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Domingo, Dezembro 5, 2021
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“Vanguardas?” por Massimo Esposito

Eu sou pintor “realista”, “surrealista”, com quase sessenta anos de vida e 49 de atividade. Nos últimos tempos estou a ouvir muito palavras como “abstratismo”, post- vanguarda”, ”modernismo”, “arte contemporânea”… e tanto se fala de” vanguardas”, que às vezes não sabemos se estamos velhos demais ou tão ignorantes que não estamos a perceber.

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Em 1860 a Academia estava a ocupar o único espaço disponível na arte, podemos dizer que MONOPOLIZAVA, a arte, a estética e tudo o que podia relacionar-se, mas…

Aparecem Monet, Manet , Degas e depois Cézanne, Van Gogh, Gauguin e Seurat que abanam a tranquilidade da burguesia com os seus temas “diferentes” a aproximação técnica com pinceladas até aquele tempo “proibidas” e sobretudo com uma visão ”nova” duma obra de arte…

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Passou pouco tempo e Picasso, Dalí, Tanguy, Duchamp e outros deram mais um passo para afastar-se das ideias, já obsoletas, da Academia e da estética romântica.

Os futuristas elevam a Máquina como um totem moderno, os cubistas como uma aproximação de visão em três dimensões, os Dadaístas usaram objetos da vida comum para inseri-los num contexto diferentes, os Surrealistas começam a descobrir, a psicanálise, as profundidades dos sonhos e do onírico, os abstractistas a simplicidade das formas, os Expressionistas as variações dos sentimentos… e assim era… naquele tempo.

Depois surgem as ”AVANGUARDIAS” apoiadas pelos vários críticos e galeristas americanos que impulsionavam o individualismo, que procurava “espantar” o público e nascem a Body art, a Land art, a Neue Wilden, a Pop-art, a Arte cinética a Optical-art, a  Performance  e assim entramos nos anos oitenta com a transvanguardia, concetualismo, New Image Painting. O vídeo e a foto insurgem nas telas e as “instalações” apoderam-se dos mídia junto com a arte étnica até chegar a “arte” de Jeff Koons onde o artista está totalmente dedicado ao mercado, à promoção e à venda e não pensa absolutamente em “fazer” ou “pintar” algo – são outros artistas que o fazem sob as indicações dele.

Todas estas correntes ou ”vanguardas” que citei, foi só para fazer entender que ”nada de novo existe sob o sol” como dizia o rei Salomão mais de 3000 anos atrás, mas que já uma multidão de artistas Inventaram, Especularam, Experimentaram quase tudo… e que, se estamos hoje a pintar abstrato, estamos 70 anos atrasados, se fazemos uma instalação estamos atrasados 40 anos, se “borrifamos” as telas já nos idos anos 20 De Kooning e Pollok o faziam, se nos despimos e rolamos no chão a gritar a chegada do fim do mundo, já Gina Pane e Hermann Nitsch no início dos anos oitenta o faziam em dezenas de galerias e praças e assim por diante.

Vi ultimamente varias exposições “vanguardistas” e não acho nada de novo, nada de sincero, só continuam a “borrifar“ telas e suportes sem DAR, sem CRIAR nada de novo e então vejo os festivais locais de arte, onde os nossos pintores do Médio Tejo trabalham e vejo que continuam a amar a natureza, tentam transmitir como amam o próprio território, os próprios sentimentos e os transmitem em modos percetíveis e diretos… sem tantos “ismos” mas com o próprio coração.

Por isto digo:

Sejam originais, procurem-se a si mesmo!

E então sim teremos nova arte e novas “vanguardas” no Médio Tejo…

Bom Trabalho.

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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