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Quarta-feira, Outubro 27, 2021

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“Uma energia limpa e mais sustentável do ponto de vista ambiental”, por Hugo Costa

Participei recentemente no ‘Portugal Renewable Summit 2018’, um evento organizado pela APREN – Associação de Energias Renováveis, que reuniu em Lisboa mais de 300 pessoas. Claro que a minha intervenção só poderia estar direcionada para o tema da energia e sustentabilidade ambiental no setor energético, defendendo que em 2050 deveremos assistir a uma total neutralidade carbónica no nosso país e na Europa. Foi com redobrado gosto que participei no painel da tarde, moderado por Camilo Lourenço. Estiveram também presentes Adolfo Mesquita Nunes, João Ferreira, Jorge Costa e Salvador Malheiro.

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Vivemos uma série de ameaças ambientais, que determinam a eletrificação da sociedade e da economia e, simultaneamente, a descarbonização através do recurso às energias renováveis. Portugal e bem – e a tempo – abandonou a outra alternativa que apresentava múltiplos riscos, a nuclear.

Os dados são claros, preocupantes e desafiantes quando nos demonstram que a temperatura média da superfície da Terra aumentou 2,5ºC em 250 anos, levando aos problemas do degelo e aumento do nível da água do mar.

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Estes desafios das alterações climáticas determinam uma alteração de paradigma na energia.

Muitas vezes, quando referimos o setor das renováveis esquecemos as questões do transportes e da mobilidade. Muitas das análises ficam-se pela eletricidade. Mas não deve ser assim. Parte do atual problema é o da mobilidade, assente em combustíveis fósseis. Este setor representa 37% do consumo de energia e 75% do consumo final de petróleo.

A emissão de Gases Efeitos de Estufa representa 25% do total e, portanto, uma parte desta mobilidade terá de ser transformada em mobilidade elétrica, como tem sido aposta do atual Governo.

Além dos transportes, temos de nos centrar na necessidade de efetuar a substituição das infraestruturas envelhecidas. Nesse contexto teremos de cumprir os objetivos estipulados no “pacote energia limpa para todos os europeus”, no que concerne a metas mínimas a nível de interligações, renováveis, eficiência energética e emissões de CO2.

De uma vez por todas, penso que temos que estabelecer um compromisso sério com estas medidas, a bem da sustentabilidade ambiental, económica e financeira e só com interligações, as energias renováveis apresentam sustentabilidade económica e financeira, nomeadamente com as exportações.

Portugal é hoje o terceiro estado a este nível, só superado pela Áustria e pela Suécia, e a Comissão europeia não tem dúvidas do cumprimento da meta por parte do nosso país. Em três anos deste Governo, estão em construção 1.100 MW de energia fotovoltaica, o que demonstra a enorme vitalidade do setor. Em contraponto, nos 20 anos anteriores, tivemos cerca de 5.000 MW de energia eólica. A necessidade de defesa dos consumidores, da baixa de preços e de redução do défice tarifário obrigam a adopção de um conjunto de medidas.

A nível de eficiência energética, ainda existe um longo caminho a trilhar, sendo a meta para 2030 de 32,5%, em comparação com os atuais 20%. Nesta matéria, a administração pública deve dar o exemplo e será no caminho da eficiência que está a forma de futuro no setor. Os apoios para a administração pública vão por isso no bom sentido, mas os nossos edifícios públicos e privados estão ainda longe de cumprir os objetivos de eficiência.

A ambição que temos para 2050 é uma total neutralidade carbónica. É um objetivo ambicioso, reconhecemos, que só pode ser conseguido através de um intenso trabalho na área da energia, ambiente e transportes.

Devemos compreender que o cumprimento destes objetivos só pode ser realizado através das renováveis na eletricidade, transportes e tecnologias de aquecimento e arrefecimento. É importante garantirmos fontes de financiamento, e darmos um forte apoio à investigação. Sem esquecer a dimensão da segurança do abastecimento, das infraestruturas e das interligações.

Em 2050 devemos por isso ter uma total neutralidade carbónica no nosso país e na Europa. Sabemos que colocamos a fasquia alta, mas não será isso que nos demoverá de fazer sempre mais e melhor por todos nós.

Deputado na Assembleia da República e membro das Comissões de Economia, Inovação e Obras Públicas e Habitação, é também membro da Comissão de Orçamento e Finanças. Diz adorar o Ribatejo e o nosso país. Defende uma política de proximidade junto dos cidadãos. Tem 36 anos, é de Tomar e licenciou-se em Economia pelo ISEG. É membro da Assembleia Municipal de Tomar e da Assembleia da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. Tem como temas de interesse a economia, a energia, os transportes, o ambiente e os fundos comunitários.

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