Vila de Rei | Assembleia Municipal aprova Estratégia de Adaptação às Alterações Climáticas

A Assembleia Municipal de Vila de Rei aprovou por unanimidade, na sua reunião ordinária de 27 de fevereiro, a adoção de uma Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas, com vista a promover, em todo o território do Concelho, uma resposta coerente às múltiplas problemáticas relacionadas com as alterações climáticas e colocar o município na linha da frente a nível nacional, no que a estas matérias diz respeito.

A Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas de Vila de Rei prevê, a médio e longo prazo, um conjunto de ações como a promoção do ordenamento florestal e a sua gestão, promoção do aumento da resistência e resiliência das áreas florestais aos fogos, reutilização de águas tratadas de estações de tratamento de águas residuais para regas, promoção e divulgação de técnicas inovadoras e boas práticas comportamentais e tecnológicas que garantam a melhor eficiência energética e/ou hídrica em edifícios, entre outras.

Para Ricardo Aires, presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei, “as alterações climáticas constituem uma das nossas maiores ameaças ambientais, sociais e económicas que a nossa sociedade irá enfrentar. Com a definição desta Estratégia, é nosso objetivo anteciparmos os fenómenos associados e desencadearmos as ações de adaptação adequadas, com vista a salvaguardar a proteção do ambiente, das pessoas e dos bens. Bem como assumir um forte compromisso para integrar as opções de adaptação nos nossos instrumentos de gestão territorial” disse.

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A Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas de Vila de Rei é, desta forma, o primeiro instrumento definidor de grandes linhas orientadoras, de médio e longo prazo, do Município de Vila de Rei para responder às problemáticas causadas pelas alterações climáticas.

Um documento “que tem por base um estudo de uma proposta feita por uma consultora para toda a região do Médio Tejo”, explicou o presidente da Assembleia Municipal, Paulo Duque de Brito. “Esta é a estratégia de mitigação das alterações climáticas, que está mais afeta à zona de Vila de Rei. Que não pode ser estática. Tem de ser altamente dinâmica e faz todo o sentido estar a ser apresentada”, notou.

Assembleia Municipal de Vila de Rei. Créditos: mediotejo.net

Paulo Duque de Brito refere tratar-se de “projetos de inovação e de investigação com parceiros internacionais e nacionais […] não sendo um documento perfeito, que poderá ter outras abordagens e ser completado, fará sentido ser validado pela Assembleia no sentido da Câmara poder concorrer a outras linhas de financiamento e outros projetos, nomeadamente projetos internacionais”.

O deputado Helder Antunes, eleito pelo Partido Social Democrata, fez uma intervenção inicial, antes da Ordem do Dia, onde referiu os apoios do governo central às catástrofes naturais, nomeadamente aos incêndios do verão passado que deixaram o concelho de Vila de Rei com vasta extensão de área ardida.

Falando também da problemática da coesão territorial lembrou que naquele dia iria ser aprovado o terceiro plano no sentido de promover a coesão territorial, mas considerou que o principal objetivo do Governo central é a “propaganda” anunciando medidas que depois não se concretizam no terreno.

“Concretizar e prestar contas, isso já não. Vejamos o anúncio do Governo em fazer os roteiros por todos os distritos nesta legislatura, para anunciar, anunciar, anunciar”, disse durante a sua intervenção que puxou para discussão o tema relativo às alterações climáticas.

“Sabemos que o peso político do interior é pouco e continuará a ser pouco se não passarmos das palavra aos atos. […] O desenvolvimento do interior não se concretiza com o anúncio de medidas, há que passar da propaganda à ação”, concluiu.

Ora, as projeções climáticas para o município de Vila de Rei apontam, entre outras alterações, para uma potencial diminuição da precipitação total anual e para um potencial aumento das temperaturas, em particular das máximas no outono e verão, intensificando a ocorrência de verões mais quentes e secos. É projetado, ainda, um aumento da frequência de ondas de calor e de eventos de precipitação intensa ou muito intensa.

Estas alterações poderão implicar um conjunto de impactos sobre o território municipal, bem como sobre os sistemas naturais e humanos que o compõem. Mesmo na presença de respostas fundamentadas na adaptação planeada aos cenários climáticos futuros, existirão sempre riscos climáticos que irão afetar o município em múltiplos aspetos ambientais, sociais e económicos.

Assim, o Município considera  “fundamental a análise, desenvolvimento e implementação de um conjunto coerente e flexível de opções de adaptação que permitam ao Município estar melhor equipado para lidar com os potenciais impactos das alterações climáticas, bem como tomar partido de potenciais oportunidades”.

A Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas do Município de Vila de Rei estará brevemente disponível para consulta no site do Município.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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