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Sábado, Dezembro 4, 2021
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Vila de Rei | “Temos que tomar medidas mais corajosas [para o Interior], tratar diferente o que é diferente”, diz Ministra da Coesão

Ana Abrunhosa reconheceu que é necessário fazer "mudanças estruturais", que "implicam olhar para os territórios do Interior de forma completamente diferente", porque senão "não seremos um país inteiro".

A Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, visitou Vila de Rei na manhã desta segunda-feira, dia 24 de maio, para participar na inauguração de três infraestruturas recentes do concelho: expansão da Zona Industrial do Souto, sombreamento das tasquinhas do Parque de Feiras de Vila de Rei e o novo Parque da Ribeira da Vila. Antes da visita, numa sessão que decorreu no Salão Nobre do edifício dos Paços do Concelho, o autarca de Vila de Rei solicitou à governante que levasse até Lisboa o “eco” sobre a necessidade de “implementação de mais políticas territoriais de discriminação positiva para com o Interior”. A ministra defendeu, a par do que foi pedido pelo autarca vilarregense, que devem ser tomadas diferentes medidas para o Interior do país, referindo que urge “tratar diferente o que é diferente”, com “mudanças a sério, que têm de ser estruturais”.

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A governante referiu que as mudanças “implicam olhar para os territórios do Interior de forma completamente diferente. Não um Interior de mão estendida, mas que deve ser valorizado, porque senão não seremos um país inteiro”, disse, reconhecendo que este território “tem de ser valorizado, porque tem potencialidades e riqueza a dar ao país”.

ÁUDIO | Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa

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Ana Abrunhosa reconheceu a dificuldade e os esforços redobrados impostos aos empresários que investem nos territórios de baixa densidade, tendo dito que um empresário no Interior “tem custos de contexto superiores ao resto do país”.

“Uma empresa para desenvolver atividade económica aqui tem custos muito maiores do que uma empresa num território com melhores acessibilidades, com um porto. O mesmo acontece com uma IPSS ou uma associação”, exemplificou.

Tendo presente que não se pode obrigar ninguém a viver onde não quer “por decreto”, a ministra afirmou que devem então dar-se condições de vida aos que escolhem trabalhar e viver a estes territórios, mencionando existir “uma janela de esperança” pelo facto de se verificarem movimentos de pessoas e famílias a migrarem para concelhos do Interior.

Ana Abrunhosa, Ministra da Coesão Territorial, em Vila de Rei. Créditos: mediotejo.net

“Temos que tomar medidas cada vez mais corajosas, tratar diferente o que é diferente”, disse, referindo que é “urgente” rever o mapa de referência de territórios do Interior, mais vulneráveis, defendendo um trabalho conjunto com os municípios e com a comunidade científica, no sentido de alcançar os diferentes gradientes e medidas diferenciadas.

Coesão territorial, conforme o discurso proferido por Ana Abrunhosa, é sinónimo de “espaços verdes, espaços públicos acolhedores para o cidadão, transportes adequados às realidades e necessidades locais e regionais”, e, neste ponto, focou o trabalho da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo com o projeto Transporte a Pedido. “Foi uma Comunidade Intermunicipal pioneira no transporte flexível, vamos querer alargar esta boa prática a todas as Comunidades Intermunicipais dos territórios do Interior”, explicou.

“Coesão é também a mobilidade sustentável, com recurso a ciclovia; serviços públicos eficientes e próximos das pessoas; escolas seguras, modernas e capazes de dar aos nossos jovens as qualificações de que precisam; trabalhadores bem informados e bem qualificados, essenciais para tornar o nosso país mais competitivo e resiliente; empresas dinâmicas e competitivas, porque não conseguimos fixar e atrair pessoas senão conseguirmos que as empresas venham para estes territórios e se implantem em zonas industriais, que hoje têm que estar dotadas de equipamentos (…)

A Ministra da Coesão Territorial elogiou e congratulou a autarquia pelo projeto da Unidade Móvel Esperança Porta-a-Porta, pelo trabalho de proximidade, de coesão social e territorial efetuado pelo município em colaboração com a equipa de CDLS 4G. “Nem sequer são necessários recursos muito elevados; é necessário vontade e pensar na maneira de estarmos mais próximos das pessoas”, frisou.

