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Segunda-feira, Outubro 25, 2021

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VN Barquinha | Amor pela ciência e a vila nas palavras soltas de Ana Rodrigues

A última sessão das “Palavras Soltas” juntou duas áreas marcantes do concelho, arte e ciência, ao receber Ana Rodrigues no Centro de Estudos e Arte Contemporânea (CEAC). A diretora do Centro Integrado de Educação em Ciências (CIEC) da Escola Ciência Viva de Vila Nova da Barquinha foi a convidada desta quinta-feira, dia 2, e soltou palavras sobre o início de vida em Estarreja, a vocação pelo ensino, o gosto pela ciência e o “amor” pelo CIEC e a vila barquinhense.

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As luzes da sala estúdio do Centro de Estudos e Arte Contemporânea (CEAC) voltaram a incidir em duas caras durante a última sessão de “Palavras Soltas”. Uma dela foi a de Carlos Vicente, coordenador do CEAC e moderador da iniciativa, outra foi a de Ana Rodrigues, diretora do Centro Integrado de Educação em Ciências (CIEC) da Escola Ciência Viva de Vila Nova da Barquinha desde 2012.

A professora auxiliar no Departamento de Educação da Universidade de Aveiro trouxe a ciência ao centro dedicado à arte, assim como as recordações da infância e da adolescência passadas em Estarreja, a terra natal, onde nasceu em 1978. Foi nesses primeiros anos que descobriu a vocação pelo ensino, inspirada pela dona Joaninha, a professora primária que a marcou “para a vida” e faz com que Ana Rodrigues defenda que o “valor dos professores” deve ser repensado.

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Valor acrescido, na opinião da investigadora, quando falamos de professores primários. Aqueles que “criam as bases” dos futuros cidadãos numa fase do ensino que marca as pessoas e integra diversas áreas de forma “quase mágica”, sem deixar de ter “a sua ciência”. A multidisciplinaridade é essencial para o desenvolvimento “holístico” dos alunos, segundo a docente que se assume como “a mulher da integração”.

Fotos: mediotejo.net

Ana Rodrigues teve a oportunidade de materializar esta convicção na viragem do milénio, em 2000, quando foi colocada em Famalicão (Anadia), e mantida nos três anos em conciliou as aulas com as crianças do colégio durante a manhã e as aulas dos adultos adultos da Universidade de Aveiro à noite. Os mais crescidos conheciam-na desde 1999, ano em que aceitou o convite para trabalhar na universidade.

A sua orientadora de mestrado e doutoramento, professora Isabel Martins, outra fonte de inspiração, esteve presente nesse momento, assim como no da decisão por trabalhar na universidade a tempo inteiro. A docente universitária que é caraterizada como “uma orientadora pela vida fora” também supervisionou a tese de doutoramento em Didática e Formação intitulada “A Educação em Ciências no Ensino Básico em Ambientes Integrados de Formação”, que contribuiu para a génese do CIEC e da Escola Ciência Viva.

É neste ponto do percurso de vida de Ana Rodrigues que passa a ser possível aplicar uma interpretação literal do tema da conversa desta quinta-feira, “A Ciência leva-nos mais longe”, uma vez que foi a ciência que a trouxe para Vila Nova da Barquinha. No caso da diretora do CIEC leva-a a percorrer regularmente mais de 150 quilómetros entre o lar que partilha com os seus “três homens” (o marido e os dois filhos) e a vila ribeirinha que a faz sentir em casa.

Fotos: mediotejo.net

O CIEC, assume, é “mais do que uma amizade” e mais do que o projeto pioneiro a nível nacional tornado realidade no momento da inauguração, a 17 de Abril de 2012, seis anos depois do primeiro contacto feito pelo então presidente da Câmara Municipal, Miguel Pombeiro. O CIEC é o local onde Ana Rodrigues diz ter nascido o seu “amor” pela Barquinha.

“Amor” que não se consegue criar em laboratório e foi mais tarde confirmado pela cientista ao mediotejo.net devido ao “contexto particular” do concelho onde as comunidades política e educativa dão “valor” à educação, as pessoas são “amigas” e as crianças “fantásticas”. Fatores que a motivam a querer dar mais, destacando que numa relação de amor se dá sem querer receber, mas “se recebermos, acabamos por alimentar esse sentimento”. Estas emoções têm “a sua ciência” e “justificação científica” e são, igualmente, associadas à investigação e à docência, encaradas como a “missão” que a trouxe até à margem do rio Tejo.

A “química” estende-se à população barquinhense que considera ser uma peça fundamental no trabalho que desenvolve no espaço de educação não formal em ciências e é convidada a entrar nas inúmeras atividades desenvolvidas ao longo do ano. Aos habituais cafés e jantares com ciência, ateliers e workshops poderão juntar-se, brevemente, iniciativas intergeracionais que promovem a partilha de saberes e a construção de projetos em família. No futuro também se prevê o alargamento do conceito do ensino experimental das ciências desenvolvido no CIEC a outros municípios do Médio Tejo com o apoio dos fundos comunitários do PT2020.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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