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Terça-feira, Agosto 3, 2021

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Vestígios romanos do Sítio Arqueológico de Alcolobre em processo de classificação

Os autarcas de Constância e de Abrantes congratularam-se com o anúncio do arranque do processo de classificação do Sítio Arqueológico de Alcolobre pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), junto à ribeira de Alcolobre, e onde já foi descoberto um forno, umas termas e um balneário romanos, uma necrópole e uma barragem/represa.

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O presidente da Câmara de Constância, Sérgio Oliveira, disse que “a ideia é bem-vinda”, tendo feito notar que o local, que se situa em terreno privado nas freguesias de Santa Margarida da Coutada e Tramagal, “tem vários pontos de interesse histórico, como uns balneários e umas termas romanas, um antigo forno, a parte da necrópole e uma barragem”, constituindo “um ativo natural e patrimonial” que pode ser explorado.

ÁUDIO: SÉRGIO OLIVEIRA, PRESIDENTE CM CONSTÂNCIA:

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“Se o processo de classificação for concluído acho que será mais um polo de atração turística da região, do concelho de Constância e de Abrantes, visto que fica mesmo no limite [dos dois concelhos] e uma vez que há vestígios e zonas que podem ser classificadas quer do lado de Constância, quer do lado de Abrantes”, notou, defendendo um “processo articulado com o proprietário da quinta” onde se situam as ruínas do balneário romano, a poucos metros da ribeira de Alcolobre, que desagua no Tejo, num antigo terraço fluvial.

A ribeira de Alcolobre, que corre em Tramagal e Santa Marqarida da Coutada, foi recentemente foto do mês na revista National Geographic Portugal. Foto: NG/Carlos Correia

Alcolobre é a denominação da ribeira que delimita geograficamente os concelhos de Abrantes e Constância e em torno da qual gravita um “sítio arqueológico com ocupação do período romano e da Idade do Ferro conhecido por Alcolobre, Alcolobra ou Casal do Carvalhal composto por um alargado conjunto de estruturas e vestígios (alguns já com escavações arqueológicas), compostos por um forno, umas termas, um balneário, uma necrópole e uma barragem/represa”, precisou a arqueóloga Filomena Gaspar, do município de Abrantes.

“Sempre que há uma qualquer iniciativa do ponto de vista governamental para auxiliar a melhor conservar e preservar espaços tão distintivos como a ribeira de Alcolobre é sempre algo que nos engrandece, enobrece e também nos responsabiliza muito”, disse, por sua vez, o vereador da Cultura do município de Abrantes, em reação à publicação hoje em Diário da República (DR) da “abertura do procedimento de classificação do Sítio Arqueológico de Alcolobra, na Herdade do Carvalhal, freguesia de Santa Margarida da Coutada, concelho de Constância, e freguesia do Tramagal, concelho de Abrantes”.

ÁUDIO: LUIS DIAS, VEREADOR CULTURA CM ABRANTES:

Segundo notou Luís Correia Dias, “a ribeira de Alcolobre tem um ativo patrimonial, quer do ponto de vista natural, quer do ponto de vista arqueológico, da maior relevância na região”, tendo defendido a união das duas freguesias e dos dois municípios contíguos no “capitalizar de um novo percurso pedestre onde seja visível a beleza natural e o património arqueológico”, daquele lugar.

“O município de Abrantes tem, entre o espólio recolhido por Diogo Oleiro para o Museu Regional D. Lopo de almeida, algumas peças recolhidas nesta estação arqueológica, sobretudo materiais de uso comum como material cerâmico de construção”, disse a arqueóloga Filomena Gaspar, tendo destacado “um bastão de mando”, encontrado neste sítio, e “que aponta para a presença na área de uma ocupação desde, pelo menos, a Idade do Ferro”.

José Manuel Ricardo, presidente da JF Santa Margarida da Coutada. Foto: mediotejo.net

O mediotejo.net esteve no local das ruínas do antigo balneário romano, num local ainda não visitável e rodeado de ervas altas, numa pequena viagem conduzida por José Manuel Ricardo, presidente da junta de freguesia de Santa Margarida da Coutada.

VIDEO: JOSÉ MANUEL RICARDO, PRESIDENTE JF SANTA MARGARIDA:

Segundo Filomena Gaspar, “se a maioria dos vestígios se encontram nas encostas sobranceiras do Tejo, a represa/barragem, está implantada no leito da Ribeira de Alcolobre”, que empresta nome ao sítio, entre os concelhos de Abrantes e Constância. 

“Esta importante estrutura implanta-se a Sudeste do balneário e tem cerca de 13 metros de comprimento por 5 de largura. A sua construção cuidada, foi feita a partir da utilização de alvenaria de calcário com opus caementicium no seu núcleo, o que lhe deu a robustez que lhe permitiu a sobrevivência até aos nossos dias”, nota.

A represa/barragem “apresenta três alinhamentos de pedra sobrepostos e três aberturas para passagem da água” e “resulta o sítio do aproveitamento das potencialidades agrícolas da área que muito irrigada que medeia entre os territórios das atuais freguesias de Tramagal e Santa Margarida da Coutada” que terão originado muito do povoamento registado na carta Arqueológica de Abrantes.

“Efetivamente, quer ao longo do Tejo, quer ao longo dos seus afluentes, como é o caso da Ribeira de Alcolobre, são muitos os sítios arqueológicos identificados, sobretudo nas freguesias de Tramagal e União de Freguesias de Rossio ao Sul do Tejo e S. Miguel ou Pego, aproveitando estes terraços fluviais e todos os recursos a eles associados”, sublinha.

Miliário de Constantino Magno encontrado em Crucifixo, perto da ribeira de Alcolobre.

Para Filomena Gaspar, “estes sítios arqueológicos, com grande incidência para a pré-história antiga, possuem grande riqueza material e potenciam a ideia de um território rico e diversificado que atraiu ocupação desde muito cedo”.

No caso da Ribeira de Alcolobre, destacou a “excelência da junção da proximidade do Tejo enquanto meio de comunicação desde tempos antigos, recurso mineiro, recurso piscícola e recolha de fauna malacológica, com a proteção que o vale deveria potenciar”.

Ribeira de Alcolobre. Foto: DR

Segundo o documento publicado em DR, “o sítio arqueológico em vias de classificação” pela DGPC “e os imóveis localizados na zona geral de proteção (50 metros contados a partir dos seus limites externos, ficam abrangidos pelas disposições legais em vigor”, sendo que “o interessado poderá reclamar ou interpor recurso hierárquico do ato que decide a abertura do procedimento de classificação sem prejuízo da possibilidade de impugnação contenciosa”.

José Manuel Ricardo junto ao antigo balneário romano em Santa Margarida. Foto: mediotejo.net

c/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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