Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Sábado, Outubro 16, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

VN Barquinha | Arte de João Seguro na terceira margem do rio (c/ fotogaleria)

A Galeria do Parque tornou-se na terceira margem do rio para o qual o edifício tem vista privilegiada com as peças assinadas por João Seguro na exposição “A terceira margem e as ruínas circulares”. Acompanhámos o primeiro momento em que as esculturas/instalações e o livro artístico ficaram patentes ao público e conversámos com o artista plástico sobre a inspiração encontrada no armazém do antigo INGA – Instituto Nacional de Investigação e Garantia Agrícola.

- Publicidade -

João Seguro tinha andado por Vila Nova da Barquinha durante a formação que deu no CEAC – Centro de Estudos de Arte Contemporânea, no âmbito do protocolo estabelecido entre a câmara municipal e o IPT – Instituto Politécnico de Tomar. Regressou em 2017 para a quarta edição das Residências Artísticas e às duas margens do Tejo decidiu acrescentar uma terceira partindo das memórias que decidiu resgatar.

Na exposição que pode ser visitada até dia 27 de maio encontra-se o que comissário João Pinharanda, da Fundação EDP, durante a inauguração disse ser o resultado do “estar” e “olhar” para um território, cruzando “o que se passa na galeria e o que se passa na realidade do concelho”. A realidade local fundida com dois contos estrangeiros e outras memórias, as da experiência de João Seguro em Vila Nova da Barquinha com início na estação ferroviária do Entroncamento.

- Publicidade -

Momento da inauguração. Foto: mediotejo.net

A réplica da grade metálica da rua da estação representa a primeira chegada e partilha o espaço da galeria com cerca de uma dezena de peças. Ali encontram-se também a terceira margem do rio numa das paredes, o chão falso do coreto utilizado nas Festas do Concelho ou a referência aos figos de piteira que em tempos existiram no concelho. Lenine e a ideia do futuro que “não se cumpre exatamente como foi imaginado” também lá está.

As “relações circulares” que João Seguro disse estabelecer com os objetos expostos completam o mote da exposição que nos descreveu minutos antes da inauguração como “um conjunto de objetos que são familiares ao espólio material de Vila Nova da Barquinha e do Médio Tejo, alguns deles pertenciam e pertencem ao espólio que foi guardado num edifício municipal e pertencem, no fundo, ao imaginário coletivo do que é a vida pública do concelho”.

Escultura/instalação “Terceira Margem do Rio”. Foto: mediotejo.net

Segundo o artista, o trabalho teve como suporte o livro artístico com registos fotográficos do material recolhido no depósito em ruínas e mais tarde utilizado para produzir algumas das esculturas. As palavras do autor brasileiro Guimarães Rosa e do escritor argentino Jorge Luis Borges nos contos “A Terceira Margem do Rio” e “As Ruínas Circulares”, respetivamente, contribuíram para o processo criativo e o título da exposição.

Durante a Residência Artística na antiga Casa da Hidráulica, atual CEAC, o artista via o Tejo e imaginava o personagem principal de Guimarães Rosa, que decidiu pegar numa canoa e passar o resto da vida no meio do rio remando contra a maré. O homem cumpriu a sua vontade e não se terá cruzado com o outro que no início do conto argentino saiu do rio com uma jangada.

Para João Seguro “as imagens e os objetos que temos aqui dentro remetem para essas duas situações. Uma situação de visualização e de imaginação do rio e outra de imaginação a partir dos objetos que foram recolhidos no concelho de Vila Nova da Barquinha”.

Acrescenta que tanto os objetos que regressaram “ao mundo dos vivos” depois de um “estado de latência” no antigo armazém do INGA, como as imagens patentes, vão ser compreendidos ppelas pessoas “sem precisarem de pensar. Vão sentir porque conhecem, porque faz parte delas”. A outra vertente da exposição exige “imaginar porque, no fundo, esses contos o que fazem é inflamar a nossa imaginação. Permitem-nos especular acerca de coisas que são impossíveis, mas na cabeça de alguém foram possíveis”.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

- Publicidade -
- Publicidade -

1 COMENTÁRIO

  1. As residências artísticas estão localizadas na casa que era conhecida como a casa do Taruga, que foi o feitor dos terrenos onde hoje se encontra o Parque Ribeirinho / Parque de Escultura Contemporânea e que eram propriedade da Quinta da Cardiga tal como a referida casa, a casa da Hidráulica é que é o actual CEAC e era propriedade do Estado Português, estando afecta à extinta Direcção Hidráulica do Tejo.

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome