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Quarta-feira, Agosto 4, 2021

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“Violação: a culpa é da vítima?”, por Helena Pinto

O caso da violação coletiva de uma jovem no Brasil colocou, novamente, na ordem do dia o debate sobre a violação das mulheres – um crime terrível e que continua, por diversas razões, envolto em silêncios e muita tolerância.

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Veja-se este caso: uma jovem de 17 anos, violada por 30 homens! Repito 30 homens. O caso chegou aos meios de comunicação social em todo o Mundo. Não por ter sido notícia no Brasil, mas porque um grupo de jovens mulheres romperam o silêncio e fizeram um vídeo a denunciar a situação, que se tornou viral na net. Porque no Brasil, parece que o assunto não existia, ou então era um “não assunto”, “uma coisa que aconteceu a uma mulher, que provavelmente se vestia de determinada maneira, estava no local errado, etc., etc.”

Sabemos que as denúncias têm aumentado, inclusive no nosso país. Mas também sabemos que são uma pequena percentagem sobre a realidade deste crime. Sabemos que a violação é uma arma em cenários de guerra, sabemos que as mulheres que se encontram nos campos de refugiados estão muito expostas a este crime, sabemos que há locais em que não é permitido às mulheres andarem tranquilas pela rua ou nos transportes públicos. Lembremos o caso da jovem da Índia, violada e assassinada, também em grupo, num autocarro…

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Sabemos tudo isto, mas ainda ouvimos comentários que dizem “ela não se devia vestir daquela forma…” ou “ela não devia passar naquele lugar…”

Esta tendência para culpar a vítima, que, objetivamente assume que as mulheres não são livres como os homens, que o espaço público tem outras regras para elas, alimenta a impunidade dos criminosos e desarma a sociedade no seu todo para o que há a fazer para travar o abuso das mulheres e das raparigas.

Hoje, é o dia internacional das crianças, é bom refletir sobre estes temas, sobre o futuro de muitos milhares de meninas por esse mundo fora e pensar que o foco da nossa atenção e da nossa intervenção é a liberdade de todos e de todas, o respeito pela vontade de cada um e de cada uma e nunca, nunca centrar a responsabilidade, quando não mesmo a culpa, na vítima.

Helena Pinto, vive na Meia Via, concelho de Torres Novas. Tem 58 anos e é Animadora Social. Foi deputada à Assembleia da República, pelo Bloco de Esquerda de 2005 a 2015. É atualmente Vereadora na Câmara de Torres Novas.
Escreve no mediotejo.net às quartas-feiras.

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