Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Segunda-feira, Agosto 2, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

“Vídeo-árbitro experimental”, por Nuno Pedro

Ponto prévio: nunca fui apologista da introdução das novas tecnologias no futebol. Entendo que a possibilidade de erro é transversal a todos os seus intervenientes, dependendo apenas da forma como é interpretado por quem o vê e de quem o protagoniza.

- Publicidade -

Se um jogador isolado e só com a baliza pela frente remata ao lado, trata-se de mera infelicidade (logicamente, não enquadro nesta vertente aqueles que se envolvem em resultados combinados). Se um árbitro não consegue descortinar uma falta que até foi cometida dentro da grande área, transformando-a num livre directo fora da mesma, é porque assim deliberadamente decidiu com o claro objectivo de prejudicar outrem. É assim a cultura desportiva no nosso país que, por mais que se tente, não se consegue alterar.

O clima de suspeição permanente para isso contribui, sem esquecer as sempre despropositadas declarações inflamadas, muitas vezes proferidas por quem tem responsabilidades acrescidas na conjuntura futebolística nacional.

- Publicidade -

De forma a contrariar esta triste realidade, em boa hora já foi aprovada regulamentação com o intuito de penalizar os prevaricadores que teimem em navegar em águas turvas. O futebol é hoje um negócio e descredibilizá-lo permanentemente em nada ajuda à sua promoção. Melhor, deixa de ser vendável. E sem compradores, vai à falência. Como em todo o tipo de comércio ou indústria.

Vem este intróito a propósito da introdução do vídeo-arbitro no futebol português, o qual irá ser utilizado a título experimental no próximo domingo no jogo que decidirá a Supertaça entre o Benfica e o Sporting de Braga.

Uma novidade que faz do futebol português um dos pioneiros na utilização deste novo sistema e que promete revolucionar a tomada de decisão do árbitro sempre que a dúvida o assole. Por outro lado, a sua implementação, embora num futuro próximo ainda seja sem implicações no desenrolar dos jogos, pois não haverá qualquer tipo de comunicação entre o árbitro e o responsável pela visualização das imagens do operador que transmite o jogo, funcionará como auxílio à tão proclamada “verdade desportiva” que todos ambicionamos.

Uma verdade não subjectivada por entendimentos perniciosos e pré-definidos, mas alcançada com recurso a um instrumento, imagens televisivas, às quais o árbitro até agora não pode apelar na fracção de segundo que tem de ajuizar. E daí, em muitos casos, o erro acontecer. Involuntariamente.

Resta acrescentar que numa primeira fase a aplicação do vídeo-árbitro apenas será considerada nos lances de possíveis grandes penalidades, situações de golo ou não golo, possíveis expulsões ou confirmação da identificação do jogador a advertir ou expulsar. Será o desejável? Penso que sim, pois são esses tipos de lance que geram sempre mais polémica e incendeiam ânimos.

Voltando ao ponto prévio e fazendo uso do velho ditado de que “só os burros é que não mudam”, assumo-me definitivamente como adepto das novas tecnologias no futebol. Apenas e só por uma razão. Pela defesa da dignidade e integridade moral do árbitro, tantas vezes vilipendiado de forma abjecta e por muitos que fazem da desonestidade intelectual a sua principal característica.

Com uma vida ligada ao futebol, particularmente enquanto dirigente, Nuno Pedro, abrantino, 46 anos, integra desde 2008 o quadro de Delegados da Liga Portuguesa de Futebol Profissional e mais recentemente a direcção da Associação de Futebol de Lisboa mas, acima de tudo, tem uma enorme paixão pela modalidade. Escreve no mediotejo.net de forma regular.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome