Terça-feira, Março 2, 2021
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Utentes exigem demissão do presidente do Conselho Consultivo do Hospital de Santarém

O Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) de Santarém disse na sexta-feira que vai pedir a exoneração do presidente do Conselho Consultivo do Hospital Distrital de Santarém (HDS) e exigir ao Governo a “nomeação imediata” de um substituto.

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Augusto Figueiredo, porta-voz do MUSP Santarém, falava à Lusa na sequência de uma reunião com o Conselho de Administração do HDS que durou mais de três horas e na qual foram discutidas questões como o funcionamento das Urgências, as obras no Bloco Operatório, as listas de espera para consultas e cirurgias, as reclamações de utentes e a falta de pessoal.

Salientando a importância do Conselho Consultivo para o acompanhamento do funcionamento do hospital, Augusto Figueiredo afirmou ser “inaceitável” que José Azevedo Pereira, designado pelo anterior Governo em novembro de 2015, apenas tenha convocado a reunião para a tomada de posse, tendo este órgão estado inativo desde então.

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“Queremos a exoneração imediata do senhor professor José Pereira porque não correspondeu a nenhuma das suas obrigações e exigimos ao Governo a nomeação imediata de um novo presidente para o Conselho Consultivo deste hospital”, afirmou.

Augusto Figueiredo apontou como uma das áreas em que é necessário agir urgentemente a da coordenação com os cuidados primários e com as instituições que acolhem idosos, salientando que a média de idade dos utentes atendidos nas Urgências do HDS é de 75 anos, na maioria por situações que poderiam ser resolvidas nas extensões e centros de saúde e nos próprios lares, se estes garantissem de facto a assistência médica a que estão obrigados.

No entendimento do MUSP, muitas das situações que originaram nos últimos meses picos de atendimento poderiam ter sido resolvidas nas extensões e centros de saúde se estes não tivessem sofrido “cortes drásticos durante os anos da ‘troika’ e do Governo PSD/CDS”.

“O facto de nos ter sido garantido que os tempos de espera na Urgência estão dentro das margens definidas pela Organização Mundial de Saúde não nos conforta. O tempo de espera agrava o sofrimento de quem procura resposta para a doença”, afirmou.

A entrada em obras do Bloco Operatório (BO) do HDS a partir do final de março, início de abril, com conclusão prevista para o final do ano, período durante o qual serão usadas salas do Hospital de Torres Novas (uma das três unidades que integram o Centro Hospitalar do Médio Tejo, CHMT) é outro motivo de “profunda preocupação” para os utentes, declarou.

Augusto Figueiredo afirmou que o presidente do Conselho de Administração do HDS, José Josué, se comprometeu a que estarão asseguradas as equipas médicas que permitirão o funcionamento do BO em Torres Novas.

“Não pode acontecer o mesmo que se está a passar com as 28 camas da Medicina Interna [solicitadas ao Hospital de Torres Novas] que não estão a ser utilizadas porque não conseguem garantir a presença de um médico do HDS 24 horas por dia”, adiantou.

Na reunião de hoje foi ainda dado a conhecer o plano de recuperação das listas de espera para as consultas de especialidades e as cirurgias, estando, nomeadamente, prevista a realização de 500 cirurgias em ortopedia em três meses, adiantou.

Augusto Figueiredo atribuiu o agravamento dos tempos de espera aos cortes feitos pelo anterior Governo, salientando a entrada recente de 120 profissionais, que permitiram um aumento do atendimento.

O porta-voz do MUSP Santarém disse à Lusa que vai ser solicitado à tutela que o HDS seja reconhecido como integrando uma zona carenciada, uma vez que a inclusão na Grande Lisboa retira capacidade de atração de recursos humanos.

Na reunião, foi indicado que em 2016 se registou uma redução das queixas em 25% e um aumento dos elogios (36%), salientou.

Agência de Notícias de Portugal

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