Foto: mediotejo.net

No futuro, segundo a governante, o caminho será “em vez de multiplicar serviços e infraestruturas, encontrarmos novas formas de chegar a todo o lado e a todas as pessoas, com respostas adequadas à situação de cada um, onde quer que ela viva. Isso é coesão”.

ÁUDIO | Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa

Por fim, Ana Abrunhosa colocou a tónica sobre os autarcas, enquanto inspiração e exemplo para a “construção do futuro” do Interior. “Ninguém vem do governo ou de outro sítio qualquer ensinar um presidente de Câmara como se faz coesão no seu território. Mas muitas das vezes as ações e investimentos não dependem só das Câmaras Municipais, das Assembleias Municipais e Juntas de freguesia”, assumiu.

A Ministra da Coesão Territorial referiu que o governo pretende trabalhar para que “no próximo quadro comunitário, as juntas de freguesia possam também ser beneficiárias de fundos europeus naqueles equipamentos que correspondem às suas competências no trabalho de proximidade e apoio” às populações.

“Política é isto, é fazer escolhas, é canalizar. Sabemos que os meios não são ilimitados. E nós, para a coesão social e territorial, no território, já fizemos algumas escolhas e escolhemos parceiros fundamentais da coesão, e as juntas de freguesia, além dos municípios, das Comunidades Intermunicipais, tantas vezes fazem um papel invisível mas absolutamente fundamental”, concluiu.

Na abertura da sessão, o presidente da Câmara de Vila de Rei deixou alguns recados ao governo, nomeadamente para que tome medidas de valorização e discriminação positiva para os territórios do Interior do país.

Ricardo Aires, presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei. Créditos: mediotejo.net

Ricardo Aires, presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei, começou por referir que “as assimetrias entre o litoral e as regiões do Interior são enormes, pelo que urge um novo olhar e mais políticas estruturais para estes territórios. Nestas regiões há diferenças assustadoras entre territórios distanciados entre 20 e 30 quilómetros”.

ÁUDIO | Ricardo Aires, presidente CM Vila de Rei

Lembrando o desafio lançado pela Ministra aos autarcas para colaborar na realização e concretização do Mapa de Municípios de Baixa Densidade, aquando a assinatura de protocolos no âmbito da Rede de Espaços de Coworking/Teletrabalho no Interior, que Vila de Rei também integra, Ricardo Aires defendeu que este mapa deve denominar-se “Mapa de Municípios Economicamente de Baixa Densidade”.

O social democrata pediu que o mapa em causa possa ser elaborado pelo Ministério da Coesão Territorial “com critérios adequados, de modo a que haja efetivamente um Mapa de Municípios Economicamente de Baixa Densidade para então haver uma maior atração de empresas para estes territórios, e ao mesmo tempo, também pessoas, e assim gerar mais riqueza”.

As empresas de Vila de Rei, lembrou, pagam o mesmo que as sediadas no Litoral. “Os nossos empresários são autênticos guerreiros, uns heróis que não desfalecem perante as dificuldades, mas são merecedores de uma discriminação positiva”, sublinhou na presença de Ana Abrunhosa.

O autarca vilarregense solicitou que a ministra fizesse “eco” deste pedido junto do Governo, “para que haja maior diferenciação positiva de modo que o nosso país ande a uma só velocidade”.

Abordando, por fim, o motivo da vinda da governante ao concelho para a inauguração de três infraestruturas municipais, que contaram com comparticipação de fundos comunitários, o presidente da Câmara passou a especificar cada um dos investimentos.

ÁUDIO | Ricardo Aires, presidente CM Vila de Rei

Referindo-se ao novo Parque da Ribeira da Vila, falou de um novo “espaço simultaneamente de lazer e educativo”, com o objetivo de dar “mais qualidade de vida e bem-estar para a comunidade”.

Numa zona que liga o centro histórico e urbano à zona da ribeira da vila, onde se situa o Complexo Desportivo e a Escola Básica e Secundária de Vila de Rei, permite a utilização não só pela comunidade e visitantes, como também por parte dos alunos e docentes da escola para atividades diferenciadoras. Teve um investimento de 253 mil euros e comparticipação de cerca de 75% pelo Programa Operacionais Centro2020, e “tornou-se numa das principais zonas de lazer, turismo e desporto do concelho”.

