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Segunda-feira, Outubro 18, 2021

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Vila de Rei | A festa que há 29 anos mostra o concelho ao mundo já começou (c/fotos e vídeo)

Arrancou este sábado a 29ª edição da Feira de Enchidos, Queijo e Mel de Vila de Rei, em cerimónia que contou com a presença do secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Miguel Freitas. Antes da visita inaugural aos cerca de 130 expositores/stands que mostram a identidade do concelho através dos seus produtos locais, indústrias e empresas, artesanato, instituições e coletividades, o salão nobre dos Paços do Concelho foi palco da sessão de abertura onde se falou do futuro do Interior do país, de novas metas e estratégias para o concelho, e de iniciativas para a valorização da floresta.

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Paulo Brito, Presidente da Assembleia Municipal de Vila de Rei, abriu a sessão inaugural, referindo-se a uma feira “muito particular” com “três grandes componentes” que envolve a economia local, a cultura e identidade e o caráter social, de convívio e reencontro.

“A grande festa dos vilarregenses, é aqui que se vêm encontrar (…) por isso esta iniciativa é muito relevante para este concelho”, disse Paulo Brito, que aproveitou a presença do secretário de Estado para reforçar a componente económica do concelho durante o seu discurso, realçando os problemas “bastante graves que têm a ver com um despovoamento e envelhecimento populacional muito grande da região” do Interior do país, notando as várias apostas e estratégias tomadas pelo concelho para tentar contrariar estas tendências.

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Paulo Brito afirmou ainda a necessidade de valorização de “dois grandes produtos”, além dos produtos endógenos, referindo-se à exploração turística da Albufeira de Castelo de Bode e à valorização da floresta.

O presidente da mesa de Assembleia deixou ainda “recado”, no sentido de a população se unir em torno de uma perspetiva comunitária, para fazer valer novos projetos, recordando a candidatura apresentada pelo município no sentido de instalar uma central de biomassa, um projeto onde “o município está de corpo e alma e quer que o projeto possa ir em frente (…) estamos convencidos que é uma área que pode dar-nos um aumento significativo na componente económica, criando um pólo de desenvolvimento sério na componente da floresta”.

Por seu turno, Ricardo Aires (PSD), presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei, não deixou de destacar os 29 anos de existência do certame, que dá a conhecer “o concelho, as suas gentes, as suas potencialidades, os produtos endógenos e as iniciativas implementadas”, e que “de ano para ano tem superado todas as expetativas” com forte crescimento e adesão também crescente, com presença dos setores primário, secundário e terciário.

A Feira de Enchidos, Queijo e Mel é um “marco incontornável para o concelho e para a toda a região”, e na ocasião o autarca aproveitou para recordar os 193 km quadrados de território, dos quais 71% com caraterísticas florestais, com mais de 7 mil hectares de mancha florestal ardidos em 2017, algo que “arruinou a economia doméstica do concelho e desequilibrou a balança orçamental familiar”.

Ainda assim, Ricardo Aires fez notar que o seu concelho não baixou os braços perante as vicissitudes, e que a autarquia tem trabalhado para o futuro, tendo apresentado 5 candidaturas no âmbito do programa Voluntariado Jovem para Natureza e Florestas.

O autarca afirmou ainda que “interioridade não significada fatalidade, mas a coesão territorial pressupõe a criação de mecanismos de discriminação positiva e igualdade de oportunidades, não nos acomodamos perante o tratamento diferenciado para com os produtores florestais, produtores agrícolas, e empresas do concelho de Vila de Rei lesados e que não tiveram qualquer apoio na sequência do flagelo dos incêndios florestais”, disse, aludindo à necessidade de inclusão do concelho de Vila de Rei no projeto piloto de cadastro simplificado, bem como fazendo referência às “condições ímpares para nele ser instalada uma central de biomassa de pequena dimensão”.

Ricardo Aires, presidente da CM Vila de Rei. Foto: mediotejo.net

“Queremos estar na linha da frente na reforma da floresta”, disse, demonstrando a disponibilidade do Município para cooperar na estratégia nacional do Governo.

A terminar o ciclo de discursos, Miguel Freitas admitiu “ser muito sensível” ao projeto apresentado para instalação da central de biomassa no concelho, aguardando-se a resposta de Bruxelas, ficando a decisão final a cargo também das Comunidades Intermunicipais no que toca à localização dessas centrais.

“Sou um grande defensor de pequenas centrais de biomassa, no Ministério da Agricultura a visão que temos corresponde àquilo que é a visão que Vila de Rei apresentou, sendo centrais autossuficientes e que tenham uma visão ecológica”, disse.

O governante começou a sua intervenção mencionando a importância da Estrada Nacional 2 como “eixo fundamental e estruturante” para o país, que atravessa o “interior do Interior”, ao qual pertence o concelho de Vila de Rei.

