VN Barquinha | À descoberta da arte pública pelos caminhos do projeto Artejo c/fotos)

Chama-se Projeto Artejo – aglutinação das palavras Arte e Tejo – e leva-nos à descoberta da arte pública em 11 locais espalhados pelas freguesias do Concelho de Vila Nova da Barquinha. No sábado, dia 14, a Câmara Municipal organizou mais uma visita guiada pelas 11 obras sendo guia o coordenador do projeto, Carlos Vicente, técnico de cultura na autarquia e ele próprio um dos autores de algumas das pinturas.

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O dia amanheceu cinzento, mas a neblina foi-se dissipando à medida que o grupo de uma dezena de visitantes percorria o roteiro artístico no autocarro da Câmara.

Habitualmente há um grupo de 20 professores e familiares do Entroncamento que participam nestas visitas regulares, mas que desta vez não compareceu porque, dias antes, tinha falecido uma colega professora do Entroncamento. A viagem à descoberta da arte pública começou junto ao Centro Cultural, onde Carlos Vicente explicou como surgiu o projeto e do que consta.

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Vhils, Manuel João Vieira, Violant e Carlos Vicente foram os autores das 11 intervenções de arte pública espalhadas pelas ruas da vila e aldeias do concelho.

Uma das pinturas mais impactantes do Projeto Artejo. Foto mediotejo.net

O Artejo é um projeto artístico com a comunidade, promovido em parceria com a Fundação EDP e a Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha e surge integrado no “Arte Pública Fundação EDP”, um programa com âmbito nacional e orientação para territórios de baixa densidade, como instrumento de inclusão social.

Segundo os promotores o que se pretende é “democratizar o acesso à arte e permitir o envolvimento da população em novas experiências culturais, bem como estimular o desenvolvimento local através da realização de intervenções artísticas em espaço público”.

E aquilo que eram postos de transformação da EDP, depósitos de água, paredes de prédios ou outras infraestruturas foram transformados em objetos de arte.

Não passam despercebidas a quem circula a pé ou de carro as grandes obras artísticas que surgiram em 11 espaços diferentes durante 2018 e 2019. Curiosamente o mesmo número de obras que podem ser apreciadas no Parque de Escultura Contemporânea no parque ribeirinho.

Visita guiada às 11 intervenções do Projeto Artejo em Vila Nova da Barquinha.

Publicado por mediotejo.net em Sábado, 14 de dezembro de 2019

Logo em frente ao Centro Cultural, Carlos Vicente pintou um depósito das Águas do Centro com referências ao rio Tejo, aos barcos e atividade fluvial tão importante que foi desde tempos remotos nesta região. O rio funcionava como principal via de transporte de produtos do interior para a capital e vice-versa.

Carlos Vicente é o coordenador do Projeto Artejo. Foto mediotejo.net

O título “Nau Catrineta” remete para esse passado, desde as galeotas Templárias aos barquinhos de papel com que as crianças brincavam.

O autocarro leva-nos à paragem seguinte, junto à escola D. Maria II. Na empena de um prédio de três andares, uma pintura causa impacto pela sua grande dimensão mas também pelo que é retratado. Destaca-se a figura de uma mulher decotada que supostamente retrata D. Maria II. “Sophia” foi o nome que o autor, Violant, deu a esta obra. Para vencer os mais de 15 metros de altura, o pintor utilizou uma grua.

Mais uma frente, uma breve paragem para apreciarmos o trabalho que Carlos Vicente juntamente com alunos do 12º ano do curso profissional de Multimédia da Escola D. Maria II desenvolveu num posto de transformação em frente à escola. “Adolescências” é o título da obra que se relaciona com as crianças e jovens que frequentam a escola e o jardim de infância.

Pintura na antiga escola da Praia do Ribatejo. Foto: mediotejo.net

Cardal é o próximo destino. No centro desta aldeia espera-nos mais uma obra impactante de Violant. As quatro paredes brancas de um PT  foram transformadas num pintura sobre o tema do aquecimento global. Mayday, assim se chama, a obra que nos mostra uma cidade em estado pós-apocalíptico.

Seguimos em direção a Atalaia, onde um PT desativado é agora destino de romaria para os visitantes apreciarem uma obra do conhecido artista português Vhils. Numa terra onde chegaram a existir mais de 30 olarias, esta atividade serviu de inspiração para um trabalho em baixo relevo que consiste na picagem da superfície em cimento das paredes. Ali está retratado um oleiro em plena atividade. O trabalho foi baseado numa fotografia de Pérsio Basso que retrata o oleiro João Caetano.

A sexta paragem é na própria vila, na zona do Alto da Fonte. Mais um PT transformado em obra de arte, desta vez pelas mãos de Manuel João Vieira, mais conhecido por ser o eterno candidato a Presidente da República e por ser vocalista dos ENA PA 2000 e de outras bandas. Filho de artistas plásticos, o autor optou por uma pintura em azulejo intitulada “Quase Banda Desenhada” que ocupa a parte central das quatro paredes da estrutura.

Limeiras é o próximo destino. Mais um PT e mais uma pintura de Carlos Vicente, junto ao restaurante “A Carroça”. Desta vez a inspiração foi “O Campo”. Árvores, parras, corvos e um gato compõem a pintura, para a qual o pintor teve de usar um andaime.

Regressamos para as imediações do rio Tejo e chegámos à antiga escola primária da Praia do Ribatejo, onde a Junta de Freguesia criou um núcleo museológico alusivo à I Guerra Mundial. Foi, aliás, este tema que inspirou o artista plástico Violant para criar mais uma pintura de grandes dimensões numa empena da antiga escola. “Ausência” é o título da obra que retrata uma família destroçada pela guerra.

Seguimos para Tancos onde encontramos duas pinturas: a primeira de Carlos Vicente, num PT, intitulada “Mãos de Arrais” e que pretende homenagear os marítimos que do rio Tejo tiravam o seu sustento. Mais, abaixo, na parede lateral da Junta de Freguesia, está a única obra feita a dois: Violant e Carlos Vicente, que exploraram a história do barqueiro, o lobo, a ovelha e a couve.

De regresso à vila, nas traseiras da Loja do Cidadão, apreciamos a última pintura deste roteiro artístico que é o Projeto Artejo. É mais uma obra de grandes dimensões feita por Violant. “Vertigo” retrata um yuppie a cair rodeado de notas, numa alegoria aos jogos de poder e aos negócios sujos.

Foram duas horas que passaram rapidamente mas que valeram a pena pelas obras, pelas técnicas, mas sobretudo pelas mensagens que cada uma transmite.

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José Gaio
Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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