Vila de Rei: Dividindo a Grande Rota do Zêzere até se avistar o Penedo Furado (c/VÍDEO)

O São Pedro ameaçou, e ainda molhou os cerca de 40 inscritos no último troço da Grande Rota do Zêzere, o último de quatro passeios pedestres organizados no concelho a terminar na Praia Fluvial do Penedo Furado. 11 quilómetros depois, nem a chuva retirou a beleza paisagística, com o saborear de medronhos maduros, o cheiro de plantas silvestres e terra molhada, o entusiasmo das cascatas que, agora, mudaram a cor das suas águas, e o espelho azul esverdeado de um dos braços da Albufeira de Castelo do Bode. Tudo bons motivos para partir à descoberta, se possível acompanhado. Nós partimos em percurso guiado, com a ZêzereTrek, à descoberta do património natural de Vila de Rei. Venha connosco. Espreite o vídeo e a fotogaleria. Porque uma vez mais… vai valer a pena!

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Já haviam avisado que o melhor teria sido deixado para esta parte final. Como o tempo se avizinhava cinzento, todos seguiam acanhados e munidos de impermeáveis, chapéus de chuva, chapéus,… De autocarro, onde o quentinho começava a tornar-se agradável e a deixar todos um pouco dormentes, prosseguiu-se caminho até ao cruzamento desde Macieira, até à Aveleira. E depois a Cabecinha.

Atravessando-se as aldeias, por entre desníveis um pouco acentuados, e maioritariamente feita a caminhada em zona florestal, ainda foi possível apreciar caraterísticas específicas de plantas e espécies autóctones, fenómenos geológicos, cursos de água.

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Sempre alocado o património edificado, nomeadamente o Lagar das Cercadas, outrora utilizado à vez pelos populares, restando agora vestígios numa luta contra o tempo.

E eis que o percurso começa a ser acompanhado por um dos braços da Albufeira de Castelo do Bode, com tons desiguais, pelo reflexo do céu nublado que deixava passar alguns raios de sol.

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Momento para uma pausa, respirar fundo e tirar algumas fotos… e sim, também se tiraram muitas selfies. Mais adiante, os fenómenos geológicos começam a ser mais frequentes, podendo observar-se as conheiras e quartzitos.

E depois, a subida mais íngreme de todo o percurso: até à povoação da Cabecinha. O impacto é bastante grande, mas ao chegar ao topo, a vista é de cortar a respiração.

Estamos a 1 km da Albufeira de Castelo do Bode, conforme indicava o azulejo ali prostrado.

Atravessamos a aldeia, com o cheiro a grelhados do almoço de populares, que ao ver passar o grupo, ofereciam as iguarias. Mas não. Ficou para outro dia, porque para a frente é que é caminho. E estava quase no final.

Bruno Cardoso, da ZêzereTrek, foi sempre fazendo um acompanhamento do percurso, com pequenas notas. Ali, numa das casas, encontramos um dos produtores de mel biológico do concelho, segundo explicou.

Depois, seguindo pelo PR3 VLR, em direção ao Penedo Furado, entramos numa zona de clareira, onde os medronheiros são presença assídua. Escusado será dizer que muito se provaram medronhos e amoras silvestres, adoçando a boca e dando força para o caminho. Isto depois de, a meio da manhã, durante o reforço se terem provado as broas típicas, feitas de manhã cedo, e ali servidas na cesta.

Pois bem, começa-se a avistar o conjunto rochoso, no cimo da depressão rochosa da Ribeira de Codes. O vento já traz partículas e, lá ao fundo do vale, entoam as quedas de água das aclamadas cascatas (piscinas, especialmente no verão) do Penedo Furado.

Avistam-se as estatuetas do Miradouro das Fragas do Rabadão, onde existe uma via-sacra e um pequeno santuário, cujas estatuetas foram oferecidas por populares. Lá do alto, onde acabariam por subir, uma das estátuas espreita como que a indicar a proximidade com as primeiras cascatas do lugar. Agora o percurso seria mais fácil. A praia fluvial estava perto. E era hora de regressar a Vila de Rei, o ponto de partida. O autocarro esperava, e o contentamento era geral. Prova de que, seja qual for a estação do ano, e independentemente de se preverem chuviscos, céu nublado e vento frio, a vontade e o gosto por contactar com novos sítios e conhecer a natureza, a fauna e flora das regiões se sobrepõem.

Há muito por descobrir. 370 km de extensão da GRZ que percorrem 13 concelhos. Este foi um pequeno excerto, integrado no concelho e promovido pela autarquia em conjunto com a ZêzereTrek, uma empresa de animação turística, fundada em 2015 e que opera a partir de Vila de Rei.

Tem como área de atuação a área de influência do Rio Zêzere e da Albufeira do Castelo do Bode. Bruno Cardoso, responsável da empresa, disse ao mediotejo.net que a empresa veio preencher uma “lacuna no concelho”, e faz uma aposta de caráter diferenciador, uma vez que nas várias atividades se dá “um cunho pessoal e uma qualidade superior”.

O objetivo “é diferenciar e diversificar as atividades, mas o core business é o trekking e as caminhadas temáticas, mas dando sempre um cunho diferente ao que normalmente é oferecido”. Também a canoagem, o stand up paddle e os passeios de barco têm sido introduzidos na dinâmica da empresa – que completa nesta altura um ano de existência – “uma área que estamos a apostar imenso aproveitando o potencial que temos da barragem de Castelo do Bode”, acrescentou.

Se não ficou convencido, ou se por outro lado quer provas de que este percurso é realmente interessante com grandioso património natural… Espreite aqui, e veja com os próprios olhos. Mas fica lançado o desafio, uma vez que está sempre a tempo de partir à descoberta de Vila de Rei.

 

 

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