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Sexta-feira, Maio 14, 2021

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Vila Moreira: DAMA atuam hoje nos 100 anos das Festas Cívicas mais antigas de Portugal

E tudo terá começado com muito vinho, petiscos e pancada à mistura. As mulheres estavam fartas de cenas tristes e organizaram festas à porta de casa para controlar os maridos. Um século depois, com duas guerras mundiais e crises económicas pelo meio, o certame continua a realizar-se, ininterruptamente, em Vila Moreira, hoje com a atuação dos DAMA. Serão as Festas Cívicas mais antigas do país. O padroeiro é São João mas, sublinha a organização, não há aqui missas e procissões à mistura. Apenas um bom espírito bairrista que nunca deixou morrer a iniciativa popular. Até domingo, dia 26 de junho, nesta extinta sede de freguesia do concelho de Alcanena.

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Quem conta a história ao mediotejo.net é um entusiasta da narrativa do certame, António Coelho, membro da Comissão do Centenário. Começa por sublinhar que estas são festas pagãs, que nada têm que ver com a Igreja, apesar de, devido à altura do ano, terem recebido como santo padroeiro o São João. Nasceram em 1916 e realizaram-se ao longo do último século sem nenhuma interrupção.

foto Comissão do Centenário das Festas de Vila Moreira
foto Comissão do Centenário das Festas de Vila Moreira

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Com uma primeira República intermitente e em vésperas da partida para a Primeira Guerra Mundial, não se percebe muito bem como resistiram ao tempo estas Festas. “Em 1916 Vila Moreira ainda se chamava Casais Galegos. Nessa altura, no dia de São João, que era feriado, os homens iam para o Alviela fazer uma sardinhada. Comiam e bebiam bem e já regressavam para casa com os copos”, narra António Coelho. A farra não ficaria por aí. Os mesmos homens paravam, no regresso, em outras festas, nomeadamente uma Feira que se realizava na localidade de São Pedro. “Também aí comiam e bebiam. Resultado: acabavam por brigar e chegavam a casa todos feridos”.

A iniciativa das Festas Cívicas terá então partido de um grupo de mulheres, na tentativa de evitaram as zaragatas de São João. “Uma Festa para os homens não lhes aparecerem todos partidos em casa. E assim começou…”, comenta entusiasmo António Coelho.

Atualmente as comissões de festas são mistas e organizadas por nomeação para o  ano seguinte. “Ainda é uma honra para casa vila moreirense” ser nomeado para esta comissão. “Sobrevivemos a tudo: a duas guerras, a crises. Só mesmo por grande espírito bairrista”.

As Festas Cívicas são o evento mais identitário de Vila Moreira, ao lado dos curtumes. António Coelho explica ainda que o velho nome da localidade, Casais Galegos, se deve ao facto de ali ter chegado um galego fugido das invasões franceses e aí se ter fixado, casando com uma senhora que vendia cereais. Encontrando bons condições para a prática do curtume, nasceria assim a indústria que hoje é o grande motor do concelho.

Em 1920, com a ascensão a sede de freguesia, optou-se por mudar o nome de Casais Galegos para Vila Moreira, uma vez que já não residiam aí habitantes da Galiza e havia uma grande querela pela propriedade da Fonte Moreira contra Alcanena. António Coelho comenta que a disputa era tal que chegou a intervir o exército, tendo-se registado uma morte nos confrontos.

António Coelho não é historiador, apenas um curioso da história da sua terra. “Só o gosto de ser moreirense” justifica o seu interesse por conhecer todos estes pormenores que marcaram o crescimento de Vila Moreira. O dinheiro arrecadado com as Festas Cívicas, explica, não vai para a Igreja, mas é distribuído em prol de uma qualquer necessidade local, “por associações ou para melhoramentos” na freguesia (hoje ironicamente anexada a Alcanena).

O Centenário abriu no dia 23, quinta-feira, com a sua sardinhada, a mesma que se realizava noutros tempos nas margens do Alviela. Hoje, dia 24, sexta-feira, atuam os DAMA, cabeças de cartaz, e dia 26, domingo, o grupo P’ uta da Loucura. Ao longo do fim-de-semana está em funcionamento o tradicional restaurante, com frango assado e um prato alternativo diferente todos os dias. A noite do último dia termina com os Parabéns às Festas, bolo de aniversário, uma largada de 100 balões e muito fogo de artifício.

As Festas são o culminar de um conjunto de iniciativas que marcaram o último ano em Vila Moreira, para celebrar o Centenário: uma noite de fados, um concerto com a Banda da Força Aérea e a participação na segunda edição da Feira de Vila Moreira. Após as Festas Cívicas deste fim-se-semana, encerra-se a comemoração dos 100 anos. Escolhe-se nova comissão e… para o ano há mais!

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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