“Uma nova normalidade”, por Vasco Damas

Desconfinamento não teve impacto na curva epidemiológica - DGS. Foto: DR

Permitam-me que comece com um esclarecimento. Este é um espaço de opinião que se limita a ser apenas isso, um espaço de opinião e, as opiniões que, semana após semana, tenho partilhado neste espaço, em momento algum têm a pretensão de ser um manifesto em defesa da verdade absoluta, limitando-se a ser a partilha da minha visão que poderá, e deverá, servir de base a uma discussão mais alargada sobre os temas abordados.

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Esclarecimento feito, talvez seja oportuno começar a refletir sobre o presente, o futuro, novos hábitos e uma, eventual, nova normalidade. Como já por aqui o referi por diversas vezes, tenho a sensação de estarmos na presença de uma realidade desconhecida que nos obriga a gerir a incerteza com base numa sucessão de informações que contradizem as informações anteriores.

Este eventual contra-senso ganha dimensão na aparente contradição entre o abrandamento geral nas medidas de restrição e confinamento por parte dos diversos governos que é acompanhado pela mensagem da Organização Mundial de Saúde que nos informa que o pior ainda está para chegar.

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Subimos de patamar na desordem mundial quando a incerteza e as dúvidas generalizadas pela maioria dos governantes mundiais é contrariada pela certeza de uma das vozes mais corajosas dos tempos atuais. O Papa Francisco informou-nos numa das suas últimas mensagens que o regresso à normalidade só deverá ocorrer no verão de 2023.

2023? Três anos de vidas suspensas? Estamos preparados para esta realidade? Como construiremos a nova normalidade no decorrer dos próximos 3 anos? E chegados ao verão de 2023 teremos a possibilidade de resgatar de novo as nossas vidas?

As respostas a estas perguntas serão construídas diariamente através de um lento regresso ao passado acompanhado pela prática de novos comportamentos, novos hábitos e novas rotinas.

Pessoalmente continuo a ter muitas dúvidas devido ao que vou observando diariamente no nosso comportamento social. Fico mesmo com a sensação que vivemos um teste à capacidade de cada um assente numa lógica de seleção natural. Mas depois de refletir mais um pouco, concluo que há fatores aleatórios que continuam a influenciar o resultado final e que, por mais cuidadosos que sejamos, o mais importante continua a depender de não estarmos no sítio errado à hora errada.

Seja como for, apesar de lentamente irmos regressando às velhas rotinas, há hábitos que não praticaremos por tempo indeterminado e que serão substituídos por novas rotinas. E aqui está um desafio interessante. Que as novas rotinas sejam desafiantes e transformem a normalidade numa nova normalidade. O que é que isto quer dizer? A resposta será dada por cada um de nós.

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