A ministra Ana Abrunhosa em Vila de Rei. Créditos: mediotejo.net

Tem um anfiteatro ao ar livre, um snack bar de apoio, casas de banho, circuito de manutenção, bem como mobiliário urbano, desde bancos a mesas de parque de merendas.

Outro investimento inaugurado, a metros da Câmara Municipal, e inserido no Parque de Feiras da vila, trata-se de uma cobertura em madeira, com 600 metros quadrados, para sombreamento da zona de tasquinhas que serve os vários eventos organizados no local, nomeadamente a emblemática Feira de Enchidos, Queijo e Mel. Este investimento integra-se numa medida de combate às alterações climáticas e custou 146 mil euros, com comparticipação a 100% pelo POSEUR.

“Pretendeu-se criar mais e melhores condições de bem-estar físico e psíquico, porquanto a ocorrência de dias com temperaturas elevadas ou com ondas de calor são comuns e com tendência para aumentar, de acordo com as previsões constantes do Plano Intermunicipal do Médio Tejo”, ao passo que proporcionará “melhor conforto térmico ao expositores e visitantes” dos vários eventos que ali se realizem.

A ministra inaugurou três novos equipamentos em Vila de Rei. Créditos: mediotejo.net

Ricardo Aires destacou ainda a política municipal do programa de apoio à modernização do comércio local, às empresas e agentes económicos, que concede benefícios e condições “favoráveis à fixação de firmas e negócios, bem como incentivos económicos por cada posto de trabalho criado”.

Para levar a cabo esta estratégia, “a Zona industrial do Souto tem merecido especial atenção, num investimento de mais de 915 mil euros”, com comparticipação de cerca de 75% pelo Programa Operacional Centro2020.

A expansão da Zona industrial do Souto, com localização privilegiada, a par da proximidade com a Estrada Nacional 2, permitiu a criação das infraestruturas necessárias para 26 lotes, passando a sua área para mais de 12 hectares.

O projeto visou responder às necessidades de espaço de localização de empresas, ao mesmo tempo que contribui para a estratégia do Município de Vila de Rei no incentivo à fixação de empresas na região, à criação de postos de trabalho e ao desenvolvimento económico e social no concelho.

Os investimentos incluídos no projeto contemplaram as obras de construção de infraestruturas, movimentações de terra, saneamento, abastecimento de água, rede elétrica, iluminação, arruamentos e ETAR.

Ana Abrunhosa inaugurou a nova zona industrial de Vila de Rei. Créditos: mediotejo.net

Dos 26 lotes, três estão destinados para zona de equipamentos, e nos 18 lotes já reservados existem 12 empresas, seis delas já edificadas. Até ao momento foram criados 22 postos de trabalho e estão previstos mais de uma centena.

“Temos de continuar a trabalhar de forma concertada, rentabilizando recursos, garantindo a sustentabilidade do concelho e o bem-estar das populações. Da nossa parte, a garantia de que vamos continuar a dar o nosso melhor para que Vila de Rei continue a ser um concelho onde dá gosto viver, que sabe inovar e sabe receber, um concelho solidário, criativo e inclusivo”.

As candidaturas efetuadas para a expansão e requalificação da Zona Industrial do Souto e para construção do Parque da Ribeira da Vila foram aprovadas pela CCDR Centro quando era presidida pela agora ministra Ana Abrunhosa, sublinhou Ricardo Aires.

Na sessão estiveram presentes Cláudia André, deputada do PSD eleita pelo círculo eleitoral de Castelo Branco à Assembleia da República, e também vereadora da Câmara Municipal da Sertã; Jorge Brandão, vogal da CCDR Centro; Miguel Pombeiro, secretário executivo da CIM do Médio Tejo; Carla Sarmento, em representação da Assembleia Municipal de Vila de Rei; vereadores da Câmara Municipal de Vila de Rei e presidentes de junta de freguesia, entre outros representantes de várias entidades e instituições do concelho.

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Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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