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Segunda-feira, Outubro 25, 2021

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“Uma crónica (quase) adiada”, por Adelino Correia-Pires

Costumo escrever ao domingo. Aliás, escrevo todos os dias, mas aqui para o mediotejo.net, normalmente escrevo ao domingo aquilo que sai à terça. Salto assim pela segunda, não sendo tentado pelos temas de véspera, tentando não tocar na maçã de segunda, que seria sempre o mais fácil. Não sou condicionado pelo Júdice, que também não me lerá, nem tão pouco por nenhum outro que jogue noutra divisão. Procuro algum feito notável, um escriba que mereça nota, uma novela ou um romance do qual possa sair algum sumo para o meu rabisco. Enquanto me vou espreguiçando, vou empurrando dia a dia. Sei que mais tarde ou mais cedo, virá homem morder cão. Basta-me estar meio alerta, qual pescador de bóia leve e puxar quando o peixe pica, que paciência é preciso. Mas Agosto é mesmo assim. O pessoal foi de férias, é ver a banda passar e por muito que eu inspire, isto é só transpiração que não rima com inspiração. Puxo então do que escrevi há anos:

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“… Há algum tempo, com a criatividade que nos caracteriza, o ‘penso, logo existo’ de Descartes, foi adaptado ao anedotário português como ‘penso, logo exílio’ de Estaline, ou ‘penso, logo exijo’, do Prec. Confesso que, como bom alentejano, sempre me agradou mais o ‘penso, logo exausto’.

Era assim uma sensação de sesta depois de um repasto de boas leituras, fossem contos do Manuel da Fonseca, poesias da Florbela ou até mesmo ensaios do Ruben A..

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É que o problema de hoje não é da exaustão, mas do pensamento, ou antes, da falta dele…”

Estou assim como quem escreveu isto, que afinal até acho que fui eu. Pensei adiar a crónica desta semana. Mas, no final, exausto porque de mim exijo, exilo-me com Manuel da Fonseca:

“… Antigamente, o Largo era o centro do mundo. Hoje, é apenas um cruzamento de estradas, com casas em volta e uma rua que sobe para a Vila. O vento dá nas faias e a ramaria farfalha num suave gemido; o pó redemoinha e cai sobre o chão deserto. Ninguém. A vida mudou-se para o outro lado da Vila…”, Manuel da Fonseca, em “O fogo e as cinzas”.

E eu, por aqui me fico, penso que, do lado certo.

Nasceu em Portalegre, em 1956, em dia de solstício de verão. Cresceu no Tramagal e viveu numa mão cheia de lugares. Estudou, inspirou, transpirou e fez acontecer meia dúzia de coisas ao longo do tempo. Mais monge que missionário, é alfarrabista no centro histórico de Torres Novas. Vai escrevinhando por aí, nomeadamente no blogue "o tom da escrita" e é seu o livro “Crónicas Com Preguiça”. E continua a pensar que “não pode um país estar melhor se a sua gente está pior e apenas lhe resta ir colhendo a flor da dúvida, bem me quer, mal me quer...”

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