Indicou ainda algumas das medidas e reflexões feitas no Conselho de Ministros, em Pampilhosa da Serra, que “decidiu a nova prioridade do país” que passa a olhar em primeiro lugar para a região do Interior, em detrimento do litoral e ilhas.

Miguel Freitas deu conta de uma nova visão que defende a aplicação de “políticas de desenvolvimento e de manutenção”, como forma de trazer mais investimento aos territórios, trabalhando com as pessoas que ali habitam, acrescentando a existência de dois instrumentos aprovados para o futuro, o Programa Nacional de Coesão Territorial e o novo Programa Nacional de Ordenamento do Território.

O Secretário de Estado Miguel Freitas. Foto: mediotejo.net

Quanto à floresta, é entendimento do secretário de Estado que deverá haver uma nova organização dos produtores florestais, pensando muito além da dimensão económica, e que prevê a “criação de um sistema de pagamentos a serviços públicos prestados pela floresta”, algo que deverá surgir no próximo ano como projeto-piloto.

No que toca ao projeto do cadastro simplificado, do qual Vila de Rei ficou de fora “numa primeira vaga”, entende Miguel Freitas que o projeto “está a correr bem”, esperando-se que “até ao final do ano esteja praticamente concluído”.

“Estamos com cerca de 40%, vamos este mês reforçar tecnicamente a equipa que está a fazer o cadastro, para que se possa iniciar este processo a pensar no alargamento a outros municípios”, explicou, afirmando que é pretensão do Governo apresentar esta medida à Assembleia da República no sentido de se poder “estender este modelo a todo o país, nos próximos 2 a 3 anos”.

Este é, para o governante, “o maior esforço de sempre para termos a nível nacional a nossa floresta mais bem preparada para os incêndios florestais”, terminou.

Após a sessão, que contou também com presença dos deputados à Assembleia da República eleitos pelo círculo eleitoral de Castelo Branco, Hortense Martins (PS), Manuel Frexes (PSD), também líder da distrital social-democrata, e Álvaro Batista, bem como o autarca da CM Sertã, José Farinha Nunes, seguiu-se a inauguração da 29ª edição da Feira de Enchidos, Queijo e Mel, com atuação musical do grupo “Os Chibatas”.

Nove dias para conhecer, visitar e degustar o que Vila de Rei tem para oferecer

Durante a tarde de abertura, naquele que foi o arranque da vigésima edição da Feira de Enchidos, Queijo e Mel, em Vila de Rei, falámos com o vice-presidente da autarquia, Paulo César Luís, responsável pelo pelouro do Turismo, que definiu este certame como “a feira onde o concelho se mostra ao mundo”.

Ali se expõe, além dos enchidos, queijo e mel, outros produtos endógenos produzidos no concelho e na região, mas também a indústria, dando sinal de “resistência” apesar das contrariedades que se fazem notar não só neste concelho, como também em toda a região do Interior.

Foto: mediotejo.net

“O propósito desta Feira e de nos mostrarmos ao mundo é mostrar que continuamos vivos, a resistir, apesar de todos os constrangimentos que tivemos ao longo da nossa história, nestes 29 anos, fizemos questão de manter a FEQM, de procurar continuar a divulgar o que fazemos, procurar atrair novos públicos e gente que possa adquirir os nossos produtos, e também procurar atrair investidores que possam investir na nossa terra”, contextualizou o vereador.

Por outro lado, e pela sua realização neste altura do ano, a feira é marcada por reencontros e pelo regresso de migrantes e emigrantes à terra. “Esta feira representa aquilo que são ‘as festas do concelho’, e os vilarregenses, estando cá ou espalhados pelo mundo, é nesta altura que se juntam, que trazem os seus amigos e familiares, para virem conhecer o que é Vila de Rei. É neste sentido que a feira tem crescido, atraindo os amigos dos vilarregenses e sobretudo os vilarregenses, que se sentem cada vez mais esta feira como sua”, disse Paulo César Luís ao mediotejo.net.

O programa, que decorre de 28 de julho a 5 de agosto, tem “nove motivos de visita”, decorrendo ao longo de nove dias com programações diferentes, uma estratégia que visa “alargar a oferta cultural, musical, desportiva, lúdica, recreativa e de socialização, ao mais vasto número possível de gostos, de forma a atrair o maior número de pessoas”.

No panorama musical, os cabeças de cartaz deste ano são Virgem Suta, que fizeram a abertura neste sábado à noite, seguindo-se Fernando Daniel este domingo. Também Carolina Deslandes, Zé do Pipo, Sangre Ibérico e Ricardo Azevedo compõem o cartaz, entre outros grupos musicais locais e regionais, e a animação no palco 2, a cargo de Djs.

Também as coletividades asseguram várias atividades complementares, nomeadamente um Passeio de motorizadas e motas clássicas, canoagem, torneio de ténis, entre outros.

Espreite aqui a fotogaleria desta tarde de abertura oficial da FEQM:

 

Consulte aqui o programa completo:

Vila de Rei | Conheça o programa da 29ª edição da Feira de Enchidos, Queijo e Mel

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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