Vila de Rei | CTT devolvem Loja ao concelho como garantia de proximidade às pessoas e empresas

Os CTT – Correios de Portugal voltaram a assumir esta segunda-feira, dia 9 de novembro, a gestão da Loja na sede de freguesia, após o anúncio de encerramento da mesma e da passagem para posto de correios sob gestão da Junta de freguesia local. Trata-se de um retrocesso pelo qual o Município de Vila de Rei se bateu desde a primeira hora, tendo inclusive chegado a ponderar interpor uma providência cautelar pela decisão da empresa em 2018. Esta é a 21ª Loja dos CTT a ser reaberta. A Junta de Freguesia congratula-se com a reassunção da gestão da Loja por parte da empresa, referindo que apesar do esforço financeiro e logístico, resta o sentimento de missão cumprida e a intenção de recuperar financeiramente para concretizar o que teve de ficar para trás para garantir nos últimos dois anos que a população não perderia acesso aos correios.

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A ocasião de reabertura da Loja contou com momento simbólico de “passagem de testemunho”, reunindo as entidades envolvidas e contando com presença de comitiva da empresa.

Em declarações ao mediotejo.net, João Bento, presidente da Comissão Executiva dos CTT, referiu que a inversão do processo de encerramento de Lojas dos CTT nas sedes de concelho pretende efetivar o “valor da presença e da proximidade às populações e às empresas”.

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Em Vila de Rei os CTT reabrem a sua 21ª Loja, tendo os dirigentes noção da importância da reabertura tendo em conta “a dinâmica de investimento do concelho, com presença de novas empresas, achamos que é importante também cá estar e participar nesse processo”.

Foto: Telmo Martins

O CEO lembrou que os CTT continuaram presentes no território, mas com a Junta de freguesia de Vila de Rei a operar no posto de correios, mas a população pode agora contar com um leque alargado de serviços que deixara de ter com a decisão de encerramento.

Questionado sobre os problemas na distribuição postal e serviço deficitário, que têm aliás sido apontados pelos autarcas da região do Médio Tejo e que motivou uma posição conjunta através da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo com manifestação de desagrado e preocupação junto da administração dos CTT e da ANACOM, o responsável executivo da empresa referiu que fruto da pandemia teve de proceder-se a reestruturação das equipas para garantir operacionalidade mesmo com a necessidade de confinamento e isolamento profilático, mas garante que hoje tudo está normalizado.

João Bento referiu que durante os últimos meses os CTT mantiveram 12 mil pessoas a trabalhar e uma equipa de quase 5 mil carteiros, além das lojas e postos de correio que estiveram sempre a funcionar, até encontrar equilíbrio entre as equipas em confinamento e os recursos humanos disponíveis para operar.

“Durante um período de largos meses, obviamente que tivemos menos pessoas, degradámos a qualidade mas foi a maneira de assegurar que a atividade não parava (…) felizmente está ultrapassado, a partir de agosto, setembro e outubro, temos dados que medimos objetivamente, em particular os dados dos registos e das encomendas, que são medidos automaticamente ao longo do processo de distribuição, e estão com níveis de serviço e de qualidade perfeitamente restabelecidos”, argumentou.

A empresa espera agora que a nova fase de pandemia “não venha afetar seriamente” a operação, tendo presente a importância do serviço de distribuição de correio nos dias que correm, quer para as populações, quer para as empresas.

Foto: Telmo Martins

“O carteiro é muitas vezes a única ligação quando estamos confinados em casa, nas zonas do Interior, entre o mundo e quem está em casa, mas mesmo nas zonas urbanas com esta nova forma de funcionar, muitas vezes a única forma que há até para adquirir bens essenciais é fazê-lo remotamente, e a entrega e distribuição desses bens é decisiva, e o carteiro é também o herói desta fase da nossa vida”, garantiu.

Por outro lado, e falando de heróis, este dia marcou o final de um desafio a todos os níveis para a junta de freguesia de Vila de Rei, a quem acabou por “cair no colo” e “de surpresa” a necessidade de garantir um posto de correios local.

A junta de freguesia assume que o esforço financeiro ao longo de dois anos de gestão do posto de correios foi grande, e teve de “despender de dinheiro de tesouraria para colmatar uma possível falha no atendimento e serviço à população”.

O presidente Sérgio Francisco refere ter sido “apanhado de surpresa” pela situação, que acabou por ter de resolver em cooperação com a Câmara Municipal, crê que “o esforço que foi feito não foi visível e que chegou a ter alturas em que a gestão se tornou complicada”.

Apesar da Loja ser propriedade dos CTT e estar adaptada para o efeito, a Junta de freguesia teve de contratar funcionários e adquirir material logístico.

Foto: Telmo Martins

Sendo uma junta de freguesia “num meio pequeno com um orçamento pequeno”, tornou “muito difícil” o processo de contratação de recursos humanos afetos ao posto de correio. “A funcionária que estava ao serviço na loja de produtos locais de Água Formosa acabou por fazer formação e estar ao serviço no posto de correios. O que fez com que tivéssemos de contratar outra pessoa para estar na loja de Água Formosa, e o município apoiou-nos com outra colaboradora”, contextualizou Sérgio Francisco, lembrando que muitas outras situações surgiram e trouxeram desafios a nível de gestão da freguesia.

“Financeiramente não foi fácil… e não ficou fácil! Vamos agora tentar recuperar, mas ficaram algumas coisas por fazer para assumirmos esta responsabilidade”, desabafou o autarca, considerando uma boa notícia o “retrocesso” na decisão anunciada em 2018 pelos CTT e no reassumir da gestão da Loja na sede de concelho pela empresa, e dando conta da intenção de trabalhar para concretizar o que ficou por fazer durante os últimos dois anos e recuperar a nível financeiro.

Recorde-se que este processo remonta a 2018, altura em que o município de Vila de Rei havia criticado a decisão dos CTT – Correios de Portugal de encerrar a sua única estação naquele concelho, ficando a funcionar apenas com um posto CTT.

A autarquia, na pessoa do vice-presidente Paulo César Luís, admite que “nunca aceitou de bom grado a perda de serviços públicos e de proximidade à população, tendo mesmo admitido em 2018 a possibilidade de interposição de uma providência cautelar” à decisão da empresa, tendo feito notar que o fecho da Loja CTT em 2018 correspondeu a uma “desresponsabilização dos CTT pela qualidade de serviços públicos prestados”, a que juntou “as falhas sistemáticas dos prazos de entrega do serviço postal”.

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Joana Rita Santos
Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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