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Sábado, Julho 24, 2021

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“Uma mensagem bem conseguida num embrulho pouco atrativo”, por Hália Santos

Parte Um: Os vídeos, no geral

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A mensagem é clara, mas apresenta-se com um enquadramento demasiado acastanhado. O assunto é sério, mas podia ser um pouco mais informal. O primeiro-ministro usa as novas tecnologias, mas dificilmente chegará aos jovens.

Não há dúvida de que a ideia de explicar o Orçamento de Estado (OE), de forma direta e sem intermediários, usando o portal oficial do Governo, o youtube e o twitter foi muito bem conseguida. A mensagem é clara. Os principais objetivos e as principais consequências do OE são explicados por forma a que o cidadão médio (seja lá o que isso for) compreenda. Portanto, está alcançado o grande objetivo.

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O discurso de António Costa é organizado e fluído. As ideias fortes que vão aparecendo no ecrã ao lado do primeiro-ministro, escritas a branco, sublinham bem esse mesmo discurso. E apostam em palavras fortes, pela positiva, que funcionam bem. Proteção, aumento e reposição são palavras que agarram e que dão esperança. Por outro lado, há uma outra palavra muito significativa que aparece várias vezes, associada aos impostos e às taxas: redução. Só que…

Diz-se que os primeiros segundos são determinantes para criarmos uma imagem daquilo que está à nossa frente. E os primeiros segundos em que vemos o primeiro-ministro, num fato castanho, num ambiente castanho, remetem-nos para um universo… castanhão (para não ser cinzentão, que não seria apropriado).

Depois, dizem-nos que foi uma excelente estratégia, genial mesmo, para chegar aos jovens. Será? Será que aquele enquadramento castanhão atrai os jovens, mesmo que saibam que o assunto é sério e que queiram, de facto, estar informados sobre a situação política e económica do país? As pessoas da geração dos 30 e muitos, 40 e tal, 50 e picos, sim, essas devem assimilar bem o conteúdo e a forma das mensagens. Mas os jovens? E com aquele piano como som de fundo?…

António Costa descodifica, de facto, o OE, naquilo que é essencial para a vida das pessoas. E não precisou de esperar que os jornalistas ou os comentadores o fizessem. Excelente. Ouve-se e percebe-se bem. Não restarão dúvidas para o comum cidadão. E, sim, sabemos que estamos a falar do primeiro-ministro a falar de um do assuntos mais sérios do país, mas…

Se a ideia é rasgar com os canais oficiais e tradicionais de comunicação e chegar a quem não se interessa por política, talvez fosse boa aposta uma conversa mais descontraída num ambiente de maior proximidade (sem que esta sugestão tenha qualquer coisa a ver com outras conversas televisivas, precisamente para evitar confusões entre comunicação e propaganda).

Parte Dois: Os vídeos, no particular

A notícia que deu conta destes vídeos do primeiro-ministro a explicar o OE diziam que António Costa o fazia “pessoalmente”. Certo. Ele próprio o diz no início do primeiro vídeo. Mas depois fala, e bem, na primeira pessoa do plural. Pode parecer pormenor, mas tem implícito um espírito de trabalho de equipa. E isto é importante.

Ainda no campo do discurso, apresenta-se, e bem, quase sempre pela positiva. Raramente faz referências ao passado. Quando o faz não é num tom de crítica, mas de “viragem de página”. Fica bem e é mais eficaz.

Os planos das imagens nem sempre mudam na melhor altura. Um olhar pouco profissional sente uns certos saltos. E estranha-se que as mãos do primeiro-ministro, usadas com veemência, tentando sublinhar a mensagem, por vezes saiam do ecrã.

Finalmente, um pequeno pormenor… Não houve atualização desta mesma palavra com o Acordo Ortográfico? O Priberam e a Porto Editora dizem que sim. Mas, no terceiro vídeo, a palavra ‘actualização’ ficou por atualizar…

Professora e diretora da licenciatura em Comunicação Social da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA), do Instituto Politécnico de Tomar, doutorou-se no Centre for Mass Communications Research, da Universidade de Leicester, no Reino Unido. Foi jornalista do jornal Público e da Rádio Press. Gosta sobretudo de viajar, cá dentro e lá fora, para ver o mundo e as suas gentes com diferentes enquadramentos.
Escreve no mediotejo.net à quinta-feira.

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