Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Segunda-feira, Outubro 25, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Vila de Rei | CTT quer encerrar a única loja de correios existente no concelho

A administração dos CTT – Correios de Portugal decidiu encerrar a loja de Vila da Rei. Ainda não há data definida até porque os CTT comprometeram-se em manter o balcão aberto até surgir um privado que possa assegurar o serviço postal em Vila de Rei, uma vez que aquela loja é a única do concelho. A informação foi avançada em reunião de Câmara, esta sexta-feira, 19 de outubro, pelo presidente Ricardo Aires (PSD).

- Publicidade -

Um dia depois dos CTT anunciarem o montante de 40 milhões de euros para modernizar distribuição do correio em Portugal, o presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei anuncia a intenção da administração dos CTT – Correios de Portugal: o encerramento da loja de Vila de Rei. Trata-se do único balcão do concelho, deixando sem serviço postal “mais de 1500 pessoas”, caso não seja encontrado um privado que substitua os Correios e continue a prestar o serviço público.

A administração garante que a loja não será encerrada sem ter encontrado esse parceiro, abrindo um posto “algures, numa pastelaria, num café, numa papelaria”, disse ao mediotejo.net o presidente Ricardo Aires (PSD), manifestando particular “preocupação com as dificuldades que serão sentidas pelos mais idosos. Os jovens têm já ferramentas que lhes permitem, com maior ou menor dificuldade, ter acesso a este tipo de serviços. Contudo, a população mais idosa – e num concelho, tal como a grande maioria do interior do País, bastante marcado pelo envelhecimento da população – vai ter bastantes dificuldades e será muito prejudicada com este encerramento”, nomeadamente no pagamento de reformas e pensões.

- Publicidade -

“Sei qual é a diferença entre uma estação de correios e um posto: muitos serviços deixam de estar disponíveis no concelho”, frisou o autarca destacando não só a perda de serviços mas a perda de “qualidade” dos mesmos.

Da parte da Câmara Municipal, os CTT receberam a recusa para assegurar esse serviço. “Somos um serviço público! Não podemos assegurar na Câmara serviços privados. O problema está nos CTT e não na Câmara Municipal, que tem o seu ambiente de trabalho, público”, afirmou Ricardo Aires.

Os motivos alegados pela administração dos CTT para o encerramento: “Pouco movimento, poucas pessoas”, indicou o autarca dando conta que a operadora de serviço postal universal não explicou se a falta de clientes está relacionada com o serviço postal propriamente dito ou com o serviço banco CTT.

A notícia com a intenção dos CTT chegou à Câmara cinco dias antes de, esta sexta-feira, ser levada a reunião de Executivo camarário, com o vereador do Partido Socialista, Luís dos Santos, a atribuir os resultados da política de gestão dos CTT à privatização da empresa, que ocorreu em 2014.

A 12 de outubro, o presidente Ricardo Aires, esteve reunido com o Diretor dos Postos CTT Norte, Francisco Castelo Branco, onde foi comunicado o Plano de Transformação Operacional da empresa, que prevê o encerramento de diversas estações a nível nacional, entre as quais a de Vila de Rei.

Reunião de Câmara Municipal de Vila de Rei

Os CTT não foram, para já, sensíveis aos argumentos apresentados pelo Município sobre a importância da existência da Estação no Concelho e de todas as vantagens que esta assegura à população Vilarregense. Para além da quebra da relação de confiança construída ao longo dos anos entre a população e a Estação CTT local e dos gastos correntes dos CTT em Vila de Rei se prenderem apenas com as despesas básicas (funcionário, energia, água, consumíveis, etc), o encerramento da Estação para a abertura de um posto não assegura a quantidade e a qualidade dos serviços prestados, prejudicando fortemente a população mais idosa que ali se desloca com regularidade para aceder aos mais diversos serviços (pagamento de faturas, rebate de vales, serviços financeiros, entre outros).

Ricardo Aires manifestou “desagrado” pela decisão do encerramento da loja dos CTT considerando incompreensível a política de gestão da operadora de serviço postal uma vez que a loja em Vila de Rei “é da propriedade” dos CTT, e igual “desagrado” com a posição do “Governo Central que diz ter políticas para o Interior, criando agora uma secretaria de Estado para a Valorização do Interior” cujo secretário de Estado é João Paulo Catarino, ex-autarca de Proença-a-Nova e coordenador da Unidade de Missão para o Interior.

Mas “depois encerram serviços no interior”, afirmou o autarca, lembrando que o Gabinete de Inserção Profissional também será encerrado. “É impossível o interior do País dar o salto”, criticou.

Entretanto, o presidente da Câmara enviou duas cartas para Lisboa, a dar conta da “política para o interior”, uma para o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e outra para o primeiro-ministro, António Costa, questionando se “o acordo para-social assinado pelos CTT na época da privatização está a ser cumprido”.

Ricardo Aires acredita que “não! Se o posto a abrir num privado oferecesse todos os serviços… os CTT alegam que o posto assegura o serviço público mas não é verdade”.

A loja dos CTT de Vila de Rei conta com um funcionário, sendo as estações dos CTT mais próximas na Sertã, Sardoal ou Abrantes. “E sem transportes públicos!” lembra o presidente, num concelho onde não há transporte a pedido, existindo diferente modalidade com táxis, que o Município disponibiliza tendo em conta os rendimentos dos munícipes.

No final do ano passado, os CTT apresentaram um Plano de Transformação Operacional que prevê a redução de trabalhadores, bem como a otimização da implantação de rede de lojas através da conversão de lojas em postos de correio ou do fecho de lojas com pouca procura por parte dos clientes.

 

 

 

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome