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Quarta-feira, Janeiro 26, 2022
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“Uma não conversa sobre o rescaldo do verão”, por Hália Santos

Então?!? Finalmente de volta dessas longas férias?

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Parece que sim. E olha que foram umas férias estranhas, mas isso é coisa da minha vida, não interessa nada. O certo é que muita coisa aconteceu entretanto.

Os incêndios…

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Desculpa, mas não consigo falar sobre os incêndios. Há poucas coisas que me deixam verdadeiramente incomodada e esse assunto é um deles. Nem sequer consigo encontrar palavras que possam servir de algum consolo para quem os viveu. Porque não me parece que haja consolo possível. E tudo o que pudesse dizer sobre os contornos das coisas seria certamente muito amargo, e já muita gente o fez. Mesmo que não dizer nada às vezes possa parecer alheamento ou indiferença, sabemos bem que nem sempre assim é. Na verdade, estar calado ou calada, muitas vezes, acaba por ser melhor. Sobretudo quando não temos nada a ver como assunto.

Isso é uma crítica a todos os comentadores de sofá que surgiram nas redes sociais e mesmo nos órgãos de comunicação social? É que parece…

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Esses já foram arrasados quanto baste. É mais o reconhecimento de que nos oceanos da opinião fácil até há ondas de informações essenciais. Por exemplo, no Facebook apareceu muita coisa disparatada, raiva descontrolada até de quem nem sabia do que falava.

Se calhar as pessoas precisam destes momentos para descarregar as energias negativas que têm acumuladas. Dizer mal e criticar deve aliviar certas pessoas. Assim como solidarizar-se de forma às vezes patética também deve saber bem a certas pessoas.

É isso mesmo. Mas, no meio desses comportamentos, também se encontravam testemunhos verdadeiramente sentidos e genuínos que nos ajudavam a compreender a dimensão da tragédia. Assim como se encontravam as informações dos jornalistas que foram essenciais, sobretudo para quem estava longe.

Não estamos a falar sobre incêndios, mas estamos a falar sobre os comentários feitos a propósito do assunto. Mas os atos de cada um, com cada um devem ficar…

Tens razão! Cada uma dessas pessoas terá as suas razões para dizer o que lhe vai na alma. Desde que não aproveitem a desgraça alheia para o que quer que seja, cá por mim, sigo em frente.

Fazes bem. Para a frente é que é o caminho! E por falar no que aí vem… não me digas que não te divertiste com os tesourinhos das autárquicas?…

Sabes que, percorrendo-se o país, é quase tudo tão mau que acaba na monotonia. Dei comigo a pensar, num certo concelho do Norte do país, nessa estratégia de comunicação política através dos outdoors. Nesse concelho, praticamente todos os candidatos à Câmara e às Juntas são feios. Alguns, muito feios mesmo. Então, dei por mim a olhar para as caretas deles e a pensar o que passará na cabeça de quem decide continuar a insistir naquilo…

Ahahahah! Sei bem do que falas. Mas estás a lançar um discurso que é socialmente muito incorreto…

Pois estou, mas então? Um destes dias estava debaixo de um desses cartazes, tão próxima que conseguia ver cada pelo da barba em pormenor. E, de repente, fiquei com a sensação de que alguma coisa poderia sair do nariz do senhor, em tamanho gigante, e acertar-me em cheio. Garanto-te que não foi uma sensação agradável. É quase como quando vês um piolho num microscópio, sabes?

Só tu, para fazeres essa comparação. Eu até gostava de saber como é que as pessoas reagem a esses outdoors… Será isso política de proximidade?

Seja o que for, eu cá dispenso!

Apesar de tudo, mais vale isso do que andar a oferecer eletrodomésticos.

Aí é que te enganas! Porque os eletrodomésticos dão votos e os cartazes não dão nada a não ser despesa e poluição visual.

Pois, talvez até fosse boa ideia pegarem no dinheiro que se gasta nisso e dar a quem precisa.

Outra vez a conversa da solidariedade para inglês ver? O dinheiro do concerto por Pedrógão já lá chegou? Façam mas é como o emigrante que veio da Alemanha com 20 mil euros que lá reuniu e vão bater à porta das pessoas para ver o que lhes faz falta. Eletrodomésticos, talvez! E não precisam de dizer nada a ninguém… A solidariedade devia ser como as conversas com Deus.

Mas tu nem acreditas em Deus!!

Pois não, mas acredito que há muita gente boa que sabe muito bem o que tem que fazer, sem ter que apregoar ao mundo…

Professora e diretora da licenciatura em Comunicação Social da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA), do Instituto Politécnico de Tomar, doutorou-se no Centre for Mass Communications Research, da Universidade de Leicester, no Reino Unido. Foi jornalista do jornal Público e da Rádio Press. Gosta sobretudo de viajar, cá dentro e lá fora, para ver o mundo e as suas gentes com diferentes enquadramentos.
Escreve no mediotejo.net à quinta-feira.

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