Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Quarta-feira, Setembro 22, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

“Vergonha de caralhota!”, por Armando Fernandes

Em Almeirim fabricam-se caralhotas gostosas, no entanto, às vezes a fornada não sai a preceito e aquelas formas de pão recheadas de febra de porco são uma vergonha de caralhotas. Uma impante VERGONHA. Se fosse na Assembleia da República e um deputado quiser abordar o erro na justa medida de a caralhota ser um ex-libris das artes culinárias ribatejanas dever estar a salvo de tal ocorrência por evidentes razões.

- Publicidade -

O Deputado, segundo o fio-de-prumo linguístico de Ferro Rodrigues, incorre em dupla censura dado a caralhota ser termo indutor de feias virtudes e a duplicação da palavra vergonha traduzir-se numa vergonhosa ofensa contra a honra dos honoráveis deputados.

O recurso ao exemplo da caralhota é derivado de ser conhecida no Ribatejo, longe de pensar em ouvir e ver Ferro Rodrigues brandir o látego. Escrevi noutra crónica a malícia contida em inúmeras receitas, e se o Presidente do Parlamento envereda por esse beco sem saída vai receber um cabaz de críticas, caso os deputados produzam as suas intervenções recorrendo ao receituário culinário tradicional.

- Publicidade -

A título de exemplo lembro as Cristas de galo, os pitos de Santa Luzia, a mijinha do Menino Jesus, os cocós, os ovos cocotte e a passarinha de porca assada nas brasas. Ele nem sabe onde se meteu, se os deputados dominarem o jargão gastronómico.

Conheço o camarada Féfé desde os tempos na Avenida Dom Carlo. Na altura trovejava recitando a vulgata leninista, ao lado de Augusto Mateus e outros, e defenestrou na Aula Magna os fundadores de maior relevo do MES caso de Jorge Sampaio, Bénard da Costa, Nuno Brederode Santos, João Cravinho e seguidores de uma linha reformista enquadrada no tempo e espaço. Agora, a segunda figura do Estado, ao contrário das mulheres virtuosas que não têm ouvidos, possui insólita susceptibilidade.

Caso o presidente da Assembleia queira degustar alguma das vitualhas enunciadas faça o favor de acompanhar com um dos vários e bons espumosos da denominação TEJO.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome