“Vinho Medieval, branco e tinto”, por Armando Fernandes

Há semanas o crítico de vinhos Rui Falcão escreveu um bem estruturado artigo relativo à produção de vinhos no concelho de Ourém tendo como referência a matricialidade medieval dos mesmos, não se esquecendo de enunciar as formas e fases de produção.

PUB

No dia 18 de Julho, no decurso de um almoço realizado em Fátima, veio à baila o dito cujo vinho porque um produtor o mencionou, dando azo a cativante troca de opiniões não só sobre a sua ancestralidade secular, também no respeitante ao achamento comercial e inserção no sector da restauração.

Se ao almoço a conversa decorreu trepidante em torno do fazer vinhos e apreciadores, no final da sessão de trabalho, o Senhor Carlos Sousa, assim se chama o produtor, entendeu obsequiar-me com amostras dos seus vinhos – branco e tinto – fruto de uvas de vinhas plantadas na localidade de Favacal (Ourém), delas resultando um branco elegante, fresco, bem estruturado e guloso.

PUB

Após a prova sensorial, onde exibiu cor brilhante num saliente amarelo palha, animou uma refeição composta por anchovas em conserva estreitadas em bolachas amanteigadas, dourada assada no forno na companhia de batatas pequenas previamente entaladas, finalizando com uma fatia de bolo de queijo. Também foi aferido na condição de aperitivo no final da tarde quente e abafada. Recebeu elogios provenientes de várias bocas.

O tinto no copo de prova revelou-se sem mácula no referente à cor granadina carregada, o nariz disse ter aspirado aromas a fruta madura de frutos negros, ameixas e amoras, num entrelaçado com fragâncias florais silvestres, no palato mostrou-se resoluto, de taninos domesticados, com final feliz porque guloso.

PUB

No que tange a acompanhamento de comeres no decurso de duas refeições compostas por saladas, peixe assado no forno e frito, pato assado embrulhado em arroz untuoso e queijos de cabra e ovelha. Agradou de tal forma que nas garrafas das amostras nem gotas ficaram. Salvo melhor opinião este tinto enlaça adequadamente com comeres de caça de pêlo e pena, carnes vermelhas assadas ou guisadas, charcutaria e enchidos de massa, bolas e folares de carnes, ainda queijos de todas as cataduras, excepto os destinados a meninos e doentes. Os tais sensaborões, das ditas!

O vinho «medieval» fruto do engenho e esforço do Senhor Carlos Sousa, para além do lastro histórico envolvente, tenderá a ser marca distintiva de um território pouco conhecido como alfobre de vinhos a ficarem na memória de quem os degusta. Assim se deseja.

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).

pub

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here