Arte Contemporânea. Paragem para aqueles que desenvolveram projetos intimamente ligados ao território e às gentes, passagem para quem viu nesta experiência uma oportunidade para desenvolver projetos que tiveram outros cenários como pontos de partida.

As matérias-primas oscilaram entre momentos do quotidiano da vila a factos históricos e viram-se traduzidas em múltiplas técnicas e áreas artísticas, da fotografia ao desenho, passando por percursos históricos e vídeos. Diferentes resultados unidos pelo mote dado pelo projeto PECA – Parque de Escultura Contemporânea Almourol, desenvolvido em parceria pela Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, a Fundação EDP e o IPT – Instituto Politécnico de Tomar.

João Pinharanda e Margarida Pinto Correia. Foto: mediotejo.net

A Fundação EDP esteve representada por João Pinharanda, curador do Programa Arte Pública e do PECA, e por Margarida Pinto Correia, diretora de Inovação Social, que abriram as intervenções da tarde. O primeiro fez referência aos catálogos com roteiros artísticos criados no âmbito do projeto ARTEJO, destacando que um dos próximos a ser publicado é o referente à região do Médio Tejo, que tem Vhils (aka Alexandre Farto) e Manuel João Vieira como artistas “âncora”.

As obras de arte pública dos dois artistas são duas das quatro que já se encontram oficialmente concluídas, faltando mais sete, algumas com o processo criativo avançado, para que o roteiro artístico fique concluído. Neste momento, também já se podem visitar os trabalhos finalizados de Carlos Vicente e Violant em Tancos, um desenvolvido por ambos no edifício da Junta de Freguesia e outro individualmente num PT da EDP pelo coordenador do CEAC.

Margarida Pinto Correia, por seu lado, destacou o contributo da Fundação EDP, através do programa EDP Solidária – promovido desde 2004 e que constitui a maior linha privada de investimento social em Portugal – para tentar “interromper ciclos de pobreza e exclusão” que geram problemas para os quais, diz, se buscam soluções há meio milénio. O facto de se tratar de uma fundação corporativa, que não é “Estado, nem empresa” coloca a Fundação EDP num “meio espaço”, onde é permitido “arriscar” e “inovar”.

Paula Simão e Carlos Vicente. Foto: mediotejo.net

Segundo a diretora de Inovação Social da fundação, a experiência em Castelo Branco há dois anos, na qual artistas e população debateram ideias em assembleias comunitárias – à semelhança do que aconteceu nas freguesias de Vila Nova da Barquinha no âmbito do ARTEJO – assumiu-se como “manancial” de um projeto em que a arte é usada “como ferramenta” e deve ser aplicada “como instrumento de inovação social”, metendo habitantes e criativos “a pensar juntos”.

O programa das Conversas 4.0, moderadas por Carlos Vicente, chegou a ter prevista a inauguração da obra de Alberto Carneiro, um dos 11 escultores portugueses representados no PECA e falecido em 2017. No entanto, o momento foi adiado para a primavera de 2019 devido a outro tipo de obras, as que decorrem atualmente no espaço envolvente da Galeria do Parque. Uma “falha suprida”, segundo João Pinharanda”, pela visita guiada por Manuel João Vieira à obra que criou num PT do Alto da Fonte.

A obra de Manuel João Vieira, no Alto da Fonte, inspira-se nos painéis de azulejos das estações ferroviárias. Foto: mediotejo.net

A paragem nesta urbanização intercalou as passagens pela obra que está a ser desenvolvida por Violant próximo da Loja do Cidadão e pela de Vhils no PT da EDP na Atalaia. Foi entre as vivendas e os espaços ajardinados que Manuel João Vieira deu cor, por exemplo, aos icónicos Castelo de Almourol e a “maracha” (canavial) junto ao rio Tejo ou ao famoso Ford Capri dos Ena Pá 2000, pintados em painéis de azulejos inspirados nos presentes nas estações ferroviárias.

Nos painéis que envolvem toda a instalação da EDP multiplicam-se figuras e motivos que Manuel João Vieira desenvolveu com o objetivo de desafiar as pessoas a construírem as suas próprias narrativas e a “contarem as histórias”. O primeiro projeto pensado pelo artista foi a transformação do PT num farol, mas os contactos com a Marinha Portuguesa apagaram-lhe a luz, dando lugar à segunda hipótese, que implicava o revestimento com sinais de trânsito, cuja ideia acabou por perder o sentido.

Surgiram assim os painéis de azulejos, que não foram uma estreia para o artista que já criou um projeto semelhante em Lisboa. Experiências que o fizeram “voltar ao século VIII” e se traduzem, no concelho de Vila Nova da Barquinha, numa obra de arte pública que tem a água como elemento predominante, em parte, assumiu, devido aos banhos frios que diz ter tomado no rio Zêzere.

Acabou por ver o trabalho final, pela primeira vez, “na vertical” este sábado durante a visita guiada em que também esteve presente Fernando Freire, presidente da autarquia.

Manuel João Vieira e o grupo durante a visita guiada. Foto: mediotejo.net

O presidente da Câmara Municipal marcou presença na iniciativa, assim como a vereadora Marina Honório, e confirmou ao mediotejo.net que a repetição das Residências Artísticas do CEAC e das “Conversas” a elas associadas reforçam a aposta na arte. Um processo “muito motivador” que carateriza como “um cimento que estamos a construir numa identidade da Barquinha com a arte e não só, também com a ciência”.

Quanto ao vai e vem de artistas, que passam ano após ano e, em alguns casos, acabam por regressar, Fernando Freire destacou ser “muito importante que estes projetos passem de mão em mão dos artistas emergentes e não só”, destacando “toda esta envolvência, todo este pulsar, e a Barquinha sempre na senda desta nova filosofia. Não só de qualidade de vida, de recuperação urbana, mas também valorizando, essencialmente, as pessoas e a nossa mente, que é arte”.

A obra de Vhils (aka Alexandre Farto), na Atalaia, é uma homenagem aos oleiros. Foto: mediotejo.net

O projeto ARTEJO também foi referido pelo autarca no sentido de dar “uma nova roupagem” ao concelho com a envolvência de artistas de renome nacional e internacional, gerando um misto de alegria e maior responsabilização, mas “sempre numa atitude de novas oportunidades, novos pensamentos e, também, de qualidade de vida e de atração de pessoas de todos os quadrantes no nosso território”.

Questionado sobre a existência de novidades no âmbito da parceria com a Fundação EDP e o IPT, Fernando Freire não confirmou, mas deixou no ar os “desafios” que vão sendo lançados ao município e que as obras criadas até à data demonstram que “estamos no caminho certo”.

Declarações feitas no dia em que a arte que anda pelo concelho se deu a conhecer e, ao que tudo indica, deve continuar por estas paragens.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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