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Sexta-feira, Julho 30, 2021

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“Uma dívida de gratidão”, por Hugo Costa

Esta é talvez a crónica mais pessoal que escreverei neste espaço. Hesitei, mas não posso tomar outra atitude. Inicialmente pensei escrever sobre sanções (chegando a ter o texto preparado), Orçamento do Estado (será certamente um dos próximos temas), ou sobre a reabertura do Internamento da Medicina Interna em Tomar. Todos estes temas seriam óbvios, porém, mudei as minhas ideias. Algo me tocou e sensibilizou. Terminei esta crónica durante a madrugada de domingo para 2ª feira.

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Cresci com muitas crianças nascidas na década de 1970/1980, com um enorme respeito pela Guerra colonial, sabemos como poucos que essa guerra transformou a geração dos nossos pais e como isso os modificou enquanto homens. Somos os filhos das vítimas e heróis dessa guerra e em muitos momentos sentimos essas sequelas. Tenho um enorme respeito pela vida, pela estrutura militar e pelos seus valores. Tenho um enorme respeito por aqueles que lutaram pela nossa bandeira, numa guerra “estúpida” e que eles não pediram.

O meu pai, aproveitando um jantar com os seus dois filhos decidiu oferecer os exemplares do livro que escreveu e que nós não conhecíamos. O livro que li velozmente esta noite conta a sua história militar. Uma vida de anos e comissões em África, e a burocracia de como os militares doentes eram tratados depois do fim da guerra. O livro do Sargento Santos Costa é o livro do meu pai. A guerra vista pelos olhos de quem lá esteve. O sofrimento e a História na primeira pessoa.

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Imaginar como jovens foram atirados para a selva da Guiné, obriga-nos a respeitar a memória de todos. Os que morreram e os que regressaram. Certamente que o testemunho do meu pai, permitiu-me conhecer melhor o que passou e viveu. Permitiu-me conhecer melhor o homem que foi. E sinceramente a divida de gratidão do país continua a ser enorme.

Deputado na Assembleia da República e membro das Comissões de Economia, Inovação e Obras Públicas e Habitação, é também membro da Comissão de Orçamento e Finanças. Diz adorar o Ribatejo e o nosso país. Defende uma política de proximidade junto dos cidadãos. Tem 36 anos, é de Tomar e licenciou-se em Economia pelo ISEG. É membro da Assembleia Municipal de Tomar e da Assembleia da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. Tem como temas de interesse a economia, a energia, os transportes, o ambiente e os fundos comunitários.

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