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Segunda-feira, Novembro 29, 2021

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“Vegetalismo”, por Armando Fernandes

Trata-se de um sistema alimentar baseado exclusivamente nos cereais, legumes verdes e secos, nas frutas e nos óleos vegetais, excluindo a totalidade dos produtos de origem animal incluindo o mel e os lácteos.

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Como é sabido este género de dieta nos últimos anos tem-se escorado num catecismo ortodoxo fundamentalista, pouco importando aos seus seguidores que o mesmo provoque défices de vitaminas por exemplo a vitamina A que é fornecida pela manteiga.

O dogma contra alimentos de origem animal favorece o desequilíbrio do organismo, pensemos no facto de o ferro proveniente dos cereais e dos legumes secos e leguminosas ser mal assimilado quando o ferro das proteínas animais não é incluído na dosagem dietética dos organismos.

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O célebre médico e «filósofo» Hipócrates legou-nos saberes e conselhos relativos à nossa alimentação sobressaindo a génese do provérbio: tudo o que é demais é moléstia, ou seja no meio é que está a virtude. 

Nos tempos de agora proliferam as «escolas» de vegetalismo com as suas hierarquias de alimentos ditos de consagração do corpo perfeito, sem distúrbios de saúde, por isso mesmo inimigos da carne. O catecismo tridentino também incluía a Carne a par do Mundo e o Diabo como inimigos da Alma, embora neste domínio, o religioso, a carne fosse entendida noutro sentido que me dispenso de explicar.

O denominado «fascismo» alimentar assente na ortodoxia proibicionista tão do agrado do PAN decretou o banimento dos alimentos vindos de espécies animais, a ciência provou quão maléfica é tal ortodoxia, compete ao leitor escolher o caminho dietético que quer trilhar, no entanto, permito-me recordar o cuidado a ter com as crianças quantas vezes vítimas do impulso do negacionismo sanitário cujo exemplo mais recente é um adolescente de 16 anos educado pelos pais membros da seita Testemunhas de Jeová, que gravemente doente se recusa a aceitar uma transfusão de sangue essencial para tratamento da leucemia que o atormenta.

O Bispo de Viseu D. António Alves Martins escreveu e falou: a religião quer-se como o sal na comida, nem demais, nem de menos. Entendidos!

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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